O ministro italiano para as Políticas Europeias, Andrea Ronchi, afirmou que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) precisa “pedir desculpas à Itália” pelas “pesadas acusações” contra a política imigratória do país.
“O que me deixa mais perplexo é que o Acnur emitiu um comunicado sem nenhuma verificação preventiva com as autoridades italianas sobre as versões contadas”, disse o ministro.
O Acnur enviou hoje uma carta ao governo italiano pedindo esclarecimentos sobre o tratamento dado às pessoas que tentam entrar na Itália por via marítima, mas são interceptadas e encaminhadas à Líbia, onde permanecem em centros de detenção.
Segundo o porta-voz da entidade, Ron Redmond, o Acnur entrevistou imigrantes repatriados, sendo que alguns relataram uso de força por parte dos militares italianos durante a viagem até a Líbia, além do confisco de pertences pessoais, inclusive documentos.
“Trata-se de acusações falsas, demagógicas, ofensivas e repugnantes que ofendem nossas Forças Armadas, as quais mostram ao mundo todos os dias a sua moralidade, dedicação, humanidade, competência e sacrifício”, defendeu Ronchi.
Em maio deste ano, a Itália adotou uma nova política de imigração, a qual repatria pessoas em alto mar antes que elas pisem em solo italiano e peçam asilo. Ao menos 900 imigrantes já foram enviados a outros países, principalmente à Líbia.
A medida foi criada após a assinatura de acordos entre Líbia e Itália, em março, que prevê cooperações no setor energético e no controle da imigração ilegal.
Segundo o tratado, a Líbia se compromete em combater o terrorismo, o crime organizado, o narcotráfico e a imigração ilegal e, em troca, a Itália dará ao país US$ 5 bilhões nos próximos 25 anos.
Segundo dados do comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), mais de 67 mil imigrantes ilegais chegaram à Europa por vias marítimas em 2008, dos quais 36 mil desembarcaram na Itália.
De acordo com o Ministério do Interior italiano, o desembarque de imigrantes clandestinos durante o ano passado foi quase 75% maior do que o registrado em 2007.
Fonte: Ansalatina

