André Nzuzi: Campeão de bairro subiu até à seleção

janeiro 31, 2010

Nzuzi André é um homem apaixonado pelo futebol desde a sua meninice. É vulgarmente conhecido nas lides do futebol como André. É um dos ícones da modalidade rainha em Angola. Na década de 80 e 90, ao lado de nomes como Maluca, Saavedra, Fusso, Tandu, Chico Dinis, Ndunguidi, Vieira Dias, Jesus, Novato, Ndongala, Mesquita, Garcia, Lourenço entre outros nomes de referência do nosso futebol, fez furor nos campos de Angola.

Nzuzi André é filho de Nguiendelo Kabinda e de Ntumba Teresa. Nasceu a 19 de Dezembro de 1957, no norte de Angola, Maquela do Zombo.

Pouco ou nada sabe sobre a sua terra. A guerra obrigou-o a refugiar-se na República Democrática do Congo ainda criança.

“Os meus pais apenas me diziam que nasci em Maquela, mas nunca conheci”. Kinshasa, a capital da RDC, foi o destino de Nguiendelo Kabinda e a família. Nas ruas do Bairro Mbambilé, arredores de Nguiri Nguiri, cidade de Kinshasa, Nzuzi André começou a dar os primeiros pontapés na bola.

Na pelada e com bola feita de trapos, imitava as grandes jogadas de estrelas da época. Como toda a criança, sonhava ser uma vedeta no futebol. Mas a condição de refugiado, impedia-o de concretizar o sonho. A procura de melhores condições de vida fez com que se mudasse para a região de Casavubo, na periferia de Kinshasa.

O pai conseguiu aí pela primeira vez um emprego com direito a casa, propriedade da fábrica onde trabalhava. Por sorte, grande parte dos trabalhadores era originária de Angola. Pais e filhos conviviam e repartiam os mesmos tempos livres em Casavubo.

Adepto ferrenho da bola, sempre que tinha tempo livre, depois das aulas formar equipes com as crianças do bairro. Num destes jogos conheceu uma das grandes estrelas do futebol da RDC, Santos Mutumbila Fusso, que anos mais tarde se tornou seu colega na equipe do 1º de Maio de Benguela.

A equipe era constituída maioritariamente por filhos de refugiados angolanos e causava furor nas partidas que disputava. Este ímpeto futebolístico causou admiração aos amantes da modalidade em Kinshasa. Os nome que mais se destacavam eram os de André e Fusso.

A primeira equipe
Na posição de centro campista, por várias vezes ajudou a equipe a levar perigo à baliza dos adversários. Foi por causa desta sagacidade, que os amigos do Bairro de Casavubo acharam que o melhor era ir jogar numa equipe federada.

O destino foi a formação de Bana Lingala. Durante duas temporadas André vestiram a camisola dos Banas e causou sérios estragos às defesas contrárias. Foi eleito o melhor jogador do grupo. No terceiro ano, André rescindiu com os Banas e assinou contrato com a o clube da fábrica de pneus Good Year, da terceira divisão.

Aos 17 anos, atingia o apogeu na carreira. A equipe da Good Year era uma referência na RDC. Dos seus integrantes faziam parte nomes como Mutumbila, Boba, Kialanda, Rodini entre outros nomes sonantes. Por lá permaneceu três anos, que resultaram em três títulos.

Testes no 1º de Agosto
Em 1975, em Kinshasa, a notícia da independência de Angola foi uma festa.

“Recordo-me como se fosse hoje. O meu pai e o pai do Fusso, sentados a comemorarem a nossa independência e desde esse dia só pensavam no regresso”, salienta André. Em 1978, fruto dos excelentes, resultados a Good Year ascende à segunda divisão.

No ano seguinte, o 1º de Agosto desloca-se à RDC a fim de disputar uma partida com o Vita Clube de Kinshasa. Por indicação de N´Suca, a direção do clube militar consegue o contato com André. Depois de vários contatos, acordou-se que o jogador embarcava para Luanda a fim de ser submetido a testes físicos.

Em Luanda, por causa da sua compleição física, olharam para ele desconfiados. Era magro e baixo e a equipe técnica do 1º de Agosto decidiu dispensá-lo. “O preparador físico disse que eu era um bom jogador. Mas necessitavam de um atleta com porte físico superior ao meu”, afirmou.

Desempregado e sem apoio familiar viveu os momentos mais dramáticos da sua vida. Mas não tardou muito para a sorte voltar a sorrir.

Jogar em Benguela
Durante a sessão de treinos em que André, foi dispensado, havia na bancada um adepto ferrenho do 1º de Maio. Apercebendo-se da sua ausência do 1º de Agosto, contatou-o de imediato e manifestou a intenção de o levar para Benguela.

Semanas depois, foi transferido para Benguela. No campo da SETA, foi submetido a testes físicos. Depois de muitas hesitações foi aceito e jogou contra a Académica do Lobito.

A Académica estava na sua máxima força. Nomes como Gindungo, Batata, Koyo, Comandala, Chibi, Arnaldo, Tomás metiam respeito. Mesmo assim, o 1º de Maio de André, Maluca, Daniel, Regadinha, Abreu, Lukombo, Juka, Tadeu, Tomás conseguiu travar a força dos lobitangas e ganhou por 1-0. A bravura de André nesse jogo catapultou-o para o mundo da fama em Benguela. De 1980 até 1986 vestiu a camisola do 1º de Maio.

O empate com a Argélia
Nzuzi André ou simplesmente André nasceu em Maquela do Zombo. É um dos lendários do nosso futebol. Dos pontos altos e baixos, durante os anos de futebol, recorda com nostalgia o dia 19 de Abril de 1985. Tratava-se de um jogo decisivo para a qualificação ao Mundial de 1986 no México. “Calamos o estádio Nacional 5 de Junho em Argel. Mas o árbitro fez de tudo para que a equipe argelina passasse. Jamais esquecerei”.

Nzuzi Responde
Em quem se inspirava no campo?
Havia um grande jogador na RDC que se chamava Linguilha. Este foi sempre o meu grande ídolo. Jogava no Vita Club de Kinshasa. Jogava como lateral direito. Há muito que era um apreciador do estilo dele. Desde o meu batismo nas lides futebolísticas que joguei com a camisola numero dois.

Quantos gols marcou?
Não fui um jogador de muitos gols. Fazia muitos cruzamentos que resultaram em gols de Maluca. Não passei de dez gols. Havia um grande entrosamento entre eu, Maluca, Daniel e vários colegas. A nossa relação vinha desde o Hotel Praia Morena onde residíamos. Foram sete anos de 1º de Maio.

Quando é que abandona o 1º de Maio?
Depois de sete anos, a direção achou que devíamos abandonar a equipe. Na altura eu tinha força. Fui para o Sporting de Benguela, como capitão da equipe. Mas a situação financeira levou à despromoção do Sporting de Benguela. Nessa altura apareceu um responsável da equipe do Tombwa. Em companhia de nomes como Minhas e Jonas levantamos o nome do Independente do Tômbwa.

Quantos títulos?
Ganhei dois campeonatos pelo 1º de Maio de Benguela, nos anos de 1983 e 1985. Constam também da minha galeria duas Taças de Angola e uma super-taça. Abandonei o futebol, por problemas familiares. A mãe dos meus filhos sempre que saía para jogar fazia confusão. Decidi abandonar o futebol. Mesmo assim as coisas não melhoraram. Separamo-nos.

Fonte: Jornal de Angola


Analistas apontam ‘erros’ e ‘acertos’ do Brasil durante crise em Honduras

janeiro 30, 2010

O presidente de Honduras, Porfírio Lobo, é visto em monitor durante entrevista coletiva na sexta-feira (29) em Tegucigalpa. (Foto: AFP)

Para ex-embaixador, posição ‘ideológica’ deixou Brasil refém dos fatos. País pode reverter equívocos reconhecendo eleição, diz cientista político.

Alçado à condição de protagonista da crise política em Honduras, o Brasil agora se vê às voltas de uma saída para reconhecer o novo presidente eleito, Porfírio Lobo, que tomou posse esta semana. Para analistas ouvidos pelo G1, o governo brasileiro tem agora uma chance de corrigir “falhas” cometidas durante os quase sete meses de turbulência no país, iniciados com o golpe que depôs Manuel Zelaya em 28 de junho do ano passado.

Para Rubens Antonio Barbosa, ex-embaixador do Brasil na Inglaterra (1994-1999) e nos Estados Unidos (1999-2004), o Brasil “não pode ficar a reboque de novo dos acontecimentos, ao lado de Venezuela e Bolívia”. Para Barbosa, a anistia concedida a Zelaya e aos autores do golpe foi a “melhor saída” para a crise e o povo hondurenho.

O professor de relações internacionais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Marcelo Coutinho vê o desfecho da crise como o “o único possível”, uma vez que Honduras foi às urnas e elegeu Lobo. “No momento em que Honduras foi às eleições e que Lobo recebe uma votação maior do que a de Zelaya em 2005, o Brasil se equivocou.

O cientista político defende a atitude da diplomacia brasileira de abrigar Zelaya durante quatro meses na Embaixada do Brasil, em Tegucigalpa, o que, segundo ele, segue a tradição do país. Na opinião do ex-embaixador Barbosa, a decisão feriu o direito internacional, que, afirma, não prevê o status de abrigado, mas apenas de asilado político em situações de perseguição.

Leia a seguir trechos das entrevistas dos especialistas ao G1.

G1 – O desfecho para a crise em Honduras com a anistia a Zelaya e aos autores do golpe é aceitável? Rubens Barbosa - Foi a melhor saída para o povo de Honduras. Nessa crise toda, acho que os países deviam ter cooperado por causa do povo hondurenho. Cada um tem seus próprios interesses, mas o interesse maior era resolver o problema do povo hondurenho. E isso foi aparentemente resolvido agora, com a posse do presidente democraticamente eleito, que começou fazendo uma anistia geral, um governo de reconstituição nacional, permitindo a saída do Zelaya. Acho que foi a melhor solução para o povo hondurenho, a que todo mundo esperava.

G1 – A anistia aos autores do golpe não abre um precedente perigoso para a América Latina?
Barbosa -
Esta é a posição do governo brasileiro. Eu não concordo. O Zelaya tinha quebrado o consenso do país ao apresentar um projeto que ia contra a Constituição. Ele foi condenado pela Câmara, pelo Supremo, e no final os militares se excederam e fizeram a retirada violenta dele, o que é condenável. Estava tudo certo até o momento em que os militares exorbitaram. O governo brasileiro estava certo em não concordar com isso. Mas é um aspecto da coisa. Você pode dizer que foi uma saída inconstitucional, contra a própria Carta de Honduras. Mas, a rigor, os militares se excederam ao cumprir uma determinação da Justiça e Congresso do hondurenho. A eleição, que já estava prevista antes da atitude das Forças Armadas, não foi o governo de facto que convocou, foi legítima. O povo hondurenho votou em grande quantidade, mais do que na eleição em que Zelaya foi eleito. Ninguém acusou a eleição de ser fraudada, houve lisura apurada por observadores independentes e o resultado representou a vontade da maioria do povo de Honduras. O presidente eleito contou com o apoio de partidários do próprio Zelaya. Então, o governo brasileiro deveria ter reconhecido, e não reconheceu até agora, o resultado da eleição.

G1 – A liderança do Brasil foi substituída pela dos EUA na mediação do conflito?
Barbosa –
Desde o momento em que o Brasil decidiu se envolver abrigando na embaixada o Zelaya, o Brasil ficou a reboque dos acontecimentos. Os esforços todos pelos Estados Unidos, Costa Rica e outros países para resolver os problemas em Honduras contou com a neutralidade e às vezes com a oposição do governo brasileiro. Isso foi equivocado também. [Porfírio] Lobo pela maioria do povo de Honduras; fez a união nacional, o Brasil não participou disso; deu o salvo-conduto a Zelaya, e o Brasil não participou; e agora vai se colocar o problema da volta de Honduras para a OEA (Organização dos Estados Americanos) e o Brasil não pode ficar a reboque de novo dos acontecimentos, ao lado de Venezuela, de Bolívia. Agora está reestabelecida a democracia em Honduras, não acho que o governo que está lá seja ilegítimo.

G1 – O Brasil errou ao abrigar Zelaya na embaixada?
Barbosa –
Aceitando a explicação oficial, o governo brasileiro tinha que ter concedido asilo e não abrigar o Zelaya. Primeiro que essa figura não existe no direito internacional, segundo que isso permitiu que ele transformasse a embaixada num palanque político dentro de Honduras. Depois, ocupou a embaixada por quatro meses e você e eu é que pagamos essa conta. O sujeito quando entra na embaixada e o governo aceita, é para dar asilo. O Brasil inovou. O asilo é para permitir a saída da pessoa do país, quando está sendo perseguido. Ao abrigar Zelaya, o Brasil autorizou a entrada dele. O governo de Honduras questionou junto à Corte Internacional de Haia esse abrigo que o Brasil deu, porque não existe no direito internacional. O governo quis saber qual era o status que ele tinha porque continuava a fazer comício.

G1 – Isso pode trazer algum efeito para política externa brasileira no futuro? No papel do país na OEA, por exemplo?
Barbosa -
Não vai influenciar em nada. O Brasil pode ficar contra, mas a maioria dos países vai aceitar a volta de Honduras. Mas por causa dessa posição partidária, ideológica do governo brasileiro de se associar a Chávez, a Morales, o Brasil está a reboque dos acontecimentos, não está liderando nada. Então agora está tendo de reagir a fatos sobre os quais não tem controle. A próxima reação que vamos ter que ter é em relação à OEA, porque já está havendo um movimento pela volta de Honduras à organização. O Brasil vai ficar contra e os outros países vão votar a favor, os centro-americanos, a Colômbia, Peru, Chile, México, Canadá, EUA. Estamos a reboque dos acontecimentos.

G1 – O episódio todo compromete a posição de liderança que o Brasil vem tentando conquistar na região?
Barbosa –
O Brasil está num processo de aprendizado. Esta súbita projeção nos últimos dez anos coloca alguns desafios à política externa, nós não estávamos acostumados a lidar com isso. O caso do Irã, de Honduras, são exemplos de como uma potência emergente tem que ser mais cuidadosa com nas decisões que toma porque passa a ser vista mais de perto pela comunidade internacional e tem que se explicar. Qual a razão do apoio ao Irã? A comunidade internacional, que está querendo impor sanções ao Irã, quer saber. No caso de Honduras, também se pergunta por que o Brasil adotou essa posição. Esta posição de maior visibilidade começa a ser questionada também porque estamos nos aliando quase permanentemente com grupo minoritário e visto como radical, que é o grupo bolivariano. Por que o Brasil não está questionando a democracia na Venezuela e questiona em Honduras? Estão fechando televisão, jornais, a polícia batendo em estudantes, as pessoas se demitindo. Tem uma crise claramente na Venezuela e o governo brasileiro acha que nunca houve tanta democracia. Se comparar as duas posições, você vê que há contradições.

G1 – A saída para a crise institucional em Honduras com a anistia a Zelaya e aos autores do golpe foi a melhor?
Marcelo Coutinho -
Era a única saída possível. Essa é um história que já estava previamente muito bem estabelecida. O governo brasileiro se equivocou porque partiu de bases conceituais muito frágeis, que não sustentavam a posição do país, com respeito à tolerância até mesmo com o processo eleitoral. Que o Brasil deveria ter recebido Zelaya e liderado um processo contra golpe, até aí tudo bem. No momento em que Honduras foi às eleições e que Lobo recebeu uma votação maior do que a de Zelaya em 2005, o Brasil se equivocou. Mas há tempo para que se corrija este equívoco, vindo a reconhecer o novo presidente eleito. Esta não era a fórmula ideal. O ideal era que Zelaya fosse reconstituído ao poder, mas na política às vezes o ideal fica muito longe. O presidente “Pepe” Lobo também tem todo um interesse em readquirir a credibilidade e o reconhecimento da comunidade internacional. Boa parte dos países, como Estados Unidos, Panamá, Colômbia, Peru, Costa Rica já estão reconhecendo e a Europa, Canadá e México já disseram que podem vir a reconhecer [a eleição]. Mas existe um grupo de países muito refratários com relação ao reconhecimento do novo presidente. O Brasil estava no rol desses países, mas, agora, segundo os últimos sinais que foram dados pelo governo brasileiro, parece que pode corrigir sua atitude. Se o conflito não for resolvido de maneira profunda, pode voltar mais na frente. Isso não é interesse nem do governo hondurenho, nem da comunidade internacional.

G1 – A anistia não abre um precedente perigoso para a América Latina, como defendia o governo?
Coutinho -
Esse argumento é válido. Por isso digo que o ideal é que Zelaya fosse restituído ao poder, mas isso em determinado momento se mostrou inviável. A solução parecia passar pelas eleições, como de fato se comprovou. Com anistia, salvo-conduto e formação de governo de união nacional, como o próprio “Pepe” vem fazendo. Tudo indica que alguns candidatos que concorreram com ele vão assumir alguns ministérios. Agora dizer de que isso possa vir a se lastrear pela América Latina é só parcialmente verdadeiro. Não é porque um país enfrenta uma crise institucional que o continente vai passar por momento semelhante. Em poucos momentos na história isso é conhecido. A própria Honduras é uma prova disso. Era um país que até esta crise era relativamente estável desde 1981. Enquanto nos anos 80, a America Central toda estava se desestabilizando, Honduras era um dos poucos países ainda com algum grau de instabilidade. Isso não impediu que um processo institucional fosse desencadeado, a partir do momento que Zelaya tenta forçar um plebiscito no país, que não contava com apoio nem do Judiciário, nem do Congresso. Então, se amanhã algum país sofrer um golpe, ninguém pode dizer que foi porque Honduras sofreu um golpe. Golpes na América Latina fazem parte da nossa história e os últimos 20 anos foram os melhores momentos da democracia na região. O que ocorreu em Honduras me parece mais um ponto fora da curva do que um indicador de tendência.

G1 – A diplomacia brasileira errou em abrigar Zelaya?
Coutinho –
Acertou em dar o abrigo, faz parte da nossa tradição diplomática. Em 2005, o Brasil abrigou o presidente [Lúcio] Gutiérrez do Equador, que foi derrubado pela população. A população sitiou a embaixada brasileira e o governo mandou um avião buscá-lo e tirá-lo do país. Então o abrigo foi perfeito e está de acordo com tradição diplomática e com os direitos humanos. O nosso equívoco foi permitir que ele [Zelaya] usasse a embaixada como palco, como uma plataforma política e não dar encaminhamento a este abrigo, seja com um salvo-conduto ou o que fosse. O governo deixou ele se apropriar da embaixada brasileira, inclusive colocando mais lenha na fogueira de um crise institucional já bastante consolidada. O governo brasileiro errou foi ao considerar o Zelaya um heroi da democracia latino-americana, o que é uma falácia. O golpe não se jusfitica pelo que Zelaya vinha fazendo. Mas um golpe também não abona o outro. Uma posição equilibrada do governo brasileiro seria uma posição de mediação entre as partes do conflito, mas o Brasil embarcou de cabeça em uma das partes e se descredenciou como mediador.

G1 – A liderança do Brasil foi substituída pela dos EUA na mediação do conflito?
Coutinho -
Claro, os Estados Unidos ganharam muito terreno sobre o Brasil na America Central. Não só os EUA, o México e até a Espanha ganhou mais espaço de intermediação na região. O Brasil saiu menor nesse episódio e gerou uma desconfiança muito grande de intervenção nesses países. Não só com Honduras, mas outros países que possam achar que o Brasil pode ter esse mesmo comportamento no futuro. Não que isso seja uma marca indelével na nossa diplomacia. Foi um problema sério, mas que pode se corrigir, desde que se dê uma sinalização muito clara a nossos parceiros internacionais de uma posição equilibrada. Acho que vai ser feito isso, se não por esse governo, o próximo certamente vai rever. Não há motivo para não reconhecer Pepe Lobo, a não ser aposta na volta da instabilidade política em Honduras.


G1 – Isso pode trazer algum efeito para a política externa brasileira no futuro?

Coutinho - Acho que o Brasil entrou pensando que ia ganhar uma disputa de liderança regional e sofreu um revés. Isso vai fazer com que o governo seja pelo menos mais cauteloso nos próximos posicionamentos internacionais. Ao mesmo tempo, tenho visto uma certa polarização política na região, um dos cenários possíveis tendo em vista governos tão distintos, e é possível que o Brasil venha de novo se alinhar a uma das partes, perdendo mais uma vez a condição de interlocutor e ponto de equilíbrio regional.

Fonte: G1


Militares norte-americanos suspendem envio de refugiados haitianos aos EUA

janeiro 30, 2010

Policiais observam destroços em chamas nesta sexta-feira (29) em Porto Príncipe. (Foto: AFP)

Voos foram interrompidos na quarta-feira, segundo a Marinha. Motivo é impasse sobre quem pagaria tratamentos das vítimas.

Militares norte-americanos informaram na sexta-feira (29) que interromperam o transporte de vítimas do terremoto do Haiti para os Estados Unidos para cuidados médicos, atendendo a temores de alguns governos estaduais sobre o impasse acerca de quem pagaria pelos tratamentos.

“Neste momento, sim, os voos cessaram,” afirmou o capitão da marinha Kevin Aandahl, porta-voz do Comando de Transportes dos EUA, que realiza as operações de transferência médica.

“Temos de ter um destino para levá-los”, afirmou Aandahl, citando informações da imprensa de que a Flórida disse ao governo norte-americano que o Estado precisaria de ajuda para pagar pelos tratamentos.

“Se a Flórida não os aceitar. e eu não posso confirmar isso, mas acho que a Geórgia fez um pronunciamento similar, então se não podemos levá-los a lugar algum para tratamento, eles ficarão no Haiti.”

Ele afirmou que os voos pararam na quarta-feira.

“O fato de os voos médicos não estarem sendo realizados não significa que os haitianos que precisam de atendimento não o terão”, acrescentou Aandahl. “Temos as instalações médicas novamente na ilha e no mar.”

Sterling Ivey, porta-voz do governador da Flórida, Charlie Crist, disse ao jornal The New York Times que o pedido de ajuda federal pode ter gerado “confusão”.

“A Flórida está pronta para ajudar nossos vizinhos do Haiti, mas precisamos de um plano de ação e reembolso para os atendimentos que estamos providenciando”, afirmou Ivey.

Fonte: G1


Conheça um médico que trocou hospitais europeus por campos de refugiados

janeiro 29, 2010

Imagem: TV Globo

Fernando Nobre não acredita na neutralidade do médico. Por isso, há 25 anos fundou em Portugal a Assistência Médica Internacional.

Aos 58 anos, Fernando Nobre poderia estar em sua clínica, ser um respeitado urologista e dar entrevista em um gabinete de uma grande universidade da Bélgica. Mas há 30 anos ele trocou o hospital, a pesquisa e o conforto da Europa por terremotos, ciclones e guerras nos países mais pobres do mundo.

“Para alguns eu era uma espécie de meio louco, de original, pelo menos. Mas isso era a opinião deles, não a minha. Acho que cada um de nós tem de saber aquilo que queremos e eu sabia o que eu queria”, conta.

Um médico que fez do planeta Terra o seu consultório. Nas últimas décadas, Fernando Nobre socorreu vítimas das piores tragédias do mundo. Vive a maior parte dos dias cercado pelo sofrimento humano sem nunca se acostumar com ele.

No Chade, em 1981, Fernando Nobre era o único cirurgião em um país de 6 milhões de pessoas. “Foi muito difícil de repente passar dos meus hospitais de ponta. Sabe o que é ver mulheres com dores de barriga e pegarem pedaços de lenha na fogueira e queimarem a barriga para transferirem a dor para a superfície em vez de terem a dor profunda”, lembra.

Um ano depois ele estava no Líbano e viu de perto os massacres nos acampamentos de Sabra e Chatila. “Foi uma grande tragédia e não há perdão para o que lá se passou”, comenta.

Fernando não acredita na neutralidade do médico. Por isso, há 25 anos fundou em Portugal a Assistência Médica Internacional (AMI). É uma organização humanitária que atende os doentes e denuncia o que vê, como o massacre de Ruanda, em 1994.

Os caminhos surpreendentes da vida levaram o médico das tragédias de volta à universidade. Em Lisboa, é professor de medicina humanitária: “A essência da medicina é verdadeiramente humanitária, seja em um hospital em São Paulo, em Washington ou em Paris”.

Nem por isso ele deixa de viajar para os cantos mais longínquos do planeta. Mesmo quando muitos acham que não há mais nada a fazer: “O médico, porque não é Deus e não pode ser Deus, quando constata que sua capacidade já está esgotada, muitas vezes vê isso como uma derrota e já não se aproxima desses doentes terminais porque ele vê isso como uma derrota, já não tem nada a fazer. Tem sempre o que fazer. Nem que seja só segurar a mão do doente e falar com ele”.

Fonte: Jornal Floripa


ONU Brasil e TV Globo lançam campanha para arrecadar fundos para o Haiti

janeiro 29, 2010

Foto: D.Morel/ AFP

O Sistema das Nações Unidas no Brasil e a Rede Globo de Televisão acabam de lançar uma campanha em solidariedade às vítimas do terremoto no Haiti.

A campanha, que solicita doações para o povo haitiano, está sendo realizada através da veiculação de um vídeo de 15 segundos, produzido em parceria com a Rede Globo, com informações sobre como os brasileiros podem colaborar com as ações humanitárias desenvolvidas pela ONU no Haiti.

Como parte da campanha, duas contas bancárias foram abertas: a primeira, em nome do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), terá suas contribuições destinadas para a compra e distribuição de alimentos no Haiti pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e para ações de coordenação geral da emergência no país desenvolvidas pelo Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA – http://ochaonline.un.org).

A outra conta, aberta em nome do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), tem como foco prestar socorro às crianças e aos adolescentes vítimas do terremoto, especialmente nas áreas de saúde, nutrição e proteção.

Para a Coordenadora Residente Interina do Sistema das Nações Unidas no Brasil e Representante do UNICEF no país, Marie-Pierre Poirier, a participação dos brasileiros é fundamental. “O Brasil já tem no Haiti um papel muito importante no seu trabalho na força de paz da ONU e nas ações emergenciais de ajuda as vítimas do terremoto. Agora, a população brasileira poderá se solidarizar com os haitianos e contribuir com a ONU na sua missão de ajudar o país no seu processo de reconstrução e na superação da tragédia. Contamos com esse apoio.”

Mais informações sobre como doar para o Haiti estão na página das Nações Unidas no Brasil: www.onu-brasil.org.br

Fonte: Acnur


Trabalhe no ACNUR Brasil: NUNV Field Assistant Manaus

janeiro 28, 2010

O ACNUR Brasil está selecionando candidatos para o cargo de NUNV (National UNV) Field Assistant Manaus. Os interessados devem mandar seus currículos para brabr@unhcr.org até dia 10 de fevereiro. Leia o Termo de Referência com todas as informações sobre o processo de seleção em: http://www.acnur.org/t3/portugues/informacao-geral/trabalhe-no-acnur/

Refugees United


Ban: Afegãos precisam saber que terão apoio a longo prazo

janeiro 27, 2010

Em pronunciamento a jornalistas na sede da organização em Nova York o Secretário-Geral da ONU afirmou que é preciso uma abordagem mais equilibrada, e que a estratégia civil não pode ser apenas um complemento da estratégia militar no país.

Ban ki-moon

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a conferência internacional sobre o Afeganistão que acontece a partir desta quinta-feira em Londres chega em momento crítico.

Ele disse que o povo afegão quer perspectiva maior de futuro, especialmente em relação ao desenvolvimento, e que a participação nacional é essencial.

Abordagem
Em pronunciamento a jornalistas na sede da organização em Nova York, Ban ressaltou que a população do país precisa saber que terá o apoio a longo prazo da comunidade internacional nas construções das instituições do governo.

Ele afirmou que é preciso uma abordagem mais equilibrada e que a estratégia civil não pode ser apenas um complemento da estratégia militar.

O Secretário-Geral, que vai participar da conferência em Londres, agradeceu a liderança, coragem e dedicação do enviado especial da ONU ao Afeganistão, Kai Eide, que está deixando o cargo.

Ban Ki-moon informou que pretende nomear Staffan de Mistura para ocupar o posto no Afeganistão a partir de 1 de março.

Haiti
Ban também falou sobre o Haiti. Ele afirmou que mais de 150 centros de saúde e hospitais estão funcionando na capital Porto Príncipe e que bancos começaram a operar no fim de semana passado.

O Secretário-Geral ressaltou que há necessidade urgente de tendas e abrigos e que o fornecimento de alimentação e segurança é crítico. Ele disse estar confiante na melhora da situação até o fim desta semana e que o número total de mortos ainda é desconhecido.

Ban Ki-moon enfatizou que agora é preciso avaliação rigorosa das condições pós-desastre para que os amigos do Haiti possam trabalhar com o governo a reconstrução do país.

Fonte: Rádio ONU


ACNUR revela novos deslocamentos no leste da RD Congo

janeiro 26, 2010

Famílias em fuga

Porta-voz da agência das Nações Unidas diz acreditar que apenas uma pequena parte dos novos deslocados foram registados e que a grande maioria deve ter procurado refúgio com outras famílias ou então esconderam-se nas florestas com medo de retaliações.

A continuação de operações militares e atos de banditismo por parte de grupos armados na conturbada província do Kivu Norte, a leste da República Democrática do Congo, forçou milhares de civis a abandonarem as suas casas nos últimos dois meses.

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, ACNUR, Andrej Mahecic, disse esta terça-feira a jornalistas, em Genebra, que desde dezembro a agência das Nações Unidas registou mais de 15 mil novos deslocados.

Proteção e Assistência
Famílias em fuga disseram ao órgão que a situação é insegura e difícil nas suas aldeias na região ocidental da província onde operações militares e de pilhagem realizadas por grupos armados obrigaram civis a procurarem refúgio em outras áreas.

Mahecic disse que o ACNUR registou os novos deslocados em acampamentos situados perto de Kitchanga, uma região localizada a cerca de 150 kms de Goma, a capital de Kivu Norte. A nova onda de deslocamentos aumentou para cerca de 116 mil a população nos campos.

A agência da ONU está atualmente a gerir 47 acampamentos para deslocados na área, fornecendo proteção e assistência.

Violações Sexuais
O porta-voz do ACNUR diz acreditar que apenas uma pequena proporção dos novos deslocados foram registados e que a grande maioria deve ter procurado refúgio com outras famílias ou então esconderam-se nas florestas com receio de retaliações.

As Nações Unidas estimam em mais de 2 milhões o total de pessoas deslocadas no leste da República Democrática do Congo, onde intimidação, abusos de direitos humanos e violações sexuais são regularmente relatadas pela população local.

Fonte: Rádio ONU


Lei brasileira para refugiados é considerada exemplar

janeiro 25, 2010

Muitos refugiados no Brasil vêm de Angola

Eles vêm de Angola, Congo, Libéria, Uganda e nem sempre chegam ao Brasil de forma planejada. Com portas fechadas na Europa, refugiados passam a escolher cidades brasileiras para recomeçar a vida.

Ela prefere não se identificar por questões de segurança. Como uma das tantas mulheres africanas, Maria (nome fictício) teve que deixar seu país de origem para preservar sua vida. Nascida em Uganda, aos 43 anos, com quatro filhos, a assistente social abandou seu país acusada pelo governo de ser “rebelde”.

Maria escolheu o Brasil para se refugiar. “Eu sabia que teria muita dificuldade para ser aceita na Europa. O Brasil, para mim, era mais seguro.” Há sete meses ela espera o seu caso ser decidido pelo governo brasileiro. Maria viajou sozinha, deixou em Uganda os filhos de 20, 17, 16 e 11 anos.

A imagem de homens e mulheres africanos em embarcações superlotadas, que vagam pelo mar e tentam alcançar um continente diferente, não faz parte da história dos fugitivos que chegam ao Brasil. A cena dramática, tão comum nos países banhados pelo Mediterrâneo, está distante do imaginário brasileiro.

Os africanos que buscam um recomeço no Brasil chegam por vias convencionais, em voos comerciais, entre outros passageiros, como foi o caso de Maria. E são os africanos os primeiros da lista no número total de 4.240 refugiados no Brasil: correspondem a 64,8% do total.

Em vez de lotarem barcos, maioria dos refugiados chegam de avião

Opção para refugiados
O Brasil tem hoje uma população estimada em 192 milhões de habitantes – pouco mais de 4 mil são refugiados legais. “Essa proporção obedece a disposição geográfica brasileira. É difícil entrar aqui ilegalmente, tanto pelo mar quanto pela fronteira seca”, pontua Renato Zerbini, à frente da Comissão Nacional para Refugiados, Conare.

Por outro lado, o Brasil passou a receber mais africanos ao longo dos anos: “As fronteiras na Europa se fecharam. É quase impossível para os africanos desembarcarem lá… E há países que concedem cotas para refugiados, como a Itália. No Brasil não temos isso”, analisa o especialista.

Atualmente, refugiados de 75 diferentes nacionalidades vivem como cidadãos brasileiros: a maior parte vem de Angola. A lista aponta em segundo lugar refugiados da Colômbia, seguidos por nativos da República Democrática do Congo e Libéria. “Alguns deles escolhem viver no Brasil. Os jovens, por exemplo, são influenciados pelo futebol, ou pela música. Porque essa é a imagem brasileira refletida na África”, declara Renato Zerbini.

O caminho para a legalidade
Segundo as leis brasileiras, um estrangeiro que entra no país com documento falso não fica impedido de pedir refugio. O Comitê Nacional para Refugiados, criado em 1997, estabelece que qualquer pessoa que esteja fora do país de nacionalidade e que tenha um fundado temor de perseguição pode se refugiar no Brasil. “Muitos fogem sem documentos, cruzam territórios, não sabem nem para onde estão indo”, revela Zerbini.

Quando identificados, os fugitivos do país de origem prestam informações para a Polícia Federal do Brasil. Oficiais da Conare entrevistam o solicitante, que também é acompanhado pelo Acnur, agência das Nações Unidas para refugiados.

Até que o caso seja decidido, o candidato ao refúgio recebe um auxílio financeiro que pode chegar a um salário mínimo. Normalmente, os fugitivos ficam em albergues públicos e recebem ajuda da Cáritas, organização da igreja católica.

O julgamento de cada caso dura em média seis meses e a aceitação do pedido de refúgio varia de 35% a 55% no Brasil. “É uma média generosa comparada com outros países, que é de aproximadamente 30%”, compara Zerbini.

Amparado nas diretrizes das Nações Unidas, o Brasil não aceita aqueles que tenham cometido crimes contra a paz ou contra a humanidade, crime de guerra ou hediondo, que tenha participado de atos terroristas ou esteja envolvido com tráfico de drogas.

Na avaliação do órgão das Nações Unidas para refugiados no Brasil, a lei brasileira reflete bem a Convenção da ONU de 1951 que cuida do assunto. É, inclusive, considerada mais ampla que a própria convenção e se destaca por considerar a violação dos direitos humanos um fator que exclui os direito ao refúgio.

Angolanos refugiados no Brasil fugiram da guerra civil da década de 1990

Histórias dramáticas em território brasileiroOs arquivos do Conare também armazenam histórias dramáticas. Dentre elas, a de dois cubanos que, a bordo de um pequeno barco, chegaram em Santos – na costa sul do estado de São Paulo – pensando que estavam desembarcando em Miami, nos Estados Unidos.

Há também casos de africanos que chegam aos portos brasileiros na ilegalidade: alguns são descobertos em alto-mar. Há dois anos, pescadores de Natal, no nordeste brasileiro, resgataram em alto-mar refugiados amarrados a tambores. Eram três fugitivos que viajavam da África para o Brasil no porão de um navio e, quando descobertos, foram arremessados ao mar pelos marinheiros.

“Quando o navio aporta, as empresas são responsáveis pelos estrangeiros que estão a bordo. E quando tripulantes ilegais são encontrados, os marinheiros se livram deles para não terem que prestar conta ao governo do local onde vão desembarcar”, conta Zerbini

Tentativa de reencontro
“Quando um refugiado se sente seguro, a primeira coisa que faz é tentar encontrar quem ficou para trás.” O relato de Alexandra Aparício é baseado na sua história de família e na experiência profissional: a mãe dela se refugiou no Brasil fugindo do comunismo na China, em 1954. Depois de crescer vendo a angústia dos avós em busca de informações de parentes, Alexandra decidiu trabalhar para um órgão que presta serviço aos refugiados.

A Refugee United (RU), foi fundada em 2005 na Dinamarca e tem escritórios nos Estados Unidos e Brasil. A organização procura unir familiares com a ajuda da internet: em São Paulo, há duas salas com computadores disponíveis para refugiados fazerem buscas no site da RU.

Alexandra conta que ali surgem histórias emocionantes: Iona, da Etiópia, conseguiu encontrar a mulher por meio da RU. Ela estava na Inglaterra, depois de ter passado pelo Zimbábue e Botsuana. “Muitos que vêm aqui são africanos da Etiópia, Uganda, Guiné, Costa do Marfim”, conta Alexandra.

“Eles também vêm aqui para se sentirem acolhidos, para conversar, contar a história da mãe, pai, filhos que ficaram para trás”, conta Alexandra.

Segundo Renato Zerbini, os refugiados são bem acolhidos pelo povo brasileiro. “Eles chegam aqui achando que serão maltratados, afinal, é quase sempre assim nos países europeus. Mas a maioria consegue se integrar bem, eles arrumam empregos, estudam e fazem a vida aqui”, finaliza.

Fonte: DW-World


Leis severas de imigração podem aumentar tráfico de seres humanos

janeiro 24, 2010

Cerca de 80 pessoas ficaram feridas nos confrontos entre imigrantes e italianos (Foto: AFP)

Seguindo, paralelamente, a tendência de países como Suíça e França, o governo italiano vem endurecendo posturas e ações contra os imigrantes. No último dia 10, cerca de 1 mil imigrantes foram transferidos de suas casas e empregos, em Rosarno, na Calábria, para centros de refugiados ao redor da Itália.

Considerados ilegais pela gestão de Silvio Berlusconi, os imigrantes foram levados por causa de protestos nos quais reivindicavam legalizar sua situação e empregos garantidos pelo governo.

Mas, em meio a consequências da crise econômica, com escassez de empregos, o governo instaurou leis que complicam a renovação de documentos e a permanência deles no país.

A posição que a Itália vem tomando, para Deyse Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, reflete as políticas “fascistas” de Berlusconi. “A Itália, tolera, por exemplo, que membros da Liga Norte, cuja carta programática é essencialmente xenófoba e racista, organizem “patrulhas cidadãs”, lembra. A categoria citada foi criada pela nova legislação de imigração, em agosto de 2009, que permite a grupos de voluntários, avalizados pelas prefeituras, fazer rondas nas ruas das cidades para garantir a segurança pública.

Professor de direito internacional da UnB, Márcio Garcia, alerta para o fato de medidas como as tomadas pela Itália e por outros países da Europa estimulares a violência contra imigrantes e também o tráfico de pessoas.

“Quanto mais dificuldades encontram esses estrangeiros, mais se aproximam de pessoas que possam lhes ajudar, e aí começam a correr riscos de se tornar uma mercadoria no mercado negro de tráfico de pessoas e de trabalho escravo”.

Para Garcia, o envolvimento da máfia calabresa nos protestos pode ter relação. “Além do interesse de preservar a identidade europeia, podem estar querendo ganhar dinheiro com esses imigrantes que o governo não quer deixar entrar”, observa.

De acordo com estimativas da agência Reuters, há 8.000 imigrantes ilegais morando em fazendas sem luz e água em Rosarno. Os imigrantes, segundo grupos de direitos humanos, trabalham em colheitas de frutos e são explorados por organizações mafiosas como a Ndrangheta.

Terrorismo
Além de problemas de exclusão e risco de tráfico ou trabalho escravo, outro problema que leis cada vez mais restritas podem causar é, segundo Deyse, a formação de movimentos terroristas europeus contra os imigrantes. “Em um continente em que é disseminado o preconceito contra os imigrantes, parece-me mais provável que os xenófobos, e não os imigrantes discriminados, organizem-se sob a forma de células terroristas”.

A especialista toma como exemplo as ações violentas do governo francês em Calais. “Elas visam espalhar terror entre os imigrantes ilegais e na população local”, explica. “No lugar de promover a integração social e combater as redes de trabalho escravo para as quais são recrutados os imigrantes ilegais, a escolha da Europa é, claramente, a criminalização da imigração indesejada”.

1° de março
Ativistas que se opõem à postura do governo estão organizando para o dia 1° de março o “Dia Sem Imigrantes: 24h Sem Nós”, um movimento que surgiu na internet, já tem força na França e agora está ganhando adeptos na Itália.

Quem organiza é o grupo Primo Marzo 2010: Sciopero degli Stranieri (Primeiro de Março 2010: greve dos estrangeiros) e tem como objetivo um protesto pacífico para mostrar a importância do trabalho dos estrangeiros para a sociedade.

No dia 20 de março, o movimento Blacks Out, marca o Dia Sem Imigrantes, que terá inicio a partir das 0h01. Os manifestantes fizeram um vídeo que retrata como seria um dia sem imigrantes no país.

Fonte: Band


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.