Crise baixou pedidos de asilo

Só 85 estrangeiros pediram ajuda a Portugal até julho de 2009, um número inferior aos dois últimos anos

“O que eu gostava de ser era nadador-salvador aqui em Portugal”, diz Chamimda, de 24 anos, que foi obrigado a vir para Portugal e assim fugir ao poder vigente do país onde nasceu, o Sri Lanka. Para trás, deixou a mulher e o filho de três anos. Essa distância é uma das maiores mágoas que o jovem refugiado guarda dentro dele. Este habitante do Sri Lanka foi um dos recebidos pelo Centro Português para os Refugiados (CPR) em outubro de 2009, dos 30 que o nosso país acolheu no ano passado.

Até junho de 2009, aquele centro recebeu pedidos de ajuda de 85 refugiados. Um número inferior ao do período homólogo de 2008, que até Junho tinha registado 93 solicitações de asilo, das 161 do total do ano. A queda ainda é maior quando comparada com os dados de 2007. Nesse ano foram feitos 125 pedidos no primeiro semestre e 200 (recorde até agora) no ano inteiro.

A diminuição está relacionada, admite Teresa Tito de Morais, presidente daquele centro, com a crise. ” A situação econômica e financeira do país não é a mais favorável.” A responsável lembra que a situação geográfica “aqui na ponta da Europa” também tem influência. Além disso, a responsável sublinha que os controles que estão sendo feitos para a vinda para Portugal são cada vez mais apertados, o que desencoraja os pedidos de asilo.

Já o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) explica que 2009 é apenas “o regressar à normalidade”, visto que em 2007 e 2008 é que houve um aumento significativo do número de pedidos de asilo”, explica fonte oficial do SEF.

Indiferente às razões para que menos pessoas façam pedidos de asilo como ele, Chamimda diz que veio para salvar a sua vida. “Aqui sinto-me seguro”, explica o habitante do país com 19 milhões de pessoas conhecido por Ceilão até 1972. E já tem projetos: “Quero conseguir trazer a minha mulher e o meu filho para cá e ficar por aqui. Gosto do país. Tem sol, mar e eu gostava mesmo de salvar pessoas.” E com os olhos a brilhar conta: “Ainda há uns dias salvei uma criança com cerca de cinco anos que estava a afogar-se no lago do centro. Eu sabia o que fazer porque tinha tido um curso de primeiros socorros. Senti que fiz algo importante.”

No centro, Chamimda sente-se bem, sente-se feliz, embora incompleto. Já fez amigos, especialmente os outros dois refugiados que chegaram ao centro na Bobadela ainda este ano, também do Sri Lanka.

A maioria dos refugiados vem do continente africano. Mauritânia e Eritreia foram os países de onde veio um maior número de pedidos de asilo, seguidos da Colômbia e Guiné-Cronacri e Índia.

“Os refugiados aqui recebem cerca de 200 euros por mês”, explica Teresa de Morais, dando os detalhes do apoio financeiro.

“Recebem 30 euros por pessoa por semana e depois o subsídio de transporte para o passe social, dinheiro para conseguir documentação, para medicamentos ou quaisquer despesas médicas, para comprar cartão para telefonar e ainda para despesas com a Net”, explica Teresa Morais. Atualmente estão instalados 42 refugiados.

“São todos muitos simpáticos e tratam-nos muito bem e isso é bom”, conta Chamimda, que, no Sri Lanka, desempenhava o cargo de secretário do partido UNP, partido da oposição, que o ajudou a pagar o bilhete de avião para fugir do país.

Fonte: DN Portugal

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