ONU promove igualdade de gênero em Darfur

abril 30, 2009
Igualdade de gênero

Igualdade de gênero

Nova parceria entre a Unamid e a Unifem quer apoiar medidas inovadoras e reforçar o papel das mulheres naquela conturbada província sudanesa.

As Nações Unidas lançaram uma nova iniciativa em Darfur que visa garantir a igualdade de gênero e promover a participação das mulheres na busca da paz naquela conturbada região sudanesa.

A componente policial da missão conjunta da ONU e da União Africana na província, Unamid e o Fundo de Desenvolvimento para as Mulheres, Unifem, assinaram na quarta-feira um acordo de parceria para apoiar medidas inovadoras e reforçar o papel das mulheres em Darfur.

Discriminação
Os dois órgãos pretendem criar uma atmosfera que permita uma participação significativa e eficaz das mulheres no processo de paz.

A polícia da Unamid está mandatada para proteger as mulheres de violência sexual e reforçar a sua participação nas áreas política e econômica em Darfur.

A diretora regional do Unifem, Meryem Aslan, disse que a parceria irá aumentar a igualdade de gênero e tentar resolver questões associadas à discriminação das mulheres, particularmente em situações de conflito.

Darfur, na região ocidental do Sudão, vive um conflito civil desde 2003 entre tropas do governo, milícias e grupos armados. A violência já matou 300 mil pessoas e obrigou 2,7 milhões a fugir de suas casas. Segundo dados da ONU, cerca de 65 mil pessoas já foram deslocadas este ano.

Fonte: Rádio ONU


Mediação da UA discute paz no Darfur

abril 29, 2009

Os ex-presidentes burundês, nigeriano e sul-africano, Pierre Buyoya, Abdusalamai Abubakar e Thabo Mbeki respectivamente, começaram hoje (quarta-feira) em N’Djamena vários encontros no quadro de uma mediação da União Africana (UA) sobre Darfur (oeste do Sudão), em guerra, segundo fonte oficial.

Os três antigos presidentes, desde terça-feira em N’Djamena, foram recebidos pelo primeiro ministro chadiano, Youssouf Saleh Abbas, de acordo com um comunicado do seu gabinete.

“Seguimos com interesse as explicações dos três antigos chefes de Estado através do relatório sobre a crise no Sudão, cujas consequências são ressentidas no Chade “, declarou o primeiro ministro, citado pela rádio nacional, assegurando que N’Djamena está disposta a apoiar a comunidade internacional a encontrar uma solução definitiva.

Segundo o programa, o trio dos ex-chefes de Estado vai manter encontros com a sociedade civil e diplomatas acreditados no Chade. “A missão apresentará em seguida um relatório mencionando as recomendações aos chefes de Estado africanos à cimeirada UA em Julho”.

Antes do Chade, a delegação conduzida por Thabo Mbeki deslocou-se ao Sudão, Líbia e Egito para recolher os pontos de vistas das partes interessadas pelo dossiê da paz no Darfur.

O Sudão e o Chade mantêm relações tumultuosas, cada país acusando o outro de apoiar os movimentos de rebelião junto ao seu vizinho. Várias centenas de sudaneses fugiram a guerra em Darfur e refugiraram-se nos campos no este do Chade, que albergam também deslocados chadianos e refugiados centro-africanos.

Fonte: Angola Press


Luís Figo é o embaixador em Portugal da nova `água solidária’

abril 29, 2009

O jogador de futebol português Luís Figo é o embaixador da nova ‘água solidária’, Earth Water. A sua fundação é a responsável por trazer para Portugal este projeto único de solidariedade, cujos lucros das vendas revertem na totalidade a favor dos Programas de Gestão de Água nos países em desenvolvimento.

A Earth Water é o único produto comercializado no mundo com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Esta é uma marca ambiental, com responsabilidade social e que já se encontra à venda em alguns hipermercados. Os lucros serão, por sua vez, revertidos na totalidade para programas de gestão de água nos países em desenvolvimento.

A realidade que esta iniciativa pretende mostrar é a de que todos os dias morrem 6 mil pessoas por falta de água potável, sendo que 80 por cento dessas pessoas são crianças. Com a criação desta água pretende-se, então, marcar a diferenças e reduzir estas estatísticas assustadoras.

Inacreditável será pensar que comprar uma embalagem desta água equivale a dar de beber a um refugiado durante um dia inteiro. Água esta que custa apenas 59 cêntimos.

Portugal iniciou agora a comercialização desta água mas nos Estados Unidos da América, no Canadá e na Holanda esta água já se encontra à venda há mais tempo. Nacionalmente, a iniciativa tem contado com algumas colaborações da Tetra Pack, o Continente, a Central de Cervejas e Bebidas e com a Fundação Luís Figo.

No rótulo lê-se que “oferece 100% dos seus lucros mundiais ao programa de ajuda de água do ACNUR” e logo seguido o slogan “A água que vale água”.

Fonte: Sol


Refugiados são protagonistas de documentário no Brasil

abril 28, 2009
Refugiado palestino é filmado por equipe brasileira de cineastas (Foto: Divulgação)

Refugiado palestino é filmado por equipe brasileira de cineastas (Foto: Divulgação)

Filme narra a chegada e a adaptação ao país de um grupo de 107 palestinos

* Carolina Montenegro

Na tela do cinema, um homem varre areia e pedra no meio do deserto. Outro cria dois gatos na precária barraca onde vive há anos. Uma senhora rega seu jardim e um jovem casal conta sua história de amor, nos braços um recém-nascido. Um jovem sorridente repete palavras em português sentado sobre um caixote.

Todos são refugiados palestinos a caminho do Brasil. Em 48 horas, 107 palestinos desembarcam em São Paulo depois de viverem cinco anos em um campo na Jordânia. É setembro de 2007. A maioria deles nasceu e morava no Iraque, mas com a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, tornaram-se um dos grupos perseguidos por milícias xiitas.

Fronteira entre a Jordânia e o Iraque, perto do campo de refugiados de Ruweished (Foto: Divulgação)

Fronteira entre a Jordânia e o Iraque, perto do campo de refugiados de Ruweished (Foto: Divulgação)

As cenas fazem parte do documentário “A Chave da Casa”, dirigido por Paschoal Samora e Stela Grisotti, que foi divulgado no Festival 14º É Tudo Verdade, de março a abril em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. “Tivemos acesso ao campo de refugiados por apenas dois dias, depois de enfrentar a burocracia do governo da Jordânia e o forte esquema de segurança da ONU”, conta Grisotti.

O imprevisto acabou servindo de mote para a filmagem das últimas 48 horas dos refugiados no campo de Ruweished. Outra curiosidade, a tradutora da ONU que iria ajudar nas entrevistas teve que atender uma emergência. Conclusão: dezenas de hora de filmagem foram feitas às escuras, sem os cineastas saberem o que os palestinos diziam. A tradução das cenas foi feita no Brasil três meses mais tarde.

“Acabamos escolhendo os personagens também ao acaso, por causa disso. Demos muita sorte”, explica a diretora. Foi dela também que partiu a idéia do documentário. “Perguntei para mim mesma como a humanidade ainda permitia que essas pessoas vivessem nesta situação precária, no meio do deserto, por anos”, afirma.

“É absurdo o número de refugiados hoje no mundo, a única coisa que circula livremente é o dinheiro. Queria propor uma reflexão sobre a questão, que é tão grave e tão pouco abordada no Brasil”, explica Grisotti. O tema dos refugiados interessava Stela desde que filmou, em 1997, o documentário “Vale a pena sonhar” sobre Apolônio de Carvalho e a geração de 1968, premiado pela TV Cultura.

“Dessa vez, decidimos dividir o ‘A Chave da Casa’ em dois Atos. No primeiro está a saída da Jordânia e no segundo, a adaptação no Brasil, nove meses depois”, diz Stela. No país, os refugiados foram reassentados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Campo de refugiados de Ruweished, na Jordânia, a cerca de 50km do Iraque (Foto: Divulgação)

Campo de refugiados de Ruweished, na Jordânia, a cerca de 50km do Iraque (Foto: Divulgação)

O jovem casal comemora a chegada de um novo bebê, um menino que será brasileiro. O palestino que estudava português no deserto ensina árabe para crianças no Brasil. O futuro se delineia, mas as dificuldades de adaptação são grandes. “Dia 15 começo a me preocupar com o que vou comer dia 16 e no dia 20 estou quebrado já”, afirma o jovem de 26 anos que recebe ajuda financeira do Acnur (Agência da ONU para Refugiados) no valor de R$ 350 por mês.

A simpática senhora palestina de cabelos brancos e cara redonda mantém arrumada a nova casa à espera das visitas que na Palestina eram tão freqüentes. “Também não rezo mais desde que cheguei ao Brasil”, revela contando que não sabe qual a direção correta de Meca. “Já perguntei para outras pessoas, mas cada uma diz uma coisa diferente.”

Mas é o encontro de dois dos palestinos vindos ao Brasil, que dá o tom da conclusão do documentário. A esperança e a expectativa do Ato I ganham traços de melancolia e decepção. Um, destinado a Pelotas, o outro, a Mogi das Cruzes, travam uma conversa cheia de ironia e crítica sobre sua condição de perpétuos refugiados.

O primeiro comenta que ao tirar seu CPF no Brasil, por engano, seu local de nascimento foi identificado como Palestina. “Nós lutamos há 60 anos para este lugar existir e eles conseguiram isso primeiro”, conta bem-humorado. Também conversam sobre a saudade dos amigos que ficaram em Bagdá. “Se eles nos vissem achariam que estamos vivendo com luxo aqui no Brasil, mas daria tudo por uma hora em Bagdá”, afirma o outro refugiado.

No trajeto da viagem entre São Paulo e Rio Grande do Sul, ele coloca nos papel suas angústias em forma de um diário. E encerra perguntas sem respostas sobre a identidade de seu povo: “Será este o destino dos palestinos, se perder em várias partes do mundo? Um povo sem pátria, de uma terra roubada. Será que um dia voltarei à Palestina?”

* Repórter Especial Refugees United


Mexicanos buscam refúgio no litoral para evitar gripe suína

abril 28, 2009

Doença se alastra pelo mundo

Doença se alastra pelo mundo

Famosa Acapulco vira porto-seguro

O temor despertado pelo surto de gripe suína provocou um fenômeno migratório em território mexicano. Moradores dos arredores da capital, Cidade do México, local mais atingido pelo vírus mortal, estão fugindo de casa ou retardando a volta a fim de evitar uma eventual contaminação. Por isso, regiões ainda livres da doença, como Acapulco, nos últimos dias se transformaram em abrigo disputado pelos refugiados da gripe.

O terapeuta Imanol Ugarte, 48 anos, caminhava nessa segunda, dia 27, com o ar despreocupado de um turista comum pela costa de Acapulco, tradicional balneário do litoral do Pacífico. Na verdade, era um fugitivo do vírus, como milhares de outros. Acompanhado da mulher, a analista de sistemas Magdalena Diaz de Ugarte, 41 anos, e da filha Arantza, quatro anos, ele deveria estar ainda nessa segunda na Cidade do México, onde mora, distante cerca de 400 quilômetros. Decidiu, porém, abrigar-se na praia enquanto as notícias que chegam da área central do país seguem alarmantes.

– Vamos ficar no mínimo mais uma semana aqui. Estamos muito assustados com o que está acontecendo. Ainda não sabíamos de nada, até que meu pai ligou e disse “está ocorrendo uma série de mortes aqui” – contou o mexicano.

Também turista da capital, Enrique Basconcelos, 34 anos, pensa em estender as férias por mais três dias além da quinta-feira, quando deveria retornar com a mulher e os filhos, dependendo da evolução do combate ao vírus.

Isso não quer dizer que a situação em Acapulco seja tranquila. Uma decisão do governo local fechou as principais danceterias, restaurantes e cinemas da cidade como medida de precaução, já que o vírus tende a se propagar mais facilmente em ambientes fechados. Um número crescente de pessoas decidiu adotar máscaras para andar nas ruas, como o morador de Acapulco Max Alvarez, 23 anos.

– Acho necessário, mesmo que aqui não se tenha registrado casos – explica.

Assim como na região central do país, nas farmácias de Acapulco também é difícil encontrar máscaras para vender.

– Vendemos umas cem apenas entre a sexta-feira e o sábado, e o nosso estoque acabou. Pedimos mais, mas o problema é que o fornecedor também não tem – lamentou a funcionária de um estabelecimento na área central, Cintia Cedeño.

Na Cidade do México, a corrida às compras provocada pelo medo também inclui mantimentos como leite, pão e outros alimentos não-perecíveis, em uma onda de precaução contra uma eventual piora da situação. Essa atitude, porém, não é recomendada pelas autoridades.

Fonte: Zero Hora


Cruz Vermelha retoma atividade em Mogincual

abril 27, 2009

Os 22 voluntários da Cruz Vermelha de Moçambique (CVM) que estiveram refugiados na sede distrital de Mogincual (Nampula) retomaram sexta-feira os trabalhos, mas ainda persistem receios de eventual retaliação, disse uma fonte institucional.

Em declarações, Domingos Napueto, presidente da comissão distrital da CVM em Mogincual, província de Nampula, afirmou que “a situação já está normalizada” depois dos recentes ataques de populares aos ativistas da organização humanitária, acusados de propagarem a cólera.

“Alguns ativistas já conseguiram entrar nas suas casas (na localidade de Quinga, distrito de Mogincual) e, a partir de segunda-feira, os trabalhos vão recomeçar”, assegurou Domingos Napueto.

Segundo a mesma fonte, as autoridades distritais reuniram-se na semana passada para redefinir as estratégias de atuação em Mogincual, onde há dois meses dois voluntários da CVM foram mortos por populares que os acusavam de espalhar cólera, quando na verdade colocavam cloro na água.

Na altura, outros 20 foram dados como desaparecidos, tendo alguns deles regressado a casa pouco tempo depois.

Domingos Napueto afirmou ainda que o Governo distrital de Mogincual e a CVM local decidiram fazer campanha para explicar à população sobre o propósito da organização e retomar os trabalhos de sensibilização sobre a importância do cloro.

Vamos explicar o que é cloro, porque foi isso que ditou o problema”, disse o presidente da comissão distrital da CVM em Mogincual, referindo-se à morte e desaparecimento de voluntários da organização naquele ponto do país.

Segundo a CVM, os ativistas abandonaram as zonas de origem para evitar represálias das populações, que confundiram cólera com cloro.

Após os ataques e, durante três semanas, a direcção da organização não conseguiu localizar os seus voluntários, não tendo qualquer informação sobre o seu paradeiro.

Essa situação levou, na altura, a organização a suspender as suas atividades.

Fonte: Angola Press


Fórum Estudantil focará a sustentabilidade

abril 27, 2009

A 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (COP-15) acontecerá em dezembro, na Dinamarca. Mas na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) as discussões sobre a redução de emissões de poluentes e o documento que substituirá o Protocolo de Kyoto iniciam no fim do mês. Entre os dias 30 de abril e 03 de maio, diversos organismos internacionais estarão representados no campus para simular os principais temas da agenda internacional.

A diferença é que cerca de 400 alunos do Ensino Médio de 30 escolas brasileiras serão os responsáveis pela argumentação e defesa dos interesses políticos e econômicos dos países que irão representar.

Trata-se do Fórum FAAP de Discussão Estudantil, simulação de organismos internacionais organizada anualmente pelos alunos da FAAP, que já está na sua quinta edição. Neste ano, o evento enfatizará a consciência sustentável e o debate quanto à recessão econômica global.

Para a simulação, as escolas são organizadas em grupos denominados delegações, que vão representar o corpo diplomático de uma país, defendendo a política externa em debates desenvolvidos em cada um dos Comitês de discussão. Cada instituição de ensino é representada por no máximo 16 alunos, além de uma dupla de estudantes, que farão a cobertura jornalística de um dos Comitês.

Além da COP-15, as escolas participantes irão simular reuniões de organismos como o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), Conselho de Direito Humanos (CDH), Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Fundo Monetário Internacional (FMI), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Conselho da União Européia (CE) e a Assembléia Geral das Nações Unidas do Comitê de Desarmamento e Segurança Internacional (DSI).

No Comitê de Imprensa, os alunos representarão veículos de comunicação de diversos países, no qual terão a possibilidade de atuar como jornalistas e de vivenciar a redação de um jornal, seguindo a linha editorial de seus respectivos veículos de comunicação.

Jornais como The Washington Post, Le Monde, Jerusalem Post e The Times of India fazem parte dos credenciados para cobertura fictícia do evento.

A idéia é ressaltar o papel e a influência da mídia nas decisões internacionais e preservar cada vez mais a originalidade da simulação perante a ONU. Além disso, as matérias e reportagens dos jornais internacionais serão escritas em inglês ou espanhol, para dar mais veracidade ao trabalho.

O Fórum FAAP aborda sempre temas atuais, o que contribui para o aprendizado dos alunos participantes, tendo em vista que todos estão a caminho do vestibular. O principal objetivo do evento é promover os valores democráticos, de cidadania e tolerância, por meio de ferramentas pedagógicas que preparem os jovens para se tornarem líderes em suas comunidades e disseminadores destes princípios.

“Nenhum país é uma ilha e temos de educar cidadãos globais, com mentalidade universal e conhecimento dos problemas mundiais. Por esse motivo, o evento é importante porque desperta nos jovens as habilidades necessárias para enfrentar o mundo contemporâneo”, acrescenta o Embaixador Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia da FAAP.

Na ocasião, uma tenda da ACNUR será exibida na FAAP. O objetivo é aproximar os estudantes da dura realidade enfrentada tanto pelos refugiados quanto por aqueles que trabalham pela manutenção e defesa dos Direitos Humanos em todo o mundo.

A tenda será a mesma utilizada pela agência nos campos de refugiados, assim como os utensílios domésticos e de higiene pessoal.

Fonte: O Radical


Ódio genocida ao Outro

abril 26, 2009

Para racistas, os seres humanos que são seu alvo simplesmente não merecem viver no planeta

Roseli Fischmann*, para o Estado de S.Paulo

– A Conferência da ONU em Genebra traz questionamentos, reforçando a pergunta: por que há tanta dificuldade no debate sobre o racismo?

Uma resposta é que a atual geopolítica se baseou em ideologias racistas, expressas nos colonialismos, submetendo alguns povos aos interesses de outros, com repercussões perversas até hoje. Questionar a situação é questionar a história e encontrar formas de reparação, considerando o prejuízo causado a gerações e à dignidade humana (conforme Dworkin e Arendt). Pesa também o desconforto de precisar mudar algo “que sempre foi assim”, como a preguiça imoral propõe para fugir ao debate, já que as mudanças requeridas pedem desde novas atitudes individuais à proposta de novas estruturas sociais para superar injustiças.

Tentando esboçar identificador universal para o flagelo, o racismo é uma atitude que se permite considerar que os seres humanos que são seu alvo não merecem viver sobre a face da terra e sob a luz do sol, gabando-se de assim pregar. Essa é a desrazão que leva do ódio ao Outro à promoção efetiva de genocídios que, irrecuperáveis, deixam marcas indeléveis para os sobreviventes diretos e indiretos.

O racismo é uma guerra permanente, declarada ou tácita, mediante uso de quaisquer armas, materiais ou imateriais, com o fim de eliminar o grupo a quem se rejeita a condição humana e a quem se nega a mera possibilidade de existir. A arrogância racista encontra-se exatamente aí, em um inexistente direito que se autoatribuem os racistas de decidir que alguns não merecem coabitar o planeta.

Talvez em nenhum outro tema seja tão árdua a possibilidade de um debate em direção ao universal. Porque, por um lado, são muitos os grupos vitimados em histórias de discriminação e prejuízos coletivos, cada qual a reivindicar para si, compreensivelmente, a dor maior, a urgência mais extrema e a maior legitimidade. Por outro, grupos que são perseguidos em um espaço podem ser perpetradores de injustiça em outro, e a presença na arena coletiva mundial relativiza queixas e expõe fraquezas comuns a todos, na facilidade de constatar erros alheios e na dificuldade de assumir os próprios. Por isso a cautela deveria ser a atitude mais básica na escolha dos protagonistas de espaços que buscam os direitos humanos como construção universal (à Bobbio).

Se o racismo é uma guerra, tratar do racismo exige metodologias próprias à resolução de conflitos por meios não violentos. Caberia pensar que conferências mundiais deveriam se constituir como um tipo de resolução interativa de conflitos. A tradição de Gandhi e Martin Luther King gerou metodologias interativas que têm base no diálogo e na busca de reconhecimento mútuo, pelo respeito das identidades e dos valores, mesmo não coincidentes (como em Kelman). Mais complexo, há o fato de que as reuniões contam com uma memória mundial que não está disposta a esquecer os fatos terríveis que a humanidade viveu, e com a presença de sobreviventes indiretos de genocídios.

Sucede que, além dos sobreviventes e de seus descendentes (que poderiam não existir, tivesse o genocídio atingido seus objetivos plenamente, no maior horror possível), os refugiados constituem-se como grupos de sobreviventes que escapam ao furor do ódio genocida, instalam-se em outro território que os acolhe e ali reconstroem suas vidas, formam famílias e criam seus filhos, que vão para a arena mundial em luta para que não se repita o que poderia ter impedido suas vidas mesmo de existir. No Brasil, o racismo entranhado na história sistematicamente ignorou os refugiados, tratados como se fossem imigrantes, sem discernir os que imigraram e os que se refugiaram, dentro de um mesmo grupo.

É o mesmo racismo causador da ignorância sobre os mais de 230 grupos indígenas, homogeneizando-os e relegando-os a condições lamentáveis, que promoveu injustiças brutais contra afrodescendentes, mesmo após o fim da escravidão, ou pelo menos se calou frente à desigualdade que evidentemente tem fundo racial em nosso país. A situação ainda é tal que esses grupos têm se renovado, geração após geração, como sobreviventes do racismo que persiste, enquanto se busca combatê-lo, pelos movimentos sociais e pelas instituições. Para essas populações brasileiras, o Plano de Ação da Conferência contra o Racismo realizada em Durban, em 2001, trouxe benefícios importantes, que poderiam ser mais reforçados, houvesse sido outro o resultado da reunião em Genebra.

Uma conferência para debater o racismo precisaria encarar a História para encontrar possibilidades de transformação social em direção à construção do universal, que a todos permita viver como livres e iguais. Alguns limites se colocam a todos os participantes de semelhantes encontros, como os que ensinam que, na necessária compatibilização de direitos de diferentes grupos em conflito, o direito à livre expressão não pode corresponder a um inexistente direito à mentira. Mais ainda, uma mentira que subjuga a amplitude e profundidade do debate sobre o racismo, impossibilitando o diálogo que, em si, é complexo e difícil.

Sendo positivo que o governo brasileiro tenha se manifestado oficialmente contra o conteúdo da fala de Ahmadinejad, a situação anunciada para breve obriga a dizer que é inaceitável que o Brasil receba com honras alguém que, sendo no momento presidente de um país com quem o Brasil legitimamente mantém relações diplomáticas, pessoalmente vem se posicionando publicamente contra os princípios de nossa Constituição Federal, que rejeita o racismo, no campo internacional, e o considera crime imprescritível e inafiançável, no campo nacional. É a Constituição brasileira que será insultada, e o alegado interesse econômico se sobreporá ao dever ético do Estado para com toda a cidadania brasileira que, se consumada essa visita, estará de luto.

*Professora da pós-graduação em Educação da USP e da Universidade Metodista de São Paulo. Tem colaborado como Expert Unesco para a Coalizão de Cidades Latino-Americanas contra o Racismo e a Discriminação, uma das atividades ligadas a Durban-2001


Diferenças étnicas no Sri Lanka são anteriores à colonização portuguesa

abril 25, 2009

As diferenças étnicas no Sri Lanka são muito antigas e ocorrem desde antes a colonização portuguesa, no século XV. Mas, nos últimos três meses, a guerra civil que já dura 25 anos matou aproximadamente 6.500 pessoas e vem obrigando milhares de civis a se deslocarem para escapar da zona de conflito. Leia a seguir a matéria preparada pelo site G1 e conheça mais sobre a história desse país.

Refugees United

Após domínio português, ilha foi tomada por holandeses e ingleses. Hoje é raro ouvir a língua portuguesa no país que fica no sudeste asiático.

O Sri Lanka, uma ilha situada no Oceano Índico e com uma área equivalente ao do Rio mais a metade do estado de Espírito Santo, tem um ponto em comum com o Brasil. Ambos foram colonizados primeiramente pelos portugueses.

Claro, porém, que há diferenças entre as duas colonizações. No Sri Lanka, então chamado de Ceilão, os portugueses praticamente não aproveitaram as riquezas naturais da ilha, mas plantaram o catolicismo. Na ilha asiática, trataram de aproveitar o território situado no sudeste asiático basicamente como porto natural, principalmente por conta de sua proximidade com a rica Índia. E lá os portugueses também não ficaram até o país se tornar independente. Se no Brasil durou mais de 300 anos de domínio direto, no Sri Lanka foi de ‘apenas’ 1506 até 1650. Depois disso, o país foi dominado por holandeses (1658-1880) e britânicos (1880 até 1948).

“Portugueses e holandeses ficaram mais no litoral do Ceilão, principalmente no sul. Os britânicos é quem acabaram tendo mais influência principalmente no interior e norte, por ter aproveitado para o plantio de chá e borracha”, conta ao G1 o professor do departamento de história da Brown University, Jorge Flores, e autor do livro ‘Curta história do Ceilão: quinhentos anos de relações entre Portugal e Sri Lanka’.

À esquerda, refugiados deixam área tomada pelos Tigres Tâmeis. À direita, criança tâmil passa por militares do governo (Fotos: Reuters e AP)

À esquerda, refugiados deixam área tomada pelos Tigres Tâmeis. À direita, criança tâmil passa por militares do governo (Fotos: Reuters e AP)

Flores relata ainda que as diferenças étnicas, que provoca há mais de duas décadas um conflito mortal na ilha, são antigas. Tão antigas que existem desde antes a chegada de Portugal, segundo Flores. Até o século XV, a ilha era dividida por reinos, separados por budistas, hindus e tâmeis. Com a chegada dos europeus, os nativos se acalmaram ou ao menos tiveram que, como se fala popularmente, ‘ficar na deles’.

“A maioria é formada por budistas. O norte sempre foi a região mais pobre e formada pelo hindus e tâmeis, que eram e são a minoria”, disse.

Soldados do Sri Lanka patrulham área em Puthukudiyiruppu, a cerca de 240 quilômetros da capital Colombo, nesta sexta-feira (24) (Foto: Eranga Jayawardena/AP)

Soldados do Sri Lanka patrulham área em Puthukudiyiruppu, a cerca de 240 quilômetros da capital Colombo, nesta sexta-feira (24) (Foto: Eranga Jayawardena/AP)

Integrante independente da comunidade britânica desde 1948, o Ceilão virou Sri Lanka anos mais tarde, em 1972, para tentar apagar de vez a presença dos colonizadores. Foi então quando os tâmeis passaram a reclamar de preconceito contra seu povo e foi criado o grupo rebelde Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE, pela sigla em inglês), que desde então tenta estabelecer um governo autônomo.

Nos últimos 25 anos, tal turbulência vem causando a morte de milhares de pessoas e o êxodo de outros milhares, principalmente tâmeis. Segundo um relatório das Nações Unidas, foram mortos 6.432 civis e 13.946 ficaram feridos desde janeiro. Recentemente a ONU e autoridades da Índia pressionam o governo local, que tenta eliminar os Tigres.

Hoje, com Portugal, a relação é superficial, a ponto de o país europeu não ter embaixada ou consulado na ilha, segundo conta Flores. Apenas instituições/fundações não governamentais. “Além da religião católica, há pequenas comunidades que falam o crioulo e poucas palavras da língua portuguesa ainda permanecem”, diz Flores. “Tolha e mesa, por exemplo”, completou. Não é à toa que a capital é Colombo.

Em 22 de abril, manifestantes fazem protesto em Londres e pedem o cessar-fogo no Sri Lanka (Foto: Sang Tan/AP)

Em 22 de abril, manifestantes fazem protesto em Londres e pedem o cessar-fogo no Sri Lanka (Foto: Sang Tan/AP)


AVISO AOS IMIGRANTES: NÃO EXISTEM TAXAS PARA ENTRAR NA “FILA DA ANISTIA”

abril 24, 2009

ENTIDADES DE APOIO AOS IMIGRANTES ALERTAM:

Imigrante em situação irregular não tem que pagar nenhuma taxa para se habilitar a obter Anistia para residência no Brasil ou entrar em lista de espera. Indivíduos inescrupulosos estão realizando cobranças indevidas de imigrantes indocumentados.

Qualquer cobrança é indevida e improcedente. O andamento do Projeto de Lei 1.664/2007 (que dispõe sobre a residência provisória para o estrangeiro em situação irregular no território nacional e dá outras providências), ainda está em trâmite junto ao Poder Legislativo (Câmara dos Deputados).

No momento em que a Anistia acontecer, os imigrantes que forem se regularizar deverão procurar a Polícia Federal para efetuar os procedimentos necessários e todo e qualquer pagamento deverá ser feito conforme a orientação/determinação expressa do Governo Federal.

As entidades que compõem o Comitê Paulista para Imigrantes e Refugiados (ver lista abaixo) alertam aos imigrantes que aguardam a sua regularização a não se deixarem enganar e não efetuarem nenhum pagamento de taxas de habilitação ou lista para entrar no processo de Anistia.

Mais informações podem ser obtidas junto às entidades destacadas abaixo:

Secretaria Especial de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo/CMDH
http://www2.prefeitura.sp.gov.br/cidadania/cmdh
Tel: 0800-7701445

Cibernarium/vit@lisBrasil -SMPP – Secretaria Municipal de Participação e Parceria
http://www.projetofabrica.com.br
Galeria Olido
Av. São João 473 térreo
Tel: 3223-3694

Escritório Modelo “Dom Paulo Evaristo Arns” – PUC/SP / Projetos Sociais
http://escritoriomodelopuc.wordpress.com
Rua João Ramalho,295 – Perdizes – CEP 05008-001 – Fone: (11) 3872-6992.

Decanato de Extensão Mackenzie

Centro Pastoral dos Migrantes
www.cpmigrantes.com.br

Casa do Migrante -Pia Sociedade dos Missionários de São Carlos
http://www.casadomigrante.com.br
Rua Almirante Maurity, nº. 70 – Liberdade, São Paulo CEP: 01514-040 Telefone – Fax: 11 3208 4109 / Posto Serviço Social Terminal Rodoviário do Tietê Fone: 11 6223 7152

Cáritas Arquidiocesana de São Paulo
Centro de Acolhida para Refugiados da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo
R. Venceslau Brás, 78, 2º andar
Centro- São Paulo- SP-01016000
Tel: 3241-3239/3115-2674

Missionárias Seculares Scalabrinianas

Associação Humanista

IDDAB – Instituto de Desenvolvimento da Diáspora Africana no Brasil

Instituto Pólis

Instituto Migrações e Direitos Humanos

Refugees United
http://refunitebrasil.wordpress.com

Primo Filmes

Brasil das Arábias

FILEF – Federação Italiana: Trabalhador, Migrante e Família

Centro Cultural Africano


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