Cerca de 3 mil fogem da Nigéria após massacre de cristãos

Nigerianos protestam contra falta de segurança e liderança; conflitos foram frequentes na última década

Casas foram destruídas nos ataques (Foto: Jon Gambrell/AP)

Quase 3 mil pessoas fugiram da Nigéria para países vizinhos depois do massacre que deixou centenas de cristãos mortos em povoados no centro da nação africana no último final de semana, informaram nesta quinta-feira, 11, a Cruz Vermelha nigeriana e a internacional.

A entidade, que distribui água e alimentos para cerca de 5 mil pessoas que se refugiaram nas delegacias da cidade de Jos e nas proximidades, informou que milhares de pessoas estão deixando o estado de Bauchi. Esses refugiados se juntarão às cerca de 3,800 pessoas que saíram da região por conta dos violentos conflitos de janeiro, quando 300 pessoas, sendo a maioria muçulmanos, morreram.

Pelo menos 200 pessoas, a maioria cristãos, foram assassinados no domingo, de acordo com testemunhas locais, grupos de ajuda e jornalistas. Entre as vítimas, havia dezenas de crianças e mulheres. Os moradores dos locais atacados acusaram a Polícia e as forças militares de não fornecer segurança.

Na quinta-feira, milhares de pessoas foram às ruas protestar. Elas carregavam Bíblias e cruzes, além de galhos cheio de folhas, um sinal tradicional de protestos no país. As reivindicações eram contra a “liderança invisível” no país, fazendo alusão ao vice-presidente Goodluck Jonathan, que assumiu o lugar de Umaru Yar’Adua, mandatário que esteve fora do cargo por problemas de saúde.

A Nigéria é praticamente dividida entre os muçulmanos do norte e os cristãos do sul. Os recentes conflitos têm acontecido no centro do país, onde dezenas de grupos étnicos lutam pelo controle das terras férteis nigerianas

Na última década, vários conflitos estouraram na Nigéria e deixaram milhares de mortos. Em setembro de 2001, enfrentamentos fizeram mais de mil mortos. Batalhas entre cristãos e muçulmanos deixaram outras 700 vítimas em 2004 e em 2228, em um episódio similar, 300 nigerianos morreram.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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