UE pedirá explicações à Itália por repatriação de imigrantes

agosto 31, 2009

A Comissão da União Europeia pedirá esclarecimentos às autoridades de Itália e Malta sobre a embarcação que levava 75 imigrantes no último domingo, que foi interceptada nas costas da Sicília e reenviada à Líbia.

A repatriação à Líbia é realizada pela Itália desde o último ano, quando os dois países firmaram um tratado de cooperação. Em troca de ajuda financeira, o governo líbio se comprometeu a repatriar imigrantes clandestinos.

Segundo anunciou Dennis Abbott, um dos porta-vozes do Executivo da UE, este pedido não significa que o bloco está “acusando” seus estados-membros, mas que está analisando o problema.

“Todo ser humano tem o direito de pedir proteção internacional ou o status de refugiado”, disse Abbott sobre a necessidade de se distribuir entre os membros do bloco europeu o peso da administração e o aumento da cooperação entre as nações.

Nesse sentido, na próxima quarta-feira, o vice-presidente da Comissão Europeia, Jacques Barrot, apresentará uma proposta de redistribuição dos refugiados.

Com esta iniciativa, explicou Abbott, a comissão buscará definir um marco legal para o ingresso de pessoas que estejam refugiadas em países terceiros.

“Talvez com um programa de redistribuição de refugiados, estas pessoas não dariam todos seus investimentos a traficantes sem escrúpulos para atravessar o mar em balsas inseguras”, observou.

O representante europeu disse ainda que “o principal objetivo da comissão é fazer o possível para evitar tragédias como as das últimas semanas e a perda de vidas humanas”. Na semana passada, mais de 70 pessoas morreram em uma embarcação que permaneceu à deriva no canal da Sicília.

Segundo denunciaram os cinco sobreviventes, eles não foram auxiliados e o bote naufragou. Eles foram resgatados por autoridades da Guarda Costeira italiana.

Fonte: Ansa Latina


Pequim pede à Birmânia que “trate de forma adequada os seus problemas internos e mantenha a estabilidade”

agosto 30, 2009

Refugiados da etnia kokgan esperam na fronteira para serem colocados em abrigos temporários (Foto: Reuters)

Refugiados da etnia kokgan esperam na fronteira para serem colocados em abrigos temporários (Foto: Reuters)


A forma dura como a Birmânia procurou nos últimos dias esmagar milícias étnicas junto à fronteira com a China levou o mais importante aliado do país, Pequim, a tomar a atitude rara de lhe recomendar que “resolva de forma adequada os seus problemas internos”, conta hoje o “Financial Times”.

Homens que dizem combater o Governo birmanês e terem travado contra as suas tropas uma série de combates ao longo da última semana acabaram por entrar hoje na China, onde se queixaram da queda do enclave da etnia kokang e disseram temer pelo futuro da sua velha autonomia.

Alguns dos refugiados contaram, de acordo com a Reuters, que a milícia kokang designada por Exército da Aliança Democrática Nacional Myanmar foi claramente derrotada pelas tropas birmanesas, pelo que dezenas de milhares de pessoas têm procurado passar para a província chinesa de Yunnan.

Os combates desta última semana quebraram um cessar-fogo que o Governo e a milícia tinham assinado há mais de 20 anos, e ameaçam esmagar as reivindicações autonomistas que aquele grupo étnico tem há já seis décadas.

Os soldados birmaneses ocuparam Lougai, capital do território kokang, no Nordeste do país; e o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros pediu à Birmânia que “mantenha a estabilidade na região fronteiriça”.

Pequim também pediu à junta militar que “proteja a segurança e os direitos legais dos cidadãos chineses na Birmânia”.

Kitty McKinsey, do alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, disse ter notícias de que 10.000 a 30.000 pessoas passaram a fronteira e entraram na China, onde as autoridades estabeleceram um acampamento para refugiados

na cidade de Nansan.

A milícia kokang é um dos 17 exércitos de base étnica que assinaram acordos de cessar-fogo com o regime militar birmanês, acordos esses que estão agora a ser postos em causa numa altura em que se prevêem eleições gerais para o próximo ano e em que a junta quer transformar as milícias em unidades de guarda fronteiriça, sob o comando das Forças Armadas nacionais.

O International Crisis Group, com base em Bruxelas, já disse que os planos do Governo birmanês reduzem substancialmente a autonomia das minorias étnicas.

Apesar de Pequim ser o principal protector internacional da junta, também mantém laços com uma série de enclaves, havendo nas zonas fronteiriças muitos chineses envolvidos no comércio de pedras preciosas, madeiras e jade.

Fonte: Público


Revolta dos grupos étnicos de Mianmar se intensifica na fronteira chinesa

agosto 29, 2009

Revolta dos grupos étnicos de Mianmar se intensifica na fronteira chinesa

Revolta dos grupos étnicos de Mianmar se intensifica na fronteira chinesa


O conflito entre as minorias étnicas de Mianmar (antiga Birmânia) e as tropas do regime militar continuou neste sábado na fronteira com a China, onde já morreram pelo menos quatro pessoas e várias dezenas de milhares fugiram de casa.

Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas na sexta-feira na província chinesa de Yunnan, devido à explosão de um projétil lançado de território birmanês, informou hoje o jornal estatal “China Daily”.

Além disso, o número de deslocados instalados na China já chega a 30 mil pessoas, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

A maior parte dos deslocados pertence à etnia de origem chinesa kokang e começou sua fuga na segunda-feira, depois que os soldados do Governo tomaram a cidade de Laogai e a guerrilha anunciou aos habitantes que estes deviam estar “preparados a qualquer momento”.

As localidades chinesas de Nansan e Genma receberam a maior parte dos deslocados, em uma avalanche que levou o Governo de Pequim a pedir a seu vizinho que proteja as fronteiras.

A guerrilha kokang, agrupada sob o nome de Exército da Aliança Nacional Democrática de Mianmar, indicou, em comunicado, que pelo menos 30 pessoas morreram nos confrontos, mas esta informação não foi confirmada por outras fontes.

O Exército kokang é liderado por Peng Jiasheng, um dos maiores narcotraficantes de Mianmar e até há pouco tempo protegido da Junta Militar birmanesa.

A escalada da tensão entre a guerrilha da etnia kokang e as tropas do Governo começou no início de agosto, quando os soldados invadiram uma das casas de Jiasheng para detâ-lo sob a acusação de dirigir o tráfico de drogas na região, da qual procede grande parte dos carregamentos de heroína e metanfetaminas que entram na China e Tailândia.

Jiasheng é sogro de Li Mingxian, um dos homens mais ricos da região e chefe da guerrilha conhecida como Grupo de Mong La, que soma cerca de 20 mil combatentes junto ao Exército do Estado Unido Wa.

“Estes confrontos vão gerar um conflito em grande escala”, disse Aung Zaw, exilado político birmanês, sobre a luta entre os três grupos guerrilheiros e os 7 mil soldados birmaneses mobilizados no estado.

O Governo central raramente exerceu sua autoridade sobre as áreas controladas pelas milícias étnicas desde que assinou o cessar-fogo, há duas décadas, mas começou a hostilizá-las em meados deste ano, depois que se recusaram a se integrar no Exército ou se transformar em partidos políticos antes do pleito de 2010.

O conflito no remoto estado de Shan, na fronteira com a China, começou na quarta-feira e se repetiu ontem, deixando pelo menos três mortos, segundo informações de moradores por telefone publicadas na imprensa local.

Os combatentes kokang quebraram o cessar-fogo oficialmente na quinta-feira, após conseguir o apoio dos guerrilheiros da etnia Wa e do Grupo Mong La.

Os enfrentamentos no montanhoso estado de Shan ocorrem depois dos travados na semana passada no norte de Mianmar, depois que a guerrilha da etnia kachin também decidiu romper o cessar-fogo estabelecido em 1991, após rejeitar a ordem do Governo de depor as armas e formar um partido político.

Em julho, as tropas birmanesas aumentaram seus ataques às guerrilhas karen, shan e karenni, que aderiram à luta armada há meio século para conseguir a autonomia ou a independência dos territórios fronteiriços com a Tailândia.

Estes confrontos colocaram em risco a estabilidade da região, alcançada há duas décadas, graças ao cessar-fogo definido com o Governo por mais de dez grupos armados.

“Se as tropas governamentais continuarem enviando reforços a estas áreas, acontecerá um banho de sangue”, disse ontem Aung Kyaw Zaw, ex-oficial das forças do Partido Comunista de Mianmar, cuja dissolução provocou o alistamento de muitos de seus membros nas guerrilhas, há duas décadas.

Os grupos armados das minorias étnicas contam com guerrilhas bem provistas de armamento, milhares de guerrilheiros e experiência militar, além de controlar lucrativos negócios na fronteira, como cassinos, comércio madeireiro e tráfico de drogas.

Fonte: European Pressphoto Agency


Guerra e família ficam para trás quando jovens afegãos buscam nova vida na Europa

agosto 28, 2009

No final da fila da sopa do Exército da Salvação em Paris, um afável menino afegão contava recentemente a história de como chegou à Europa sozinho.

O menino, que disse ter 15 anos mas parecia mais jovem, recontou como passou dois meses trabalhando 11 horas por dia em uma fábrica de roupas que explora os empregados em Istambul.

Depois ele foi contrabandeado para a Grécia, onde foi forçado a trabalhar em uma fazenda de batatas e cebolas perto de Agros durante nove meses, finalmente fugindo na parte de trás de um caminhão. Ele chegou a Paris de trem, depois de quase um ano na estrada.

“Eu quero ir para a escola”, ele disse em inglês. “Eu gostaria, se pudesse (apesar disso soar muito a se pedir), de ser engenheiro da computação”.

Milhares de meninos afegãos solitários estão atravessando a Europa, uma tendência que aumentou nos últimos dois anos conforme as condições para refugiados afegãos se tornam mais difíceis em países como Irã e Paquistão.

Os meninos representam um desafio para países europeus, muitos dos quais enviaram tropas para lutar no Afeganistão mas cujo público questiona os motivos da guerra.

Na Itália, 24 adolescentes afegãos foram encontrados dormindo em um esgoto de Roma nesta primavera e no ano passado dois adolescentes morreram em portos italianos.

Na Grécia, que diz estar sobrecarregada por pedidos de asilo político de muitos países, não há nenhum sistema de adoção para menores estrangeiros; apenas 300 podem ser alojados em todo o país, dizem os oficiais.

E em Paris este ano, os afegãos pela primeira vez excederam em número os africanos subsaarianos como maior grupo de menores desacompanhados que pedem admissão em serviços de proteção aos menores, disse Charlotte Aveline, conselheira sênior de proteção à criança da Prefeitura local.

“Alguns chegam muito batidos, muito cansados, mas quando são bem tratados por uma semana se tornam adolescentes de novo”, disse Jean-Michel do centro Exiles10, uma organização de cidadãos que trabalham com migrantes principalmente afegãos que se reúnem ao redor da Praça Villemin, perto da Gare de l’Est.

Blanche Tax, oficial de política sênior do Alto Comissariado da ONU para Refugiados em Bruxelas, disse que no ano passado 3,090 menores afegãos pediram asilo na Áustria, Grã-Bretanha, Dinamarca, Noruega, Suécia e Alemanha (países da União europeia onde seus números aumentaram nitidamente) mais do que o dobro dos 1,489 pedidos nesses países em 2007.

Fonte: Último Segundo


Sobreviventes de ataque na RDC falam sobre violência

agosto 28, 2009

Na República Democrática do Congo, milhares de pessoas vivem nas florestas com pouca comida e sem assistência de saúde para fugir dos grupos armados


Milhares de pessoas estão vivendo nas florestas com pouca comida e assistência de saúde, sem que, na maioria das vezes, as organizações de saúde tenham como chegar a elas. Mesmo nas áreas mais seguras onde os deslocados internos se congregaram, a resposta humanitária tem sido insuficiente. O sistema de saúde está em colapso e a maioria das atividades médicas teve de ser suspensa devido à falta de segurança.

Várias equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão trabalhando na região, oferecendo assistência emergencial e atendimento médico gratuito, incluindo um projeto na cidade de Dungu. As atividades incluem cirurgia, atendimento nutricional, saúde mental, apoio às vítimas de violência sexual e cuidados de saúde primários em dois centros de saúde. Metade da população de Dungu, estimada em 45 mil pessoas, é formada por indivíduos que tiveram de fugir de suas cidades natais devido à violência.

Na segunda-feira passada, a equipe de MSF em Dungu realizou um resgate aéreo, para buscar três sobreviventes de um ataque horrível ocorrido cinco dias antes em um vilarejo perto de Bangadi, que fica a cem quilômetros ao nordeste de Dungu. Ainda não é conhecido o número de moradores que morreram no ataque. A coordenadora de terreno de MSF, Claire Debard, organizou uma transferência médica e teve a oportunidade de falar com três sobreviventes.

Segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Na tarde do dia 17 de agosto, a equipe de MSF levou os três feridos que conseguiram escapar do ataque realizado por um grupo armado perto de Bangadi. O resgate aéreo havia sido planejado para o dia anterior, mas devido ao mau tempo o avião não pôde decolar.

Foi apenas às 15h do dia 17 que o médico de MSF conseguiu realizar o resgate. Ele voltou às 17h com dois homens e uma mulher, todos com por volta de 60 anos de idade. Eles tinham machucados visíveis nos joelhos e estavam muito fracos. MSF levou-os ao Hospital Geral de Dungu, onde uma equipe médica esperava por eles.

Os pacientes apresentavam ferimentos graves, incluindo duas fraturas abertas e uma fechada nas pernas, que necessitavam de cirurgia médica. Após o atendimento médico, dois dos pacientes deram seus testemunhos:

“Moro em um vilarejo localizado a quatro quilômetros de Bangadi com a minha esposa, nossa filha de cinco anos de idade e meu irmão mais velho. O chefe do nosso vilarejo disse para nós partirmos no início de agosto e para nos mudarmos para Bangadi porque os grupos armados estavam por perto e ele não podia garantir a nossa segurança.

Infelizmente, após alguns dias em Bangadi, não tínhamos mais comida e a situação estava ficando muito difícil. Foi por isso que, no dia 12 de agosto, nós decidimos voltar para nosso vilarejo para conseguir alimentos. Quando chegamos, cinco homens armados nos surpreenderam. Eles estavam acompanhados por três reféns, incluindo uma mulher que traduzia o que diziam. Eles amarraram nossas mãos e nos levaram para a floresta. No dia seguinte, levaram a minha filhinha para o vilarejo, porque queriam encontrar frango e amendoins. Eles voltaram sem ela, trouxeram apenas a corda que usaram para amarrá-la. Ela estava morta.

Eles disseram que não iam nos matar, mas que precisávamos voltar para o vilarejo com eles. Quando chegamos lá, eles disseram que roubariam nossa comida e que bateriam em nós. E foi o que fizeram: golpearam nossas pernas, joelhos e correram para se esconder na floresta, nos deixando abandonados. Passamos à noite jogados no chão.

Na segunda-feira de manhã, decidi que deveria fazer alguma coisa e fui me arrastando até o outro vilarejo, Yamba, a dois quilômetros de onde eu estava. Consegui chegar até lá e os moradores foram procurar ajuda em Bangadi. Eu e minha mulher fomos levados para lá de bicicleta. Meu irmão teve de ser transportado em uma maca porque não conseguia ficar sentado na bicicleta.

Fonte: Médicos Sem Fronteiras


Stefan Telöken, porta-voz do Alto Comissariado da ONU, União Européia poderia fazer mais por refugiados

agosto 28, 2009

No primeiro semestre de 2009, o total de refugiados que chegaram à Europa pelo caminho marítimo diminuiu. Porta-voz da agência da ONU para os Refugiados Acnur explicou à Deutsche Welle as razões do decréscimo.

Em entrevista à Deutsche Welle, o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), Stefan Telöken, enunciou as razões que explicam por que, hoje, o número de requerentes de asilo na União Europeia (UE) é bem menor do que na década de 1990.

Deutsche Welle: Cerca de 15.700 refugiados foram contados pela Agência da ONU para os Refugiados no primeiro semestre de 2009. Esse número representa menos de um quarto dos refugiados registrados em 2008. Trata-se de uma tendência positiva?

Stefan Telöken: Isso depende de vários fatores. Por um lado, a política de diferentes Estados de conter os boatpeople [refugiados que chegam em barcos] nas fronteiras externas da União Europeia mostrou resultados. Isso é válido para a Espanha em relação aos países da África Ocidental e para a Itália em relação à Líbia.

Esse deve realmente ser um dos motivos. O outro pode estar na economia – mesmo que não tenhamos alusões explícitas à situação econômica. Talvez devido à crise, aquelas pessoas que tentariam encontrar trabalho na Europa se abstenham de fazer a perigosa travessia marítima para o continente.

Apesar disso, muitas pessoas ainda se põem a caminho da Europa?

De maneira geral, persiste a questão do abismo entre o Primeiro e o Terceiro Mundo, naturalmente. É bem possível que esse abismo se torne ainda mais profundo. No entanto, é preciso ser dito que, apesar de a tragédia dos refugiados marítimos ainda estar, justificadamente, bastante presente entre nós, comparando com o número total de pessoas que vêm para a Europa, comparando, sobretudo, com a quantidade de refugiados que chega ao continente, o número dos provenientes de países africanos é muito pequeno. E a quantidade de refugiados que chegam de barco é, também, antes pequena, em comparação. A maioria das pessoas foge pelas fronteiras terrestres.

A Itália continua sendo o principal país de destino dos boatpeople. No entanto, o acordo entre a Itália e a Líbia dificultou a evasão. O que está por trás disso?

Em junho último, Itália e Líbia assinaram um acordo estipulando que pessoas resgatadas por navios italianos na costa da Itália sejam levadas para a Líbia, caso fique claro que seus barcos partiram de lá. Assim, nesse meio tempo já foram devolvidos à Líbia até mesmo vários navios.

Nesses casos, nossa preocupação gira em torno das pessoas que procuram proteção, que precisam de asilo – e que são uma parcela nada pequena dos que tentam chegar à Europa através do Mediterrâneo. Elas não têm qualquer possibilidade de se asilar na Líbia. O país não possui um sistema de asilo, não assinou a Convenção de Genebra relativa ao Estatuto dos Refugiados, e a Acnur tem ali somente acesso restrito aos refugiados ou aos que procuram proteção.

Até o momento, os processos de asilo são regulamentados de formas distintas dentro da UE. Que vantagens traria uma regulação europeia única e como esta deveria ser?

A harmonização dos processos de asilo não está apenas iniciando, ela já se encontra em sua terceira fase. No entanto, ainda estamos bem longe de obter regras comuns para a UE. Temos diretivas e critérios comuns, que ficam, todavia, só no papel, na prática a situação é bem diferente. Alguns Estados apresentam uma quota elevada de concessão de asilo para refugiados de certos países, como o Iraque, por exemplo. Em outros, essa quota é muito baixa, o que é o caso da Grécia. Em certos países, existe um sistema de asilo eficaz, em outros – veja-se a Grécia – ele só existe no papel.

Assim, um objetivo essencial é que se chegue, nos próximos anos, a um padrão de proteção na UE: mais qualidade nos processos de asilo e mais solidariedade interna, mas também externa, no que tange à União Europeia. Essas são as duas peças fundamentais que deverão formar o futuro sistema de asilo da UE.

O senhor acha que vai funcionar?

Trata-se de um processo demorado que sofre vários reveses. E se observarmos agora os acontecimentos mais recentes, no Mediterrâneo, por exemplo, então há motivos para ceticismo. No tocante à harmonização das leis de asilo – e esta é uma observação crítica –, a meta continua sendo apenas alcançar um mínimo denominador comum, sempre que possível.

Mas existem também alguns progressos. Com vista à solidariedade internacional dos países-membros da UE, seria importante, por exemplo, criar programas de reassentamento, na União Europeia, de refugiados provenientes de terceiros países. Na UE, não existem mais do que esboços de tais programas. Nos EUA, Austrália, Canadá, por exemplo, eles são numerosos. Seria necessário o bloco europeu fazer mais nesse sentido.

O porta-voz da Comissão Europeia, Johannes Leitenberger, declarou, no começo do ano, que a política da Comissão seria organizar a solidariedade. O senhor acha que isso pode funcionar?

É preciso considerar a situação dos países-membros situados nos extremos geográficos da UE, que enfrentam um desafio especial. Penso especialmente em Malta, que, em proporção ao tamanho de sua população, acolheu um grande número de asilados.

Existem esforços por parte de outros países para aliviar a carga que recai sobre Malta, dividir a responsabilidade. Há diversos Estados que, dispondo de um sistema de asilo eficiente, são francamente capazes de dar conta do total dos requerentes de asilo e, sobretudo, de garantir proteção aos que a merecem.

Não devemos esquecer que o número de pedidos de asilo em toda a UE é bem menor do que nos anos 90. Na ocasião, havia 750 mil requerentes de asilo, agora são um pouco mais de 200 mil. Existem situações de crise que necessitam de análise; mas, de maneira geral, a UE certamente não ficará sobrecarregada em ajudar os que precisam de proteção.

Fonte: Jornal Feira Hoje


Balcãs continuam a viver drama após 15 anos do fim da guerra

agosto 27, 2009

O alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, encontra-se nesta quinta-feira em Belgrado, capital da Sérvia, em função de uma visita aos Balcãs dedicada ao problema dos refugiados de guerra na região.

Após passar por Zagreb e Sarajevo, Guterres tem agendados na capital sérvia encontros com o presidente Boris Tadic e com vários membros do Governo e ativistas da causa dos refugiados, como o famoso jogador de basquete Vlade Divac. Além disso, ele vai visitar um centro de refugiados.

Apesar dos progressos realizados nos 15 anos decorridos desde o final da guerra na Bósnia, o problema assume ainda uma dimensão dramática nos Balcãs, sendo a Sérvia o país da Europa com a maior população de refugiados e deslocados pela guerra.

Em novembro de 1995, no momento da assinatura dos acordos de Dayton, perto de metade da população da Bósnia-Herzegovina tinha sido condenada pelos quatro anos de guerra à condição de refugiado ou de IDP (deslocados internos).

Desde então, mais de um milhão de refugiados regressaram às duas entidades que integram a Bósnia – a Federação Croato-muçulmana e a Republika Srpska.

Os progressos registrados – fruto dos acordos de Dayton, dos compromissos de cooperação assumidos pela Bósnia, Croácia, Sérvia e Montenegro -, têm sido lentos. Atualmente, existem mais de 300 mil refugiados na região.

Situação crítica
O problema assume uma dimensão particular no caso sérvio. O país chegou a ter, depois do conflito da Bósnia e dos ataques croatas à Eslovênia e à Krajina, em 1995, mais de 500 mil refugiados. A estes se juntariam depois mais de 200 mil deslocados pelo conflito no Kosovo.

Porém, o problema continua a colocar-se em relação à população expulsa pelas ofensivas croatas em 1995, e que representa mais de 75% dos 97 mil refugiados oficialmente registrados na Sérvia.

O problema do regresso da população sérvia à Croácia tem-se revelado problemático e apenas 18% dos refugiados da Krajina voltaram às suas terras de origem.

O Governo de Zagreb tem multiplicado obstáculos ao regresso dos refugiados sérvios, e em particular no que toca à recuperação de propriedades e terrenos agrícolas pelos seus antigos proprietários.

Sigilo
A Croácia mantém em sigilo uma lista de sérvios acusados de crimes de guerra, situação de representa um fator que desestimula os candidatos ao regresso. Fora isso, têm-se registrado casos de ataques a sérvios regressados bem como a templos e cemitérios ortodoxos.

Apesar dos avanços registrados na integração dessas pessoas, e dos apoios do Alto Comissariado para os Refugiados e da UE, António Guterres depara na Sérvia com uma situação complexa.

Segundo um estudo realizado no ano passado com o apoio do Alto Comissariado, a taxa de desemprego entre os refugiados é 33%. Esse patamar é significativamente mais alto do que a população local. Cerca de 30% dos refugiados vive com um rendimento mensal de menos de 48 euros, e 61% ainda esperam uma habitação.

Fonte: Agência Lusa


Civis fogem dos rebeldes LRA

agosto 26, 2009

Pânico e terror na região fronteiriça com a República Democrática do Congo e a República Centro Africana. Nações Unidas suspenderam ações humanitárias

Novos ataques dos rebeldes do Exército de resistência do Senhor (LRA) no sul do Sudão forçaram centenas de pessoas a abandonar as suas casas e a fugir para a floresta. De acordo com o responsável das Nações Unidas (ONU), aumentaram as necessidades de ajuda humanitária. Em certas zonas tornou-se impossível socorrer situações de desespero e sofrimento. Em 13 de agosto, diversos operadores humanitários tiveram de ser evacuados de helicóptero.

Os rebeldes terão planeado os seus ataques em coincidência com a celebração de atos religiosos de modo a mais facilmente assaltarem as casas e raptar crianças. A agência da ONU para os refugiados (ACNUR) mostra-se “muito preocupada com o destino de numerosos refugiados e de pessoas deslocadas no interior do país, em consequência dos últimos ataques a várias aldeias junto da fronteira”.

Andrej Mahecic, porta-voz do ACNUR, afirmou que muitas destas pessoas em fuga tinham já sido expulsas de suas casas devido a ataques anteirores. O LRA “continua a devastar” a região e “o número de refugiados e de pessoas deslocadas continua a aumentar regularmente”, explicou Lise Grande, coordenadora humanitária adjunta da ONU no sul do Sudão. Cerca de 200 pessoas foram mortas pelos rebeldes desde o fim de julho naquela zona, acrescentou Lise Grande.

Fonte: Fátima Missionária


Alto comissário da ONU lembra trabalho de Ted Kennedy pelos refugiados

agosto 26, 2009

O alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, destacou hoje o trabalho do senador americano Edward Kennedy, que morreu na terça-feira à noite em consequência de um câncer cerebral, a favor dos refugiados e das pessoas mais desfavorecidas.

“Ano após ano, conflito após conflito, Kennedy manteve a situação dos refugiados na agenda política nacional e internacional, promovendo ações e leis que salvaram inumeráveis vidas”, lembrou.

No mesmo sentido, Guterres explicou que, “durante sua vida, Kennedy foi um “incansável advogado dos refugiados” e “das pessoas mais vulneráveis”, e que “seus esforços beneficiaram milhões de pessoas que tiveram que buscar refúgio e proteção longe de seus lares”.

O alto comissário também disse que, “nas quase cinco décadas em que foi senador dos Estados Unidos, Kennedy lutou para que a legislação garantisse um melhor tratamento aos refugiados e solicitantes de asilo”.

Fonte: Último Segundo


Julgamento de Cesare Battisti está previsto para setembro, informa STF

agosto 25, 2009

O Supremo Tribunal Federal (STF) informou nesta terça-feira que o julgamento do pedido de extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, de 52 anos, está previsto para acontecer no dia 9 de setembro, às 9h. Battisti foi condenado à prisão perpétua em seu país por crimes cometidos entre 1977 e 1979, quando era integrante do grupo “Proletários Armados pelo Comunismo” (PAC).

Battisti foi condenado à prisão perpétua (Foto: AP)

Battisti foi condenado à prisão perpétua (Foto: AP)


O ex-ativista é acusado de ser o responsável pelas mortes de quatro pessoas durante os anos de chumbo da Itália, quando militantes de esquerda se armaram para combater o governo.

De acordo com o STF, durante o julgamento, os ministros do Supremo irão decidir se autorizam ou não a extradição de Cesare Battisti para seu país.

Para tal, deverá ser levado em conta o refúgio político concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, ao ex-ativista em janeiro deste ano.

Na audiência, o Supremo deverá avaliar se a concessão do refúgio anula ou não o pedido de extradição apresentado pela Itália.

Battisti foi preso no Rio de Janeiro em março de 2007, em uma operação que contou com a participação da Interpol e das polícias da Itália, do Brasil e da França. Desde então, o italiano está preso na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal.

Pedido
Membros do grupo brasileiro de apoio ao italiano Cesare Battisti exigiram nesta terça-feira do presidente do STF, Gilmar Mendes, a libertação “imediata” do ex-membro da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

“Dissemos ao ministro Mendes que Battisti tem que ser liberado já”, disse a militante e ex-presa política Rosa Fonseca.

Fonseca e Maria Luiza Fontenele, ex-prefeita de Fortaleza, Ceará, se reuniram nesta terça-feira com Mendes. “Na conversa Mendes no disse que o caso de Cesare será julgado em 9 de setembro”, contou a militante.

Fonte: Último Segundo


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