ACNUR começa a transferir refugiados somalis para campo na Etiópia

Refugiados somalis descem de um caminhão da ONU ao chegar num centro de trânsito em Dolo Ado. (Photo: P.Wiggers/ ACNUR)

A agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) começou a realocar refugiados somalis, que estão em um centro de trânsito no leste da Etiópia, para um novo campo a cerca de 65 quilômetros distante. O primeiro comboio, com 11 ônibus e 2 caminhões com bagagens, transportou 247 refugiados somalis na última sexta-feira, de Dolo Ado para o campo de Melkadida.

Os refugiados fugiram temendo a situação de fragilidade da segurança e o acesso limitado da assistência humanitária nas regiões central e sul da Somália, nas últimas semanas. Eles fazem parte de um grupo de sete mil somalis que recentemente foram reconhecidos como refugiados pelo governo da Eitópia, com apoio de especialistas do ACNUR.

Melkadida é o segundo maior campo no sudeste da Etiópia e o quinto do país, acomodando refugiados somalis. O maior campo no sudeste da Etiópia, Bokolmanyo, aberto em abril do ano passado para abrigar 20 mil refugiados, já alcançou sua capacidade máxima.

O terreno de Melkadida, no qual foi construído o novo campo, foi fornecido pelas autoridades locais e tem capacidade para outros 20 mil refugiados. O ACNUR e seus parceiros estão expandindo a infra-estrutura básica, incluindo água e serviços sanitários, um centro de saúde, instalações comunitárias básicas e um centro infantil. Também é planejado o estabelecimento de escolas e outras instalações e serviços no local.

Após chegar em Melkadida, os refugiados passam três dias em uma área de recepção e, então, são alojados em suas respectivas tendas. Até que abrigos permanentes sejam construídos, foram montadas tendas no campo. Os refugiados recebem comida, lençóis, equipamentos de cozinha e mosquiteiros. O plano é realocar 500 refugiados por semana do centro de trânsito para o novo campo.

A região somali da Etiópia já abriga mais de 60 mil refugiados somalis em quatro campos – Au-Barre, Bokolmanyo, Kebribeya and Sheder. Cerca de 200 somalis chegam à Etiópia diariamente, e o ACNUR já planeja novos campos na área de Melkandida.

Durante o pico da crise dos refugiados somalis no início dos anos 1990, a região abrigou 628 mil refugiados em oito campos. A maioria desses refugiados retornou para suas casas entre 1997 e 2005, e todos os campos, menos um, foram fechados. Três novos campos tiveram de ser abertos na Etiópia em 2007, 2008 e 2009 devido a novos conflitos na fronteira com a Somália.

O contexto por trás disto é uma situação em Mogadíscio em que cerca de 13,6 mil pessoas tiveram que deixar suas casas nas últimas duas semanas, em resultado de conflitos entre tropas do governo e grupos armados da oposição. Ao menos 50 pessoas foram mortas e mais de 100 ficaram feridas desde a intensificação do conflito.

Enquanto isto, o ACNUR está organizando a distribuição de itens de emergência, incluindo tendas, lençóis, equipamentos de cozinha e itens sanitários e de higiene para 18 mil pessoas deslocadas em vilas ao redor de Dhussammarebb, no centro da Somália, onde mais de 28 mil pessoas foram deslocadas em janeiro após nova onda de conflitos entre as milícias Alu Sunna Wal Jamma e Al-Shabaab no início deste ano.

Por Kisut Gebre Egziabher em Adis Abeba, Etiópia e Roberta Russo em Nairóbi, Quênia

Fonte: ACNUR

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