Médicos refugiados não podem praticar a profissão

Dina Khoshbin finalmente passou no exame. A ‘nova’ médica afegã suspira enquanto explica quão exausta está: “Depois de nove anos de trabalho duro, finalmente consegui o direito de trabalhar como médica na Holanda.”

Entretanto, números recém-divulgados mostram que ela é uma minoria, pois nos últimos anos quase nenhum médico estrangeiro refugiado conseguiu a licença para exercer a profissão na Holanda – apesar da necessidade crescente de médicos no país.

Até pouco tempo, quase todos os médicos que chegavam à Holanda como refugiados podiam fazer um curso adicional e começar a trabalhar em sua área. Desta maneira, o país ganhou mais de 400 médicos desde 1997. A maioria deles veio do Afeganistão, Iraque, Irã ou da antiga Iugoslávia. Eram muito bem recebidos, uma vez que o país tem um número crescente de idosos e aposentados, sendo grande parte deles médicos.

A barreira da língua
Médicos de fora da União Européia não podem simplesmente começar a clinicar na Holanda. Eles são obrigados a fazer um curso complementar de uma escola de medicina. Em 2005, o Ministério da Saúde holandês reforçou os procedimentos de admissão, de tal forma que – de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação para Estudantes Refugiados (UAF) – apenas um pequeno número de médicos foi licenciado para clinicar na Holanda desde então.

O novo procedimento tem duas etapas. A primeira envolve o idioma holandês e habilidades de comunicação, e a segunda testa conhecimentos médicos básicos. Segundo o relatório da UAF, quase todos falharam na primeira etapa.

A pesquisadora da UAF, Petra Veltman, diz: “O novo procedimento é bem-intencionado, mas é extremamente difícil […] O ministério elaborou os novos critérios de admissão de tal forma, que é um pouco como construir um belo apartamento no terceiro andar, mas esquecendo-se de colocar uma escada para chegar lá.”

Basicamente, ela quer dizer que não existe uma preparação sólida de idioma e comunicação disponível. Isso seria essencial, uma vez que os estudantes têm que conciliar os cursos com um emprego em tempo integral e, em muitos casos, tomar conta da família. “Devido ao fato das suas qualificações médicas não serem reconhecidas aqui, eles acabam fazendo trabalho domiciliar no nível mais baixo ou trabalham como faxineiros”.

Conhecimento médico
A segunda etapa do novo procedimento envolve testar o conhecimento e as habilidades do candidato em diferentes áreas médicas.

A médica afegã Dima Khoshbin descreve o procedimento: “Ginecologia, dermatologia, otorrino, gastro, pneumo, pediatria, cirurgia. Eu fui testada em praticamente tudo.” Ela ainda é relativamente jovem, mas a maioria dos médicos não-europeus terminou sua formação há muito tempo e estão ansiosos para preencher os requisitos holandeses.

Nusret Vlashi (43), do Kosovo, decidiu abandonar o processo. Ele fugiu para a Holanda em 1999 e demorou oito anos para conseguir uma autorização de residência, para só então poder iniciar o processo de admissão. Foi uma espera muito longa para ele.

“Uma pessoa holandesa tem 212 ossos, assim como alguém do Kosovo. É muito simples para mim.”

Muitos médicos refugiados acabam decidindo não fazer os novos testes e resignam-se a aceitar empregos na área de saúde que estão muito abaixo de seu nível.

Enquanto isso, o número de vagas no setor está crescendo rapidamente. Nos últimos três meses de 2009, havia 853 vagas para clínicos-gerais e 761 vagas para especialistas. Há também uma demanda particularmente urgente para especialistas em geriatria.

Fonte: Rádio Nederland Wereldomroep

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