Israel propõe troca de terras árabes por colônias judaicas

O vice-ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Dani Ayalon, propôs que, no caso de um acordo de paz, o futuro Estado palestino inclua áreas de Israel onde vivam muitos árabes em troca da anexação de colônias judaicas na Cisjordânia.

“Os árabes israelenses (palestinos com cidadania israelense) não perderão nada unindo-se ao Estado palestino. Em vez de dar aos palestinos terras vazias no (deserto de) Neguev, oferecemos a eles uma terra cheia de residentes que não terão que deixar suas casas”, disse Ayalon em uma entrevista publicada neste sábado pelo jornal árabe “Asharq al-Awsat”.

O vice-chanceler afirmou ainda que “pedir a Israel que detenha a construção dos assentamentos é como pedir aos palestinos que renunciem ao direito de retorno dos refugiados”.

A ampliação das colônias judaicas é ilegal, de acordo com o Direito Internacional, e viola o Mapa de Caminho, o plano de paz do Quarteto de Madri (Estados Unidos, ONU, União Europeia e Rússia).

Por outro lado, o direito de retorno dos refugiados palestinos, que somam entre 4,5 e 7 milhões, segundo os critérios empregados em seu cálculo, é reconhecido na resolução 191 das Nações Unidas, embora as últimas negociações não tenham debatido nada além da volta de algumas dezenas de milhares deles.

Ayalon, do partido Israel Beiteinu, liderado pelo chanceler Avigdor Lieberman, ressaltou que espera “solidariedade nacional” dos israelenses, “tanto judeus como não judeus”.

“Respeitamos os árabes tanto quanto esperamos que eles nos respeitem. Não temos nada contra eles. Estamos falando de uma troca de terras. Por que não? Se os árabes em Israel dizem que estão orgulhosos de ser palestinos, por que não deveriam estar orgulhosos de ser parte de um Estado palestino?”, acrescentou.

Fonte: European Pressphoto Agency

2 respostas para Israel propõe troca de terras árabes por colônias judaicas

  1. Sérgio Sinenberg disse:

    O Estado de Israel e a “Nekbah” palestina

    A Partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel em 1948, são chamadas de “nekbah” (tragédia, catástrofe) pelos palestinos.

    Considerando que o Império Turco Otomano exerceu sua soberania desde o século XV até 1918 sobre os territórios (entre outros) que hoje pertencem ao Estado de Israel (incluindo os conquistados na Guerra dos Seis Dias), posto que a Turquia perdeu-os para as potencias que venceram a 1ª Guerra Mundial.

    Levando em conta que o Reino Unido teve que “sair” (bater em retirada realmente) em 1948, após 30 anos do Mandato Britânico, desses territórios (e também de outros) por eles colonizados, quando foi criado o Estado de Israel e dada a mesma oportunidade aos árabes para criar um estado palestino independente, pacificamente.

    Ainda contando com que a Cisjordânia e Jerusalém Leste faziam parte do Reino Hashemita da Jordânia e que a Faixa de Gaza era um território egípcio e não palestino, me permitam fazer as seguintes perguntas a quem quiser respondê-las:

    1ª. Quando na História Antiga ou Moderna houve alguma coisa que possa ser chamada de Reino, País ou Estado Palestino árabe? *

    * Os romanos deram o nome de “Palestinae” ao milenar País dos Judeus (ou Hebreus), cujo verdadeiro nome era Israel desde os tempos bíblicos, muito antes dos romanos. Também chamaram de “Gália” à atual França e assim por diante.

    2ª. Que estado árabe palestino existia antes da criação do Estado de Israel em 1948?

    3ª. Quais eram os territórios independentes e autônomos que estiveram alguma vez sob a soberania de um povo autodenominado de palestino? Quais seus limites geográficos? Que historiadores antigos árabes os reconheciam e os mencionaram alguma vez?

    4ª. Qual foi sua capital histórica, sua bandeira nacional, seu idioma exclusivo, seu hino nacional ancestral?

    5ª. Por acaso os habitantes “nativos” da Cisjordânia não eram súditos da monarquia jordaniana? Ou era um povo especial que desfrutava de soberania política e territorial mesmo sendo súditos da Turquia, antigamente e do Rei da Jordânia, posteriormente, até junho de 1967 ?

    6ª. Quando o “povo palestino” reivindicou a criação do seu estado independente durante o domínio do Império Turco, durante o Mandato Britânico ou nos dias da hegemonia jordaniana, entre 1948 e 1967?

    7ª. Quais as estruturas sociais, culturais e políticas palestinas, já existentes de antes, que foram danificadas pela chegada dos judeus do mundo inteiro à Terra de Israel?

    8ª. A chegada dos “invasores” judeus trouxe atraso ou progresso aos territórios que hoje fazem parte de Israel? A população árabe (muçulmana ou cristã) foi impedida de praticar sua religião, de manter suas tradições, de ganhar seu sustento? Houve Leis Raciais contra eles? São discriminados os árabes israelis? Andam com uma meia-lua amarela costurada nas vestes ou desfrutam da plena cidadania israelense?

    9ª. Esteve a população árabe, sob domínio turco, britânico ou do rei da Jordânia, melhor que hoje, em algum aspecto da sua vida, antes da chegada dos judeus à Terra Prometida?

    10ª. Esqueceu-se o mundo que o Estado de Israel foi referendado e “autorizado a existir” (embora já existisse de fato) pela Assembleia Geral das Nações Unidas, presidida pelo imortal brasileiro Oswaldo Aranha, em 1948, dando a mesma chance aos árabes da região para criar um Estado Palestino, que não quiseram criar, preferindo matar e/ou expulsar a todos os judeus que lá moravam?

    Estas perguntas não querem calar e se os antisionistas, os antiisraelis e os antijudeus em geral, as respondessem com honestidade, imparcialidade e conhecimento histórico real dos antecedentes e o desenrolar dos acontecimentos históricos
    que levaram à Partilha da Palestina e à posterior criação do Estado de Israel, seria um ótimo começo para a solução do impasse do problema israelo-palestino.

    A verdadeira “nekbah” palestina foi a não aceitação da Partilha da Palestina em dois
    estados, a tentativa frustrada, graças a Deus, de destruir Israel e “matar todos os judeus” na criação do Estado Judaico, em 1948.

    Mas a pior de todas as “nekbahs” foi a recusa dos próprios árabes da região de criar seu próprio estado, em 1948, nos territórios que as Nações Unidas determinaram, como fez Israel. Em lugar disso, tentaram e continuaram tentando, sem sucesso, até hoje, a destruição de Israel, o que para eles é muito mais importante que a criação da sua própria nação, que nunca fizeram questão de realizar, quando não existia o Estado de Israel.

    Se para os palestinos o seu estado nacional independente fosse realmente importante e um consenso histórico real, teriam tentado realizá-lo alguma vez na História: no fim do Império Romano ou antes da chegada dos turcos otomanos ou na sua saída, em 1918 ou na retirada dos ingleses, em 1948, como fizeram os judeus, seguindo a determinação das Nações Unidas, que era válida para eles também.

    Quando os ingleses se retiraram do subcontinente indiano, líderes honrados e confiáveis de ambos os lados tiveram a necessária habilidade e boa fé de criar dois estados democráticos e independentes: Índia e Paquistão. Isto também foi feito com o aval das Nações Unidas e das potencias mundiais da mesma época. Esse era o caminho correto, mas os palestinos não tiveram as boas lideranças dos indianos e dos paquistaneses. Esta foi a sua grande nekbah, na qual Israel não teve a menor responsabilidade.

  2. Sérgio Sinenberg disse:

    Comentários sobre devolução de territórios e a criação do estado palestino.

    Perder territórios é um dos riscos que corre um país que ataca um outro que se defende (“Da Guerra”, Karl von Clausewitz). Jordânia foi derrotada e assim perdeu o controle (não a soberania, pois nunca a teve) sobre Jerusalém Leste e toda a “Cisjordânia”, ao atacar Israel conjuntamente com Síria e Egito, em junho de 1967, com o intuito de destruir todo Israel e não apenas suas forças armadas. Queriam invadir e usurpar todo o território israelense, oriundo da criação do Estado de Israel, referendada pela Assembléia Geral das Nações Unidas.

    Dar aos palestinos de mão beijada Jerusalém Leste (assim como a Cisjordânia), é negar o resultado da Guerra de Junho de 1967 e as causas que levaram a ela. As rodas dentadas da História não voltam atrás.

    Que ninguém esqueça, por favor, que os árabes nunca aceitaram a Partilha da Palestina e depois a Proclamação da Independencia do Estado de Israel. Logo, é incrivelmente cínica e falsa a reivindicação deles e dos que os apóiam, que Israel deveria “voltar às fronteiras vigentes até antes da Guerra dos Seis Dias”, considerando que os árabes nunca reconheceram nem aceitaram essas fronteiras. É barganha de mercador barato, para tentar “enganar o cliente” no suk (mercado árabe), só que não funcionará, pois “o cliente” está alerta e não cairá nessa armadilha vil e desonesta para onde tentam empurrá-lo os palestinos e seus aliados, alguns deles com as melhores intenções, mas poucos conhecimentos da História Antiga e recente da região.

    Os países que conquistaram territórios de outros estados e povos por meio de invasões militares e anexações, jamais devolveram nem sequer parcialmente, as terras conquistadas pela força das armas, com ou sem razão.

    O mundo considera isto como “normal”, pois segue as Leis da Guerra (*). São as práticas costumeiras da humanidade ao longo da História:

    China invadiu e anexou o Tibet sem pedir licença a ninguém.
    Inglaterra não pretende restituir as Ilhas Malvinas à Argentina e tampouco abre mão da Irlanda do Norte.
    Os Estados Unidos nunca cogitaram devolver a Califórnia e o Texas ao México. A Rússia considera-se a dona legal das Ilhas Kurilas, conquistadas ao Japão na 2ª Guerra Mundial.
    Os franceses sentem-se donos de parte da Polinésia e da Guiana “francesa”, na América do Sul.
    Ninguém questiona o direito do Chile para “construir casas e ampliar cidades” nas províncias de Tarapacá e Atacama, que eram do Perú e da Bolívia até a Guerra do Pacífico, vencida pelo Chile.
    Espanha não planeja atender aos anseios de emancipação política e territorial do País Basco e da Catalunia.
    Turquia (o primeiro ministro Erdogan, para sermos justos), permite-se censurar e criticar Israel em altos brados pela guerra de Gaza de 2008/2009, mas massacra os curdos até além da fronteira iraquiana, totalmente insensível às iniciativas libertárias deles para a criação de um estado curdo. Aliás, até hoje os turcos não pediram perdão oficialmente e, muito menos, indenizaram os Armênios pelo genocídio cometido contra eles a começos do século 20. Nem sequer admitem seu crime contra a humanidade. Que dupla moral é essa???

    A lista é interminável. E a total falta de pudor dos críticos de Israel é escandalosa.
    Exíje-se dos israelenses o que ninguém fez nunca: que devolvam territórios conquistados ao inimigo em guerras de sobrevivência. Que permitam a criação de um estado palestino sem a menor garantia que, depois de criado, os grupos terroristas não o usem como base de operações para tentar destruir Israel, como já o fazem Hezbolláh, desde o Sul do Líbano e Hamás, desde Gaza. Que cedam aos palestinos um pedaço da sua capital, etc.

    (*) “Da Guerra”, Karl von Clausewitz.

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