A vontade de independência do povo saarauí

Foto: Júlio Barulho

A TVI foi ao sul da Argélia conhecer a situação de um território que continua anexado por Marrocos. É uma espécie de Timor africano

Há 34 anos, os independentistas proclamaram democrática a República Árabe Saarauí, mas três décadas e meia depois, a antiga colônia espanhola continua ocupada por Marrocos.

As populações que fugiram à invasão vivem desde 1975 em campos de refugiados no sul da Argélia. São 160 mil saarauís dependentes da ajuda internacional. Vivem em condições precárias, em acampamentos no deserto, que uma equipe de reportagem da TVI foi conhecer.

Os meninos refugiados sonham com o futuro. Nas escolas dos campos de Hamada, o deserto da morte, aprendem também a esperança. A mesma esperança que alimenta os seus pais e avós, fugidos há 35 anos do invasor.

A guerra acabou, mas nem a paz, nem as Nações Unidas conseguiram devolver o Saara Ocidental aos saarauis. Ao Timor africano, falta cumprir o sonho de se tornar um país.

Ausserd e Smara, os campos mais próximos de Tindouf, onde aterramos, ficaram para trás. Em pleno deserto, temos à nossa frente a imensidão de Dajla. Não a Dajla à beira-Atlântico, no Saara ocupado, mas o acampamento batizado com o nome da cidade, proibida há 35 anos para estes saarauis. Todas as Willayas e Dairas (províncias e municípios) onde vivem os refugiados têm, aliás, nomes de cidades ocupadas por Marrocos.

Esforço pelas crianças
Na rua, as crianças são uma nota de cor sempre presente. Não há consolas e computadores, nem brinquedos modernos. A estes meninos sobra-lhes imaginação e areia. Muita areia para brincar.

Mas o tempo dos mais novos não se enche apenas de brincadeiras, porque a escola é obrigatória em todos os acampamentos. Só na Willaya de Dajla há doze mil alunos. A ocupação dos jovens torna-se um problema quando terminam os estudos. E, no caso dos rapazes, não têm ainda idade para ingressar no exército.

Noutra escola de Dajla, não há crianças no pátio, nem nas salas. O complexo está sendo reconstruído com dinheiro de Portugal, angariado pelo Conselho Português para a Pás e Cooperação junto de Câmaras Municipais apoiantes da auto-determinação do povo saarauí.

O projeto custou 30 mil euros e os trabalhos de recuperação da escola, que será inaugurada em abril, com 300 alunos, deram emprego a uma dúzia de operários recrutados entre os refugiados de Dajla.

Todos os campos evidenciam a organização concebida a nível político pela Frente Polisário e igualmente o papel central na gestão diária exercido pela mulher saarauí. Pouco habitual, aliás, nas sociedades islâmicas. Setenta e cinco por cento dos seus habitantes têm menos de 35 anos, são jovens que nunca conheceram o seu país. Nasceram e vivem numa terra emprestada, longe das suas raízes.

“Eles apelam para o regresso à luta armada hoje. Não vos vou esconder que hoje há decepção entre todo o povo saarauí. Decepção com a ação das Nações Unidas, que nos asseguraram em 1991 que iriam organizar um referendo em menos de um ano e hoje estamos aqui, 18 anos depois, sem termos tido sequer esse referendo”, desabafa, Mohamed Abdelaziz, presidente da República Árabe Saaraui Democrática, proclamada em 1976 pela Frente Polisário, o movimento independentista que resistiu ao regime colonialista espanhol e depois aos ocupantes mauritanos e marroquinos.

A República é reconhecida por mais de 80 países em todo o mundo, sobretudo em África e na América Latina. Nas Nações Unidas consta ainda como território por descolonizar, mas para Marrocos esta terra é apenas a extensão do seu reino para Sul. 130 mil soldados marroquinos vigiam um muro que divide o território.

No final de 2009, Aminatu Haidar, ativista pró-independência, relançou o Saara Ocidental na atualidade das notícias. A sua greve de fome, durante 32 longos dias, em pleno aeroporto de Lanzarote, parece afinal não ter chegado para atrair definitivamente as atenções do mundo para a luta do povo Saarauí.

Fonte: IOL Diário

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