Se ficar o bicho come, se correr o bicho cansa

Perseguições fizeram a família de Yo mudar-se três vezes de país até encontrar paz no Brasil

As esculturas orientais na mesa do consultório do homeopata e acupunturista Yo Tik Swan, 56 anos, em Sorocaba, remetem à sua trajetória familiar. Vítima da intolerância racial, religiosa e política que motivou perseguições e até ameaças de morte, sua família mudou-se três vezes de país até, enfim, criar raízes no Brasil.

A família Yo (o sobrenome vem antes dos nomes) vivia do comércio no sul da China. No começo do século 20, seu avó liderou filhos e netos num êxodo rumo à Indonésia motivado pelo comunismo. “Quem tinha posses, passou a ser perseguido”, relembra o médico, baseado nos relatos do avô.

O pai de Yo nasceu, estudou e concluiu ensino superior – um privilégio – na Indonésia. Na área farmacêutica, trabalhou em uma multinacional e tinha bom salário, carro com chofer e babás para os filhos. Na década de 1950, no entanto, o pós-guerra deu início a turbulências sociais na Indonésia, onde uma falsa democracia ocultava a forte ditadura militar. A pressão contra o povo, somada à falta de oportunidades, trouxe à tona a repulsa a estrangeiros. “Saqueavam casas de chineses e os matavam. Apesar de meu pai ser indonesiano, os traços ainda eram fortes. Nos viam como inimigos que roubavam empregos”. Para salvar riquezas pensando num recomeço, o pai de Yo chegou a enterrar jóias no quintal.

Educar filhos era a meta de uma vida
A gota d’água para a família Yo deixar a Indonésia veio quando o governo militar proibiu chineses e descendentes a cursarem universidades públicas. Foi então que Yo, os pais e os três irmãos se mudaram para Cingapura, onde desta vez, esbarraram na intolerância religiosa.

“A maioria era muçulmana e sempre fomos cristãos. Havia preconceito. Foi então que chegaram as primeiras cartas de amigos indonesianos que tinham se refugiado no Brasil”, conta. “Nos venderam a ideia de um país que recebia de braços abertos a quem quisesse trabalhar. Meu pai chegou aqui como motorista de táxi e conseguiu se levantar.”

Às lágrimas, Yo diz que foi no Brasil que seu pai realizou o sonho de educar os quatro filhos. “O Brasil é o final feliz para nossa história. É por isso que me sinto mais brasileiro que um brasileiro.”

Fonte: Rede BOM DIA

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