Caritas se mobiliza para ajudar flagelados da Namíbia

maio 31, 2009

As graves inundações na Namíbia, no sul da África, afetaram a mais de 700 mil pessoas e deixaram 40 mil sem moradia em grave necessidade. A Caritas regional se mobilizou para atender aos flagelados.

O rio Zambezi aumentou seu nível em mais de 8 metros após as intensas chuvas deste mês, inundando o norte do país, de acordo com o site da Caritas Internacional.

A coordenadora da Caritas regional, Ir. Aine Hughes, disse em uma recente visita à área afetada: “A maioria das casas e fazendas estão construídas com tijolos de argila. Foram total ou parcialmente destruídas com o resultado de forma que as pessoas estão sem casa ou suas casas estão agora inabitáveis”.

“Alguns tiveram que abandonar tudo levando somente as roupas do corpo, ficando em total indigência. Estão vivendo em tendas e refúgios feitos com telas de plásticos. Não possuem esteiras ou colchões”.

Há uma urgente necessidade de cobertores e roupas para crianças, telas de plástico, tabletes para purificação de água e comida extra para crianças. A Caritas Namíbia se ofereceu para facilitar a distribuição através de suas estruturas locais onde muitos voluntários estão oferecendo seus serviços.

Mais de duzentas escolas foram fechadas e cem mil crianças tiveram que interromper suas aulas. As lavouras foram destruídas, impedindo a colheita para o próximo inverno, as clínicas estão se vendo forçadas a fechar, deixando as pessoas afetadas pelo HIV em grave risco.

As fontes de água limpa para beber e cozinhar foram destruídas ou contaminadas. O acesso aos rios é impossível devido às inundações, de maneira que as pessoas estão submetidas a graves restrições de água. Muitos campos de refugiados não têm água suficiente para beber.

A Caritas se propõe a trabalhar com as comunidades afetadas, encontrando uma terra alta onde possam se reassentar, oferecendo capacitação em tecnologias de adaptação, de maneira que as novas casas possam resistir melhor as inundações e promovendo uma agricultura sustentável.

“O impacto da mudança climática está tendo mais graves efeitos sobre as comunidades vulneráveis nestas partes do país, que dependem de uma agricultura baseada na chuva e meios de vida de subsistência. As pessoas aqui necessitam de serem capazes de mitigar o impacto da mudança climática onde seja possível e adaptarem-se às variações do tempo para assegurar seus meios de vida. Há também algumas tecnologias simples como a introdução do alojamento usando lajotas de cimento para resistir à chuva e aos danos da água”, disse a Ir. Aine.

Fonte: Zenit


Como nos primórdios da civilização

maio 31, 2009

Viajante conheceu de perto o conflito histórico e sangrento entre Hutus e Tutsis, em Ruanda

*Charles Zimmermann

Chamaram-me pelo nome, porque todos sabiam que eu era casado com uma tutsi. A notícia da situação do meu vizinho, um tutsi também, de 70 anos, espalhava-se, o pessoal esperava. Ele colaborou com a fuga de um grupo de crianças. O pessoal estava excitado porque tinham matado umas pessoas horas atrás. Alguém disse a mim diante da plateia: ‘Jean, se quiser salvar a vida de sua esposa, tem que cortar este homem agora. Ele é um farsante, mostre-nos que você não é dessa espécie’. Essa pessoa se virou e deu uma ordem: ‘Tragam uma faca para ele’. Eu, do meu lado, tinha escolhido minha mulher por amor à sua beleza; afeiçoada a mim, eu sentia muita pena de perdê-la. E quanto ao meu vizinho, foi um senhor que já me ajudou financeiramente e me confortou quando perdi minha mãe. Foi um pai para mim. A multidão foi engrossando. Peguei o facão, dei um primeiro golpe. Quando vi o sangue borbulhar, levei um susto, recuei um passo. Às minhas costas, alguém me deteve e me empurrou com os dois cotovelos para a frente. Fechei os olhos na gritaria e dei um segundo golpe, igualzinho. Liquidado. As pessoas aprovaram, ficaram contentes e se afastaram; eu recuei. Mais tarde, soube que o homem tinha se debatido por duas longas horas antes de morrer. Depois disso, nos acostumamos a matar sem tantos rodeios. Quase dois meses depois do início do massacre, um grupo aparece em minha casa. Dão ordem de matar minha esposa. Alegavam que eu não tinha atingido a meta de mortes naquele período. Neguei, e proibi-os de entrar em minha casa; os vizinhos, apavorados com a cena, suplicavam que obedecesse e sacrificasse a esposa. Me empurraram, e a degolaram com um golpe de foice, certeiro no pescoço. Fizeram-me a enterrar no meu próprio quintal”.

As crianças hutus cresceram sem fazer perguntas, ouviram todas as maldades sobre os tutsis. Acumulavam nos seus ouvidos que os tutsis tinham áreas de plantio demais e que os hutus passavam fome. Um hutu podia ter um colega tutsi, tomar cerveja com ele e tal, mas não podia confiar nele. Os hutus nunca gostaram dos tutsis por serem mais altos que eles e, por causa dessa vantagem, achavam que podiam mandar e ditar as regras. Nas escolas, os professores aguçavam as diferenças étnicas nos adolescentes, fazendo com que os tutsis se sentissem constrangidos e tímidos perante aos hutus”.

Estes são apenas dois de muitos depoimentos de cidadãos da etnia hutu, de Ruanda, um pequeno país localizado nos confins do meio do continente africano. Confesso que fiquei assustado com esses depoimentos – sempre tranquilos, como se fosse contar sobre um assunto do cotidiano em um bar. Em uma manhã de domingo, dia ensolarado, de uma igreja – um galpão coberto de zinco –, ouvia as vozes fortes do coral formado por mulheres. Era em uma cidadezinha a poucos quilômetros de Kigali, a capital do país. A missa começava logo e a igreja já estava cheia. Nas minhas costas, depois de uma centenária acácia, a verdadeira igreja, abandonada.

Começo a entender o que se passou ali quando observo o rombo entre a parede e a porta de metal provocado por uma explosão. No chão de cimento, muitas marcas: buracos provocados por tiros. Nas paredes carcomidas, o mesmo: marcas de tiros. Mas quando me aproximo, noto respingos de sangue no alto e até um metro de altura, manchas de sangue em abundância, parecendo jogadas com um copo. Uma mesa representava o altar. Sobre a mesa, uma toalha, tão cheia de sangue que mais parecia ter sido mergulhada. E o teto: era como se a igreja estivesse coberta por uma peneira.

“Não havia como não acertar alguém”, afirma uma senhora presente. Cinco mil pessoas foram mortas ali dentro, em um só dia. Depois que estouraram a porta, aí sim, entraram com os facões e inspecionavam um a um.

“Os visivelmente feridos estavam deitados sobre os bancos, os que não estavam feridos, tentavam se esconder em vão, debaixo dos bancos. Os hutus fizeram a festa aqui”, afirma a senhora, começando a chorar. Levou-me até a uma sala: dezenas de sacas com roupas das vítimas. Coloridos vestidos de meninas espalhados pelo chão. Todos tinham sangue e alguns rasgados, confirmando o que a senhora havia comentado: muitas meninas eram estupradas na frente de seus pais antes de serem mortas. No galpão nos fundos, pilhas e mais pilhas de caveiras, de todos os tamanhos. A naturalidade em poder tocá-las era tanta que pude pensar que estava em uma feira de artesanato.

Deixo o vilarejo composto de uma mistura de casas em taipa e cimento, todas cobertas com lata, e volto de bicicleta para a capital. Pelo caminho, cada metro de terra havia sido mexido. Nas partes baixas, os campos com arroz quase maduro, e nas altas, plantações de tomate intercaladas com bananais. Perdidas em meio a essas plantações e identificando outros pontos de extermínio, carcaças de carvão eram só o que restava de algumas igrejas. Se já estava perplexo com o que havia presenciado na igreja anterior, aqui pareceu que o genocídio continuava. Espalhados entre os bancos e corredor da igreja, envoltos por roupas esfarrapadas, esqueletos.

Havia centenas. Algumas caveiras estavam afastadas e tíbias, num outro canto, decerto separadas por cães e animais selvagens que se aventuram sobre os corpos. Tudo estava lá, do jeito deixado pelos matadores naquela tarde de primavera. Era uma cena difícil de compreender. Estarrecedora. Forte, com certeza. “A que ponto as pessoas podem chegar quando se mobilizam para pensar que outros seres humanos não são de maneira alguma seres humanos como eles?”, pensava. Os tutsis, acreditando que nas igrejas estariam a salvo, devido a também expressiva religiosidade dos hutus, acabaram se encurralando dentro delas. Foram enganados por muitos padres que viraram matadores. Relatos de sanguinários hutus apontam indignação com alguns refugiados dentro das igrejas: “Sabendo que vão morrer, por que não protestam, por que não pedem perdão?”

Por 12 semanas, os tutsis foram caçados e mortos, de idosos a bebês. Não se sabe ao certo o número de vítimas. Uns falam em meio milhão, outros em um milhão. Cerca de cinco tutsis em cada seis foram mortos nesse período. Tudo começou quando o presidente Habyarimana, um hutu moderador, foi assassinado com a explosão de seu avião. Os massacres começaram na mesma noite daquele 11 de abril de 1994 em Kigali e, em seguida, nas cidades do interior.

Mas qual o motivo do massacre? Afinal, as duas etnias falam o mesmo dialeto, moram nos mesmos vilarejos, rezam juntos e as diferenças físicas entre eles, embora ocasionalmente notáveis – como o nariz achatado do tutsi, são muito aleatórias. Os matadores não precisavam reconhecer as vítimas, pois as conheciam: num vilarejo tudo se sabe. Até em um passado não distante, ser um tutsi era status social. Uma espécie de casta. Quem tinha um pouco mais de terras ou cabeças de gado podia se considerar um tutsi. Dessa maneira, criou-se uma relação feudal entre as duas etnias. Coube aos hutus serem os vassalos dos tutsis. O distanciamento só aumentava. De um lado, as crescentes manadas de vacas, o símbolo da riqueza e do poder dos tutsis; de outro, os hutus, cada vez mais expulsos de suas já minguadas terras. Em 1959, ocorreu uma sangrenta revolta popular e os hutus foram ao poder e iniciaram um processo de marginalização da comunidade tutsi. Quem encorajou e estimulou os hutus para esta luta, foram os Belgas – Ruanda é uma ex-colônia belga.

Os tútsis, dominantes naquela época, falavam em independência e, tentando manter a condição de colônia, os belgas passaram a apoiar os hutus. Desde aí, um tutsi passou a ser apontado pelos administradores públicos como um cidadão conspirador, oportunista e parasita. Nesse país superpovoado e agrícola, sem nenhuma riqueza natural, as disputas por terras continuaram, e os tutsis sempre tiveram suas propriedades invadidas e seu rebanho atacado. Em 1994, já não se podia dizer que os tutsis se mantinham privilegiados economicamente. Nas duas etnias havia ricos e pobres, e 15% da população representavam os tutsis. Após o massacre também foram banidas as menções nos documentos de identidade que anunciavam a divisão étnica.

Na madrugada do dia da minha partida, uma movimentação no prédio onde estava hospedado, em Kigali. Quando abri a porta, havia na sacada dos fundos uns dez homens, concentrados no feixe da luz de pilha que passava pelos entulhos e telhados cercados por muro lá embaixo. “Ladrão”, diz um rapaz. “Estamos há horas procurando-o. Ele entrou nesse prédio para despistarmos, passou pela frente do seu quarto e pulou daqui.” Metade deles tinha um facão nas mãos. Nenhum policial no local. Amanheceu, o grupo ainda lá, de tocaia. “Vamos esperar, ele está escondido aqui”, comenta o mesmo rapaz que falei horas antes. De olhos arregalados, fez no ar, na altura do meu rosto, um sinal com seu facão em forma de xis. Entendi o recado. Encontrado o suposto ladrão, era o facão que faria a justiça. A história aponta e esta cena define: novos conflitos entre hutus e tutsis ainda virão e o hábito do facão continua imperando. Deixei Ruanda, sem saber que final teve o “ladrão” que pulou da sacada.

* Charles Zimmermann viajou por mais de 70 países e é autor de quatro livros relatando as viagens, “Nos Confins do Oriente”, “Estrada para o Grande Deserto”, “Terra Estrangeira e Deserto Feliz”. O site do autor é www.charlespelomundo.com.br

Fonte: A Notícia


Protesto contra G8 e nova lei de imigração na Itália

maio 30, 2009

Centenas de pessoas saíram às ruas de Roma, neste sábado, em protesto contra a reunião de ministros do G8 e as novas leis de imigração da Itália.

A marcha cruzou o centro histórico da cidade, acompanhada de perto pela polícia. Fizeram parte do protesto muitos imigrantes e ativistas de esquerda, contrários ao pacote de segurança debatido pelo ministros do Interior e da Segurança do G8, nos últimos dois dias. Entre as cláusulas do pacote há regras mais rígidas para o combate à imigração ilegal. A Itália é um dos países europeus com normas mais rígidas para os imigrantes. E também um dos mais afetados pela imigração ilegal, devido à posição estratégica e relativa proximidade com a África, que a transforma na “porta de entrada da Europa”. Além da imigração, o grupo também combate crimes cibernéticos e o crime organizado, especialmente quadrilhas com ramificações em nações da África.

Fonte: Band News


Novo site oferece informações sobre o retorno e reintegração aos países de origem

maio 29, 2009

Quando os migrantes consideram a possibilidade de retornarem aos seus países de origem, eles geralmente têm uma série de dúvidas.

Os relatórios de países, produzidos pela Organização Internacional para as Migrações (IOM, em inglês), proporciona informações relevantes para as pessoas que pensam em voltar. Trata-sede dados que cobrem várias áreas, como sistemas de saúde, moradia, educação, empregos, oportunidades de negócios e transporte.

Os relatórios também possuem informações para os migrantes em estado de vulnerabilidade, como vítimas de tráfico humano, pessoas doentes, mães e pais solteiros e crianças desacompanhadas.

Os links abaixo oferecem os documentos sobre o Brasil, em formato PDF, nos idiomas português e inglês.

Brazil Country Sheet Portuguese

Brazil Country Sheet – English

Refugees United


Ceará tem maior número de mortes

maio 28, 2009

Cidade de Granja, alagada devido as chuvas

Cidade de Granja, alagada devido as chuvas

Segundo a Secretaria Nacional da Defesa Civil, o Ceará registrou o maior número de mortes provocadas pelas chuvas

A chuva tem castigado os cearenses não apenas em números de desabrigados e desalojados, mas também na quantidade de mortes. De acordo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, foram 17 vítimas este ano, o que tornou o Ceará o estado com o maior número de mortes provocadas pelas fortes chuvas.

O Ceará ficou a frente de outras regiões que também foram bastante atingidas como o Maranhão (12) e a Bahia (7). Segundo as informações, que foram notificadas pelas defesas civis estaduais e enviadas à Sedec, 52 pessoas morreram por causa dos desastres das chuvas em todo o Brasil.

A Defesa Civil do Estado não confirma a informação. O dado sobre as 17 mortes chegou a ser noticiado no site oficial do órgão, mas foi retirado do ar há algumas semanas. Segundo o coronel João Vasconcelos, comandante do Corpo de Bombeiros, nem todas as vítimas registradas estão relacionados diretamente com a chuva. “Alguns casos são de pessoas que morreram por choque elétrico, raios ou afogadas em açudes que estavam sangrando”, afirma.

O comandante do corpo de Bombeiros explica que a informação foi passada à Sedec sem detalhamento da causa das mortes. “Apresentamos um dado preliminar da notificação de dano. Estamos esperando o laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML), que vai especificar de que essas pessoas foram vítimas”, afirma. O laudo deve ser divulgado até amanhã.

Segundo o boletim da Sedec, os desastres provocados pelas fortes chuvas e enchentes já deixaram 283.487 pessoas desalojadas e 129.989 desabrigadas em doze estados. O Maranhão é o estado com o maior número de municípios atingidos, 106. O Ceará vem logo em seguida, com 93. Atualmente, a Defesa Civil do Estado contabiliza 26.615 desalojados e 40.384 desabrigados.

A Funceme prevê mais chuva no Ceará para os próximos três dias, principalmente na região Centro Norte. “As chuvas serão mais intensas na faixa litorânea, seguindo pela serra da Ibiapaba até o Baixo Jaguaribe”, afirma a meteorologista Gláucia Barbieri.

Organizações governamentais e não-governamentais estão se mobilizando para ajudar às vítimas das chuvas em todo o Brasil. A Sedec enviou ajuda humanitária aos doze estados mais atingidos. Foram disponibilizadas 135.150 cestas básicas e cerca de 1,4 milhão de itens como colchões, lençóis e materiais de limpeza. O grupo de Comunicação O POVO realiza a campanha Refugiados das Águas, recebendo donativos para as vítimas no interior do Estado.

Fonte: O Povo


Combates tribais matam 244 no Sudão em uma semana

maio 28, 2009

Violentos confrontos entre duas tribos árabes nômades deixaram 224 mortos, nesta semana, na província de Kordofan-Sul, no Sudão.

O balanço dos mortos na província foi anunciado nesta quinta-feira pelo ministro do Interior sudanês, Ibrahim Hamad, que não deu maiores detalhes sobre as ações.

A região dos embates é vizinha a Darfur, onde milícias muçulmanas, ligadas ao governo do Sudão, enfrentam rebeldes não árabes, desde 2003. O conflito de Darfur já deixou 400 mil mortos e 2 milhões de refugiados.

Fonte: Band News


Agência para Refugiados inspira série de TV no Japão

maio 28, 2009

Drama mostra oportunidades e desafios enfrentados por pessoas que buscam asilo no país; programa será apresentado pela NHK, estatal japonesa.

Cena da gravação

Cena da gravação


A rede de televisão japonesa NHK anunciou a criação de uma série de TV baseada no drama de refugiados. O programa mostrará a história de uma funcionária do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, e de um colega americano por quem ela acaba se apaixonando.

A série, que estreia neste sábado no Japão, terá duração de cinco semanas. No programa, o público poderá conhecer mais sobre o funcionamento do Acnur e a história dos refugiados no país e no mundo.

Sinopse
A protagonista da série batizada “Folha de Plástico ao Vento” é Rika Kudo, uma assistente do setor de informação pública que tem a ambição de melhorar o mundo através de seu trabalho na ONU.

Ela se apaixona por um colega e os dois se casam, para que ela possa ir com ele ao Sudão, onde participa de uma missão.

A série mostra as oportunidades e desafios que refugiados e pessoas que buscam asilo enfrentam no Japão.

Na tela, são exibidos ainda, os riscos sofridos por funcionários de ações humanitárias que trabalham em áreas de conflito.

Vida real
Em 20 de junho, a ONU marcará o Dia Mundial dos Refugiados. O Japão deve comemorar a data com atores e diretores da série num simpósio na sede do Acnur.

Desde 1970, o Japão recebe um grande fluxo de refugiados e também é o terceiro maior doador do Acnur. No ano passado, o país anunciou que será o primeiro da Ásia a aceitar o reassentamento de refugiados através de um programa-piloto que terá início em 2010.

Fonte: Rádio ONU


Crise relega direitos humanos a 2º plano, diz Anistia

maio 28, 2009

A crise internacional leva governos em dificuldades econômicas a reprimir protestos contra o aumento da pobreza e do desemprego, alertou hoje a Anistia Internacional. A organização de direitos humanos afirma em seu relatório anual que esses direitos têm sido relegados a um segundo plano diante da crise. Entre os prejudicados, a Anistia aponta os trabalhadores migrantes na China, a população indígena da América Latina e milhões de pessoas por toda a África. Esses grupos estão, segundo a entidade, sendo reprimidos por autoridades no momento em que tentam protestar por melhores condições de vida.

Enquanto a atenção mundial acompanha o colapso de gigantes financeiros, os que estão na base da pirâmide social são as principais vítimas, apontou a secretária-geral da Anistia, Irene Khan, em entrevista. “Há uma espécie de efeito dominó (…) aqui, e aqueles mais vulneráveis, no fim da corrente, estão sentindo o maior impacto”, disse. “É muito, muito mais difícil falar sobre mortalidade de mães quando grandes bancos de Wall Street estão falindo.”

O relatório anual da Anistia Internacional enfocou o impacto da desaceleração econômica mundial sobre países como a China, onde milhões de trabalhadores migrantes do interior perderam seus postos pela queda nas exportações. As autoridades pressionam a imprensa e continuam a ameaçar com a prisão aqueles que contestam as políticas do governo, informou o documento.

América Latina e África
Na América Latina, a Anistia aponta que a situação “já crítica” de muitos grupos indígenas pode levar a crises maiores. Na África, a entidade alerta para o aumento do custo de vida por todo o continente, além da repressão. Entre os países em que a piora da economia levou a distúrbios ou ataques aos direitos humanos, são citados Mali, Camarões, Tunísia, Somália, Zimbábue e a África do Sul.

A secretária-geral apontou que os congressistas norte-americanos têm enfocado menos os direitos humanos pelo mundo, pois se concentram mais na economia do país. Porém, ela lembrou que a comunidade de direitos humanos ainda vê com esperança as perspectivas da administração do presidente Barack Obama para a área. “Ignorar uma crise em prol de outra não resolverá nenhuma das duas”, alertou Irene Khan.

Fonte: O Estado de S.Paulo


Combates na Somália provocam superlotação do campo de refugiados

maio 28, 2009

O campo de refugiados de Dadaab, no Quênia, onde vivem 270 mil refugiados somalis, é o maior do mundo e criado há 18 anos como medida de caráter temporária, encontra-se já superlotado e sem condições de atender a todos, mas continua a receber milhares de refugiados adicionais devido aos novos combates na Somália.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR), o campo de refugiados de Dadaab é o maior do mundo e fica no nordeste do Quênia, a cerca de 100 quilômetros da fronteira somali.

Em 1991, Dadaab foi criado para acomodar 90 mil refugiados. Atualmente cerca de 270 mil somalis vivem ali, divididos em três campos. São pessoas que fugiram da guerra e dos problemas no seu país e que agora se encontram num limbo, esperando continuar a sua jornada para algum outro lugar.

Milhares de refugiados chegam a cada semana ao campo. E quando os combates irrompem na capital, Mogadício, ou em outros locais da Somália, conforme ocorreu nesta semana, o fluxo de refugiados para Dadaab pode facilmente dobrar.

Basicamente, Dadaab não é mais um campo de refugiados, mas sim uma cidade. Uma cidade que tem tudo, menos produção industrial. Nela há oficinas mecânicas de automóveis e carpinteiros, centros de saúde e bazares, vendedores de materiais de construção e bordéis.

Os mercados de Dadaab contam com um bom suprimento de produtos como frutas e milho, aparelhos de DVD e os mais recentes modelos de telefones celulares. Segundo estudos, a economia mensal de Dadaab movimenta o equivalente a algo entre 2 milhões dólares à 3 milhões de dólares (1,5 milhão de euros e 2,2 milhões de euros ), e possivelmente mais.

O campo é sustentado pela ajuda estrangeira. As grandes organizações das Nações Unidas, e praticamente todas as organizações internacionais importantes de auxílio humanitário, como a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho, a CARE e a USAID, a Oxfam e a World Vision, estão presentes em Dadaab. Essas organizações são há muito tempo os empregadores mais importantes no campo de refugiados.

Mas agora o campo está a atingir o seu limite, e centenas de refugiados estão acampados ao ar livre e milhares em tendas. Novas áreas não são aprovadas, e qualquer nova choupana construída fora dos limites do campo é imediatamente demolida.

“Se tivéssemos uma interrupção apenas parcial de fornecimento de água, os surtos resultantes da cólera e outras doenças infecciosas resultariam num desastre humanitário”, afirma Yves Horent, director da agência de assistência técnica ECHO, da União Europeia, no Quênia.

Markus Dielinger, director da GTZ, a organização alemã de ajuda técnica, em Dadaab, também está preocupado com a possibilidade de que as condições se possam deteriorar. “Tão logo os combates aumentam de intensidade na Somália, nós recebemos imediatamente centenas de refugiados adicionais. E, agora, devido à estação das chuvas, há um risco elevado de malária”.

Deko, uma mulher somali de 20 anos que fugiu de Mogadício, é uma das pessoas que chegaram recentemente. “Havia combate por toda parte em volta da minha casa”, conta ela. “Quando teve início o fogo pesado de metralhadoras, decidimos partir”. Na confusão da fuga, ela perdeu-se dos pais e irmãos, e decidiu seguir por conta própria para a fronteira somali-queniana.

Após uma semana caminhando e viajando em veículos pelas estradas, Deko chegou a Dadaab. “Estou feliz por me encontrar em um lugar seguro”, afirma a refugiada. “Mas não ficarei aqui por muito tempo, porque desejo encontrar a minha família”.

Isso poderá ser difícil, especialmente devido às dificuldades que os refugiados somalis enfrentam quando se dirigem a Dadaab, conforme está descrito em um relatório divulgado há algumas semanas pela organização Human Rights Watch.

Segundo o relatório, traficantes de seres humanos transportam a maioria dos refugiados através da fronteira, que se encontra encerrada desde 2007. A polícia queniana detém rotineiramente veículos com refugiados na estrada para Dadaab.

Os homens são retirados dos veículos, e as mulheres e crianças só têm permissão para continuar se os policiais receberem propinas substanciais.

Mas há também bastante crueldade nos próprios campos. Nos sete postos policiais do campo, as mulheres correm o risco de serem estupradas. E, caso se recusem a pagar mais propinas, elas podem ser espancadas, expulsas e mandadas de volta à Somália.

Os refugiados que desejam continuar a jornada em direção a Nairóbi têm que comprar uma passagem que já inclui propinas para a polícia. A ponte sobre o Rio Tana perto de Garissa é especialmente conhecida.

Todo veículo que se dirige para Nairóbi tem que cruzar a ponte, onde a polícia queniana montou uma barreira permanente. O posto de polícia fica convenientemente próximo à barreira policial – e ele é uma mina de ouro para os policiais, que normalmente exigem o equivalente a 50 dólares para cada refugiado somali. Quem não for capaz de pagar é preso ou obrigado a dar meia volta.

O campo constitui-se num problema enorme para o Quênia. Está superlotado, e o UNHCR, na tentativa de enviar os somalis para outro lugar, não consegue absorver os novos refugiados.

O cálculo é bem simples. Mesmo se o UNHCR conseguisse abrigar 8.600 refugiados este ano, o campo continuaria a crescer rapidamente. As cidades vizinhas estão a começar a soar o alarme. Os moradores destas cidades estão furiosos porque os campos recebem remessas de alimentos e contam com dezenas de centros de saúde, e também com o facto de tantos poços de água serem perfurados nos campos.

Além disso, a criminalidade está em alta, e os somalis cortaram toda a vegetação num amplo perímetro a volta do campo, com o objetivo de usar madeira e arbustos para cozinhar.

Nem mesmo os refugiados que deixaram o campo ou conseguiram evitá-lo são bem recebidos pelos quenianos. A maioria deles continua em Nairóbi, onde o bairro somali de Eastleigh tornou-se um dos distritos de crescimento mais rápido da cidade.

E como os somalis são extremamente empreendedores, atuando em todos os setores, desde o comércio até o mercado imobiliário, os quenianos sentem cada vez mais inveja desses recém-chegados que exibem grande capacidade de adaptação.

Para aliviar o problema, o governo em Nairóbi gostaria de construir um novo campo para refugiados somalis a 1.500 quilômetros de distância, em Kakuma, perto da fronteira sudanesa. Refugiados do Sudão já se encontram acampados na área, e os quenianos gostariam de mandar para lá 50 mil moradores de Dadaab, além de enviar todos os recém-chegados diretamente para Kakuma.

Mas os desafios logísticos são enormes, o que poderia acabar inviabilizando o projeto.

Num apelo urgente feito alguns dias , os 14 maiores doadores de Dadaab, incluindo os Estados Unidos, o Japão, o Reino Unido e a Alemanha, criticaram duramente os planos do governo. Citando iniciativas para “intervenção urgente”, eles defenderam a construção de um quarto novo campo em Dadaab.

“Estamos alarmados com o rápido declínio do padrão de vida e a dificuldade cada vez maior de acesso aos serviços básicos, como água, instalações sanitárias e abrigos”, diz o documento dos 14 países.

“As chuvas atuais estão a fazer com que a agência de refugiados das Nações Unidas não consiga dar conta do problema, e poderão gerar epidemias, a destruição de construções e a perda inaceitável de vidas humanas”. Há uma “necessidade urgente” de ajuda.

Os países que fazem o apelo querem que o governo do Quênia disponibilize 2.000 hectares de terras que já foram aprovadas pelos governadores do distrito.

Segundo a carta dos doadores, a superpopulação nos campos existentes poderia provocar um surto de cólera e tensões crescentes entre os refugiados e os moradores das pequenas cidades ao redor.

O embaixador alemão Walter Lindner assinou o apelo porque “algo precisa acontecer”. Mas outros que assinaram o documento advertem: “Não podemos sobrecarregar os quenianos”.

As lutas voltaram a irromper na Somália, o governo do Quênia está perplexo e os doadores estão a tentar assumir o controle sobre uma sombria situação política na qual são investidos milhões de dólares em doações.

Enquanto isso, o refugiado Hajir continua esperando. “Eu nunca pensei que ficaria aqui por tanto tempo”, afirma ele. “Estou muito desapontado com o meu país. Não há esperança de retornar. Na verdade, a minha única chance é ir para um outro país, como o Canadá ou os Estados Unidos’.

Muitos em Dadaab têm esperanças similares.

Fonte: Angola Press


Debate sobre Anistia para Imigrantes em São Paulo

maio 27, 2009

Anistia para Imigrantes é tema de debate entre autoridades, especialistas em imigração e sociedade em São Paulo.

A aprovação da Projeto de Lei da Anistia para Imigrantes – PL 1.664, é o tema do “Debate sobre a Anistia no Brasil”. O evento acontecerá no dia 2 de junho (terça-feira), às 19 horas, no Shopping D – Piso G3, em São Paulo.

O debate, coordenado pela Rede de Comunicação para Anistia em São Paulo e patrocinado pelo Banco Rendimento, tem como objetivo esclarecer as dúvidas da sociedade em relação ao projeto de lei, que deve ser aprovado e sancionado no primeiro semestre de 2009.

Com essa iniciativa, a Rede de Comunicação para Anistia em São Paulo visa promover a discussão desse assunto de forma democrática e dialógica com os estrangeiros, a sociedade civil e órgãos representativos do governo brasileiro.

O tema tem gerado expectativas em meio aos imigrantes indocumentados que residem em São Paulo e aguardam pela anistia para regularizarem suas situações no País. Uma vez legalizados, cerca de 40 mil estrangeiros poderão iniciar uma nova etapa de vida no Brasil.

Os palestrantes e debatedores desse evento são:

• Representantes do Ministério da Justiça e da Prefeitura de São Paulo
• Dr. José Gregori, Secretário Especial de Direitos Humanos, presidente da CMDH – Comissão
Municipal de Direitos Humanos de São Paulo e presidente do Comitê Paulista para Imigrantes e
Refugiados
• Dra. Ruth Camacho Kadluba, advogada especialista em imigração
• Roque Patussi, especialista em imigração

Evento: “Debate sobre a Anistia no Brasil”
Data e horário: 2 de junho (terça-feira), às 19 horas
Local: Shopping D – Piso G3, à Av. Cruzeiro do Sul, 1.100, São Paulo
Entrada Gratuita


A Rede de Comunicação para Anistia em São Paulo é composta pelo IDDAB – Instituto do Desenvolvimento da Diáspora Africana no Brasil, Refugees United, Cibernarium-Vit@lisBrasil, Associação Folclórica Bolívia-Brasil, ANEIB – Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil, Centro Pastoral dos Migrantes e Arsenal da Esperança.

Refugees United


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