Progresso imparável nas áreas sociais

dezembro 31, 2009

O ano de 2009 está a passar à história. Para a posteridade ficam muitos fatos marcantes. Para os angolanos, socialmente, o ano foi marcado por grandes progressos. O país continuou a registar notáveis avanços no domínio da reconstrução nacional. No âmbito do programa de melhoria e aumento da oferta de serviços sociais básicos para a população, novas escolas, estradas e hospitais foram construídos ou reabilitados.

O país, livre das agruras da guerra há quase oito anos, está a ser erguido.

O esforço de reconstrução nacional está a consumir enormes recursos materiais e financeiros. A cada ano que passa, melhora a circulação de pessoas e bens, mercê da oferta de novos meios de transporte e da construção e reabilitação de estradas, pontes, portos, estradas de ferro e aeroportos. Angola regista também um grande aumento de escolas, o que faz diminuir a quantidade de crianças e adolescentes fora do sistema normal de ensino.

Novos centros médicos e hospitais foram construídos e reabilitados em 2009, no âmbito de um esforço nacional que ganhou um grande impulso desde o fim da guerra.

Hoje há escolas, postos médicos, energia elétrica e água potável até mesmo em áreas onde nunca houve no tempo colonial.

A oferta de serviços de saúde, educação e até mesmo a distribuição de água e energia estão longe de corresponder às necessidades mas os progressos até agora alcançados nestas áreas são notáveis e as ações empreendidas para a melhoria dos serviços básicos às populações constituem garantia de que estamos no bom caminho. Em 2009 isso ficou provado.

Mais Educação
No sector da Educação, em 2009 o país deu grandes passos. Angola, que até 2002, ano do alcance da paz, tinha apenas 83.601 professores, no fim de 2008 já dispunha de 179.928. Em 2009 o número aumentou e está próximo dos 200 mil.

O número de salas de aulas aumentou de 1.912, no ano 2002, para 50.516, em 2008. Estes dados, como referiu o ministro da Educação, António Burity da Silva, numa conferência da UNESCO, “mostram a vontade política do Governo de levar adiante os Objectivos do Milénio”.

No âmbito da reforma educativa, foi possível expandir a todo país a rede escolar do ensino secundário, com a conclusão, este ano, do programa de construção de novas escolas, iniciado em 2007.

Ao todo foram construídos 53 institutos técnicos, 18 escolas secundárias e seis institutos médios agrários.
Com a conclusão desta etapa foi possível matricular 90.960 alunos no ensino técnico-profissional, duplicando os números atingidos em 2007.

No nível secundário houve um crescimento de 12 por cento de alunos, nos últimos quatro anos. O número subiu de 220 mil alunos para 450 mil. Em termos de escolas, o número hoje é de 50 mil em todo o sistema.
Além da edificação de infra-estruturas, no setor da Educação foi igualmente dada atenção à qualificação dos recursos humanos, visando a melhoria da qualidade do ensino e desenvolvimento sustentado de Angola.
O Ministério da Educação prevê atingir neste novo ano, um crescimento global em termos de alunos, docentes e infra-estruturas de 4, 6 por cento.

Melhoras na Saúde
Na saúde, o ano de 2009 foi marcado também pela construção ou restauro de novas infra-estruturas. O Hospital Provincial do Huambo é um exemplo disso. A unidade hospitalar, que dispõe de 700 camas, hoje dispõe de tecnologia de ponta, depois de ter sido restaurado e equipado.

Novos hospitais estão a ser construídos. Só em Luanda, segundo anunciou o ministro da Saúde, José Van-Dúnem, estão em construção hospitais em Viana Cacuaco, Kilamba Kiaxi e na zona Sul da província.

O surto da gripe A, que assola o mundo, está controlado. Os últimos dados indicam que a situação é estável. Angola em 2009 empreendeu igualmente consideráveis esforços no combate a doenças endémicas, como a malária, poliomielite, doença do sono e lepra.

A tuberculose e Sida, apontadas como principais problemas de saúde pública, continuaram, em 2009 a merecer especial atenção do Ministério da Saúde.

Ainda este ano, 98 novos médicos foram lançados para o mercado de trabalho, pela Universidade Agostinho Neto. Mais médicos estão a ser formados no país, que vai receber pelo menos 200 profissionais estrangeiros.

As vias do progresso
Este ano, muitas estradas e pontes foram construídas ou reabilitadas. As pontes sobre os rios Catumbela e Cubal de Hanha (ambas em Benguela) e Xangongo, Cunene, pela sua grandiosidade e importância, são de destacar.

A ponte da Catumbela foi inaugurada em Agosto pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Com 438 metros de comprimento e 24 de largura está inserida numa via rápida que liga a cidade de Benguela ao Lobito.É uma ponte fundamental que serve a via internacional para a África Austral através da fronteira de Namacunde (Santa Clara), no Cunene.

A ponte do rio Cubal também é um grande empreendimento. Inaugurada a 15 de dezembro, pelo ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro, a ponte tem 130 metros de comprimento e 11 de largura. Vai permitir a ligação entre o Planalto Central, Benguela e o litoral de outras províncias do país.

A ponte de Xangongo, no Cunene, é a maior de betão do país. Tem 880 metros de comprimento e 11, 6 de largura.

Muitas mais pontes foram construídas ou reparadas. Só no corredor sul Luanda-Benguela existem agora nove pontes definitivas, sobre os rios Kwanza, Longa, Keve, Kambongo, Cubal, Culango, Canjala, Catumbela e Cavaco, todas com capacidade para suportar mais de cem toneladas de peso.

Além de pontes, novas estradas vão sendo construídas um pouco por todo o país. Na Huíla, 1.200 quilómetros de estradas estão a ser reabilitadas. Em 2009, pelo menos 600 quilómetros de estradas estavam já concluídas.

Estas obras simbolizam os êxitos que estão a ser alcançados no domínio da reconstrução nacional.

Projeto habitacional
Em termos sociais, 2009 foi marcado por grandes passos no ambicioso projecto habitacional de construção de um milhão de fogos habitacionais, até 2012, anunciado, em 2008, pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Os angolanos estão na expectativa da realização deste projeto, que vai resolver um dos mais candentes problemas sociais com que muitas famílias se debatem.

Pelos avanços que o projeto registou no ano que agora termina, a meta da construção de um milhão de fogos vai ser alcançada.

O programa, que conta com a participação do setor privado, que deve construir 512 mil casas, pode mesmo superar a meta. Na última semana de 2009, o ministro do Urbanismo e Ambiente, José Ferreira, perspectivou “que a fasquia de um milhão de casas pode ser ultrapassada”.

Para o efeito, em 2009 muito já foi feito. A preparação e seleção das parcelas para urbanizações estão concluídas em 80 por cento.

O ministro do Urbanismo e Habitação considerou positivo o trabalho desenvolvido durante este ano. Foram preparados e registados 89 mil hectares, dos cem mil inicialmente previstos, o que corresponde a um cumprimento do programa a 80 por cento, disse.

As primeiras habitações podem ser entregues ainda no primeiro semestre do ano que agora começa.

Um outro fato social de grande relevância ocorrido em 2009 foi a expulsão de 65 mil angolanos da República Democrática do Congo e do Congo Brazzaville.

Os angolanos fizeram face ao desafio de acolher e realojar os refugiados, numa operação que foi bem sucedida, estando hoje já encerradas todas as áreas de acolhimento.

Fonte: Jornal de Angola


Unamid assina acordo para reforçar segurança de capacetes azuis

dezembro 30, 2009

Missão da ONU e da UA em Darfur afirma que aumento de ataques contra os capacetes azuis nos últimos meses levaram à assinatura de acordo para proteger forças da paz; governo do Sudão será o principal responsável pela segurança e protecção do pessoal das Nações Unidas.

Unamid


A missão conjunta das Nações Unidas e da União Africana, Unamid, em Darfur e o governo sudanês assinaram nesta terça-feira um plano de acção com o intuito de reforçar a segurança das forças de paz.

Esta medida vem na sequência de uma reunião de trabalhos que decorreu a 20 de dezembro na capital sudanesa, Cartum, onde se discutiram formas de redução de incidentes no terreno.

Ataques
O número de ataques contra a Unamid tem vindo a aumentar nos últimos tempos.

No início de Dezembro, cinco capacetes azuis de nacionalidade ruandesa, foram mortos em dois incidentes diferentes, elevando para 22 o número de forças da ONU que perderam a vida em Darfur, desde a criação da missão em 2008.

No passado mês de Outubro, três outros capacetes azuis foram feridos em Darfur Oeste, e um outro foi morto em Maio, na zona de Darfur Sul.

Acordo
Segundo o comandante da Unamid, tenente-general Patrick Nyamvumba, o acordo assinado nesta terça-feira, vai fornecer medidas adicionais para prevenir a crescente insegurança na região.

Ficou também estabelecido que o governo sudanês será o principal responsável pela segurança e protecção do pessoal de manutenção da paz e bens logísticos.

Fonte: Rádio ONU


Queda no número de refugiados afegãos que retornam ao país

dezembro 29, 2009

ACNUR diz que mais de 1,8 milhão de refugiados voltaram ao Afeganistão logo após a queda do grupo Talebã em 2002; o maior desafio para essas pessoas é encontrar moradia e condições básicas de saúde e educação no país.

Inverno no Afeganistão

O número de refugiados afegãos que retornaram ao país vindos do Paquistão e do Irã caiu em 2009 para o menor nível dos últimos oito anos.

Segundo informação do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, ACNUR, cerca de 4,4 mil famílias voltaram, procedentes do Paquistão, de março a dezembro.

Guerra
Cerca de seis milhões de pessoas deixaram o Afeganistão nos anos 80 e 90 por causa da guerra. Mais de 1,8 milhão de refugiados retornaram ao país logo após a queda do grupo Talebã em 2002, mas apenas 278 mil indivíduos voltaram em 2008.

O ACNUR afirma que o maior desafio para essas pessoas é encontrar moradia e condições básicas de saúde e educação no Afeganistão, e que milhares de famílias receberam terra e assistência nos últimos anos.

A Alto Comissariado revela que ajudou a construir 190 mil casas desde 2002 e que mais 10 mil famílias serão beneficiadas ano que vem.

Crianças
A representante do ACNUR no Afeganistão, Ewen MacLeod, disse que esses refugiados também precisam de acesso às escolas para as crianças.

MacLeod afirmou que há previsão de um número significativo de retornos em 2010.

Fonte: Rádio ONU


SME repatriam mais de cento e cinquenta estrangeiros em 2009

dezembro 28, 2009

Cento e 56 estrangeiros foram repatriados de janeiro a dezembro do corrente ano, pelos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME) na Lunda Sul, informou hoje (segunda-feira) o seu diretor provincial, Henrique Buela Paca.

Em declarações à Angop, o responsável referiu que deste número constam 115 cidadãos da República Democrática do Congo, que permaneciam ilegalmente no território angolano.

Neste período, informou Henrique Paca, foram emitidos 682 passaportes nacionais, prorrogados 386 vistos de permanêcia e 13 vistos de trabalho.

Precisou que o SME controla 362 estrangeiros que prestam serviços em diversas empresas, 138 residentes e 88 refugiados requerentes de asilo.

Segundo ele, em 2009 foram realizadas atividades de controle migratório na fronteira de Chiluage, Tchivunge e Cabo Catanda, em colaboração com a Polícia Fronteiriça.

Fonte: Angola Press


Brasil envia missão diplomática ao Suriname para atender brasileiros atacados

dezembro 27, 2009

O Governo brasileiro enviou neste domingo ao Suriname um avião militar com dois diplomatas que se reunirão ao embaixador e autoridades desse país com o propósito de constatar a situação e atender os brasileiros que foram atacados pela população civil na cidade de Albina.

A missão de oito pessoas, integrada por diplomatas brasileiros e representantes do Governo e da Polícia surinamesa, verificará se existem vítimas fatais, como reportam testemunhas, e dará atenção aos estrangeiros refugiados em hospitais e hotéis resguardados pelas autoridades locais.

Em uma entrevista a um órgão de imprensa brasileiro, o embaixador no Suriname, José Luiz Machado e Costa, informou que “oficialmente” não se tem conhecimento sobre a morte de brasileiros.

“Iremos até lá para avaliar a situação, para ver se ainda há brasileiros na região e investigar mais dados, pois até agora temos só relatos e nenhuma informação oficial de mortos”, comentou Costa.

O missionário brasileiro José Vergilio, que no sábado visitou o local dos eventos, declarou em entrevista que pelo menos sete pessoas morreram nos ataques da população civil local.

“Os números são contraditórios. O número não foi confirmado, mas já passa de sete mortos. A senhora que perdeu o bebê foi cortada e o bebê arrancado da barriga morreu na tarde do sábado. Encontramos também um corpo na água e isso impactou a todos”, relatou Vergilio.

O sacerdote católico disse que apesar de serem os brasileiros o alvo principal do ataque, cometidos em represália por um homicídio supostamente cometido por um brasileiro, outros estrangeiros como chineses, peruanos e colombianos também foram vítimas.

Vergilio contou que cerca de 20 brasileiras foram atacadas sexualmente, um centro comercial e outros negócios foram destruídos pelos cerca de mil surinameses enfurecidos.

O número de feridos aumentou nas últimas horas para 25, 14 dos quais tiveram alta, enquanto seis estão em estado grave, segundo informações do embaixador.

Automóveis foram queimados e as casas dos estrangeiros destruídas, segundo as imagens divulgadas pela televisão estatal do Suriname.

O diplomata informou que 81 brasileiros foram levados com proteção das autoridades surinamesas para dois hotéis da capital Paramaribo.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que no avião que viajou ao Suriname não foram enviadas provisões, pois se desconhece o número exato de brasileiros que requerem atenção, mas advertiu que uma segunda aeronave está pronta para partir com o material médico e alimentos que forem requeridos.

Fonte: European Pressphoto Agency


ONU reforça presença militar em área conturbada da República Centro-Africana

dezembro 26, 2009

O chefe da missão das Nações Unidas no país, Victor Angelo, disse que a medida é justificada pelos riscos de segurança no campo de Sam Ouandja e pela precária situação dos refugiados, provenientes na sua maioria da vizinha região sudanesa de Darfur.

Foto: Minurcat

Capacetes azuis da ONU na República Centro-Africana reforçaram a sua presença perto de um acampamento de refugiados no nordeste do país onde confrontos sangrentos na semana passada aumentaram as tensões numa região já conturbada.

O anúncio foi feito na quarta-feira pelo representante especial de Ban Ki-moon para a República Centro-Africana, Victor Angelo.

Situação Precária
Ele disse que a medida é justificada pelos riscos de segurança no campo de Sam Ouandja e pela precária situação dos refugiados, provenientes principalmente da vizinha região sudanesa de Darfur.

Victor Angelo esteve na terça-feira no campo para avaliar a situação na sequência dos confrontos da semana passada que mataram dois membros de um grupo rebelde, conhecido pela sua sigla em francês, Ufdr e uma terceira pessoa.

As tensões entre o grupo, que tem cerca de 100 soldados estacionados perto do acampamento e refugiados aumentou desde então.

Conflitos Esporádicos
O representante do Secretário-Geral, que também chefia a missão da ONU no país e também no Chade, Minurcat, reuniu-se com as autoridades locais, representantes da sociedade civil e dos refugiados e com a liderança do movimento rebelde.

A República Centro-Africana, um dos países mais pobres do mundo, tem sido palco de conflitos esporádicos entre forças do governo e rebeldes que deixaram milhares de pessoas deslocadas.

Fonte: Rádio ONU


Terra Sonâmbula

dezembro 25, 2009

Menino em busca de sua família na guerra civil, encontra diário sobre mãe de garoto desaparecido

No meio da guerra civil de Moçambique, o menino Muidinga quer apenas reencontrar seus pais. Encontrado em um campo de refugiados por Tuahir, o garoto teve uma terrível doença que fez com que ele não consiga mais se lembrar de nada do seu passado, o que dificulta ainda mais sua desesperada busca. Mesmo assim, os dois seguem viagem tentando encontrar alguma pista que os faça chegar enfim à família de Muidinga.

Durante o trajeto, eles encontram um ônibus incendiado, com diversos corpos carbonizados. Perto dali, um outro cadáver chama a atenção, de um homem morto a tiro. Ao lado dele, em uma maleta, um livro conta a história da vida deste homem, Kindzu. Enquanto continuam a jornada, Tuahir e Muidinga acompanham a história daquele misterioso sujeito, e quanto mais leem, mais percebem semelhanças entre esta história e a do próprio garoto.

Terra Sonâmbula é uma co-produção de Moçambique e Portugal, dirigido pela estreante Teresa Prata. O filme é baseado no livro homônimo do escritor moçambicano Mia Couto. Lançado em 1992, Terra Sonâmbula foi considerado em uma feira internacional ocorrida no Zimbábue, como um dos 12 melhores livros africanos escritos no século 20.

Fonte: Guia da Semana


Terra Sonâmbula

dezembro 25, 2009

Menino em busca de sua família na guerra civil, encontra diário sobre mãe de garoto desaparecido

No meio da guerra civil de Moçambique, o menino Muidinga quer apenas reencontrar seus pais. Encontrado em um campo de refugiados por Tuahir, o garoto teve uma terrível doença que fez com que ele não consiga mais se lembrar de nada do seu passado, o que dificulta ainda mais sua desesperada busca. Mesmo assim, os dois seguem viagem tentando encontrar alguma pista que os faça chegar enfim à família de Muidinga.

Durante o trajeto, eles encontram um ônibus incendiado, com diversos corpos carbonizados. Perto dali, um outro cadáver chama a atenção, de um homem morto a tiro. Ao lado dele, em uma maleta, um livro conta a história da vida deste homem, Kindzu. Enquanto continuam a jornada, Tuahir e Muidinga acompanham a história daquele misterioso sujeito, e quanto mais leem, mais percebem semelhanças entre esta história e a do próprio garoto.

Terra Sonâmbula é uma co-produção de Moçambique e Portugal, dirigido pela estreante Teresa Prata. O filme é baseado no livro homônimo do escritor moçambicano Mia Couto. Lançado em 1992, Terra Sonâmbula foi considerado em uma feira internacional ocorrida no Zimbábue, como um dos 12 melhores livros africanos escritos no século 20.

Fonte: Guia da Semana


Internet ajuda refugiados a vencer a solidão no Brasil

dezembro 24, 2009

Solicitante de asilo no Brasil usa a internet para contactar família na África. (Foto: C. Montenegro/ © ACNUR)

O eritreu Yonas Samuel chegou ao Brasil no começo deste ano, vindo da África do Sul. Foram anos de fuga entre vários países africanos. Desesperado para encontrar sua esposa e filha que deixou no Zimbábue, ele encontrou a solução em um site especializado na reunião de refugiados.

Para o solicitante de refúgio Euphrem D’Fagbenou, que veio do Benin há um ano, a internet mata as saudades de casa e também é ferramenta de inclusão social no Brasil. “Costumo falar online com meus parentes na África, pelo menos uma vez por semana. Mas também venho aqui encontrar amigos que fiz no Brasil, procurar emprego, ler notícias sobre São Paulo”, afirma o jovem, de 23 anos, que deixou seu país após sofrer perseguição por fazer parte de um grupo sindical.

Os dois casos são exemplos de como hoje a internet faz parte da rotina dos refugiados nos centros urbanos e contribui para a adaptação deles no novo país de acolhida. Em uma cidade como São Paulo há cada vez mais pontos de acesso à internet para atendimento aos refugiados. Dois espaços cada vez mais procurados são as salas de internet livre da Refugees United (RU) e do SESC Carmo, localizadas ambas no centro da cidade onde o acesso é privilegiado graças à grande a circulação de transportes públicos.

D’Fagbenou é frequentador assíduo do ponto de internet da Refugees United (RU), organização internacional que promove a reunião familiar de refugiados no mundo todo pela Rede. “Aqui também fiz muitos amigos, conheci outros refugiados e os brasileiros que são voluntários no espaço. Aqui me sinto em casa”, diz o africano.

No centro da RU, 14 voluntários atendem refugiados e solicitantes duas vezes por semana. Muitos deles possuem histórias pessoais e familiares próximas aos dos refugiados e por isso, se solidarizam com o trabalho. “Minha família é de sobreviventes do Holocausto, minha mãe nasceu na Polônia e aos 11 anos veio para o Brasil. Meus avós se reencontraram em meio à guerra com a ajuda da Cruz Vermelha e eles fugiram para o Brasil como apátridas. Sempre tive um desejo não-realizado de trabalhar com refugiados por isso”, conta a jornalista Karin Fusaro, voluntária da RU desde o começo de 2009.

No site da Refugees United, os refugiados se cadastram de forma anônima e confidencial em um banco de dados, indicando características pessoais (como cicatrizes e apelidos) para que apenas familiares e amigos próximos possam reconhecê-los e reencontrá-los. Samuel é a história de um caso de sucesso no escritório da RU no Brasil. A organização tem sede na Dinamarca e outro ponto nos Estados Unidos.

Fez cadastro na RU, por indicação da ONG parceira Cáritas de São Paulo e uma semana depois recebeu os primeiros contatos de uma mulher refugiada no Reino Unido, que procurava seu marido há anos. Samuel foi reconhecido por sua esposa porque citou a palavra “expresso” em seu perfil. “A família brincava chamando ele assim, porque era sua bebida favorita”, conta a advogada Noemi Maruyama que testemunhou a troca de mensagens entre Samuel e a esposa pela internet. “Foi muito emocionante. Ele disse que nós devolvemos a ele a razão de viver”, acrescentou ela.

Homem de negócios e ativista politico na Eritréia, Samuel vive emigrando de um país para outro em busca de proteção contra perseguição desde 1998. Viveu na Etiópia, no Zimbábue e na África do Sul antes de chegar ao Brasil. Procurava sua família há um ano, sem sucesso. Tentou contactá-las por telefone, cartas, amigos e parentes, mas a resposta estava na internet.

Antes do avanço da internet, os refugiados recorriam a compatriotas que chegavam de seus países de origem para saberem notícias sobre familiares e parentes. Hoje, estas pessoas também leem jornais de seus países e ouvem músicas locais pela tela do computador.

“Até 2001, os serviços de internet eram mais restritos na cidade. Hoje várias estações de metrô e terminais de ônibus contam com pontos de acesso à Rede”, afirma Denise Collus, assistente social do SESC Carmo. Desde 2000, a prefeitura de São Paulo implantou o Programa AcessaSP para promover a inclusão digital e hoje existem 512 pontos de acesso gratuíto espalhados pela cidade.

“Aqui no SESC, cerca de 120 pessoas por semana usam nossos computadores. Cada um pode ficar conectado por até 30 minutos por dia, mas mesmo assim temos filas de espera sempre”, acrescenta Denise. No SESC Carmo há uma sala de internet livre com 16 computadores de tela plana, cadeiras para espera e profissionais que orientam os usuários.

Segundo Denise, a procura dos refugiados pelo serviço também aumentou nos últimos anos. “A internet hoje ajuda a quebrar a solidão de muitos deles. Há cada vez mais casos como o de uma jovem cubana que acompanhava daqui pela Web o crescimento de seu filho, que ficou com familiares em sua terra natal, ou de um refugiado congolês que se comunicou daqui do Brasil pela internet por cinco anos com sua esposa e filhos na África”, explica.

“A procura online de emprego também se tornou comum. Para muitos dos refugiados o email se torna seu principal endereço, porque não se sentem confortáveis em enviar o contato do abrigo em que estão hospedados para possíveis empregadores”, afirma Denise.

A maioria dos refugiados que usa os serviços de internet do SESC tem entre 22 e 35 anos e já havia acessado a Rede em outras ocasiões. “Isso porque, não só a internet está cada vez mais popularizada, mas também o Brasil costuma receber refugiados com alto grau de escolaridade em seus países de origem”, acrescenta Denise.

Fonte: ACNUR


Guia ajuda trabalho humanitário para crianças e adolescentes

dezembro 23, 2009

Foto: World Bank

Manual desenvolvido pelo Fundo de População das Nações Unidas aborda questões sensíveis durante situação de crise envolvendo os jovens; segundo o Unfpa crianças e adolescentes representam de 1/4 a metade dos refugiados e deslocados do mundo.

O Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, acaba de lançar um guia para ajudar agências humanitárias a atenderem as necessidades de crianças e adolescentes no mundo.

Intitulado ‘Guia de Ferramentas para Definições Humanitárias para Saúde Reprodutiva e Sexual de Adolescentes’, o manual fornece listas e questionários para auxiliar na resolução de questões sensíveis durante situação de crise envolvendo os jovens.

Lacuna
A diretora-executiva do Unfpa, Purnima Mane, disse que o guia preenche uma lacuna importante porque oferece abordagem cordial para garantir que as necessidades de crianças e adolescentes sejam atendidas em eventos humanitários.

O documento aborda uma série de questões importantes, como sensibilidade cultural, avaliação rápida, distribuição de mantimentos, em linguagem simples e direção clara.

Segundo a agência da ONU crianças e adolescentes representam de 1/4 a metade dos refugiados e deslocados do mundo. O órgão ressalta que muitos aparecem em campos sem os pais ou guardiões, alguns carregando irmãos menores.

Puberdade
O Unfpa também afirma que esses adolescentes lidam com mudanças complexas durante a puberdade e geralmente são vítimas de violência sexual.

O manual foi desenvolvido em parceria com organizações não-governamentais, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos e a Universidade de Columbia em Nova York.

Fonte: Rádio ONU


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