Pequim pede à Birmânia que “trate de forma adequada os seus problemas internos e mantenha a estabilidade”

Refugiados da etnia kokgan esperam na fronteira para serem colocados em abrigos temporários (Foto: Reuters)

Refugiados da etnia kokgan esperam na fronteira para serem colocados em abrigos temporários (Foto: Reuters)


A forma dura como a Birmânia procurou nos últimos dias esmagar milícias étnicas junto à fronteira com a China levou o mais importante aliado do país, Pequim, a tomar a atitude rara de lhe recomendar que “resolva de forma adequada os seus problemas internos”, conta hoje o “Financial Times”.

Homens que dizem combater o Governo birmanês e terem travado contra as suas tropas uma série de combates ao longo da última semana acabaram por entrar hoje na China, onde se queixaram da queda do enclave da etnia kokang e disseram temer pelo futuro da sua velha autonomia.

Alguns dos refugiados contaram, de acordo com a Reuters, que a milícia kokang designada por Exército da Aliança Democrática Nacional Myanmar foi claramente derrotada pelas tropas birmanesas, pelo que dezenas de milhares de pessoas têm procurado passar para a província chinesa de Yunnan.

Os combates desta última semana quebraram um cessar-fogo que o Governo e a milícia tinham assinado há mais de 20 anos, e ameaçam esmagar as reivindicações autonomistas que aquele grupo étnico tem há já seis décadas.

Os soldados birmaneses ocuparam Lougai, capital do território kokang, no Nordeste do país; e o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros pediu à Birmânia que “mantenha a estabilidade na região fronteiriça”.

Pequim também pediu à junta militar que “proteja a segurança e os direitos legais dos cidadãos chineses na Birmânia”.

Kitty McKinsey, do alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, disse ter notícias de que 10.000 a 30.000 pessoas passaram a fronteira e entraram na China, onde as autoridades estabeleceram um acampamento para refugiados

na cidade de Nansan.

A milícia kokang é um dos 17 exércitos de base étnica que assinaram acordos de cessar-fogo com o regime militar birmanês, acordos esses que estão agora a ser postos em causa numa altura em que se prevêem eleições gerais para o próximo ano e em que a junta quer transformar as milícias em unidades de guarda fronteiriça, sob o comando das Forças Armadas nacionais.

O International Crisis Group, com base em Bruxelas, já disse que os planos do Governo birmanês reduzem substancialmente a autonomia das minorias étnicas.

Apesar de Pequim ser o principal protector internacional da junta, também mantém laços com uma série de enclaves, havendo nas zonas fronteiriças muitos chineses envolvidos no comércio de pedras preciosas, madeiras e jade.

Fonte: Público

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