Cerca de 1 milhão de pessoas seguem refugiadas no Paquistão

Quase um ano após uma operação antitalibã do Exército que causou o maior êxodo de população civil na história do Paquistão, 1,37 milhão de pessoas ainda se encontram longe de seus lares por causa dos conflitos armados.

Enquanto isso diversas organizações humanitárias pedem que o conflito não fique no esquecimento.

“A crise está longe de ter sido resolvida. Centenas de milhares de pessoas continuam precisando de ajuda desesperadamente”, advertiu nesta quinta Caitlin Brady, presidente do Fórum Humanitário do Paquistão (PHF), que agrupa diversas ONGs.

Na primavera de 2009, o Exército lançou uma grande ofensiva contra os talibãs no vale de Swat no norte do país e nos distritos vizinhos a província de Khyber-Pakhtunkhwa forçando mais de dois milhões de pessoas a abandonarem seus lares.

Em julho, a maiorias dos refugiados começaram a voltar a suas casas, mas desde então as forças de segurança lançaram várias operações mais no noroeste e no cinto tribal fronteiriço com o Afeganistão.

As ofensivas mais recentes, iniciadas no fim do inverno no hemisfério norte nas regiões tribais de Orakzai e Kurram, provocaram um êxodo de pelo menos 307 mil civis, enquanto outras 280 mil pessoas seguem desde o outono longe de suas casas em Waziristão do Sul, e mais do dobro das de Bajaur e Mohmand, onde anteriormente se registraram operações militares.

Segundo o PHF, a situação humanitária nos distritos que acolheram estes refugiados “é cada vez mais desesperadora”, pois cerca de 90% estão na casa de familiares, amigos ou optaram por alugar seus próprios imóveis.

“Muitas casas estão sendo compartilhadas por até dez famílias, com um pobre acesso a água corrente e a serviços médicos”, denunciou o comunicado, que acrescenta que “outros se alojam em campos que frequentemente estão saturados”.

Em fevereiro as Nações Unidas e o Governo paquistanês pediram à comunidade internacional US$ 537 milhões para poder atender às necessidades de assistência humanitária dos refugiados durante o primeiro semestre de 2010.

Mas por enquanto só chegaram US$ 108 milhões. Outros US$ 62 milhões foram prometidos, embora sem uma data de entrega, segundo uma fonte do organismo multilateral consultada pela Agência Efe, que lamentou que a tendência a esquecer o conflito seja frequente.

“O que podemos fazer se estão ocorrendo muitas coisas ao mesmo tempo em outros lugares do mundo como o Haiti?”, observou a fonte da ONU.

Para Hasham Babar, vice-secretário do Partido Nacionalista Awami, que lidera o Governo provincial em Khyber-Pakhtunkhwa, outro grande problema é a existência de “muitos gargalos, processos burocráticos na ONU e nos EUA que entorpecem” a gestão da ajuda recebida.

A fonte disse à Efe que seria conveniente criar autoridades reguladoras da assistência mais eficazes já que trata-se de um conflito no qual não é possível arriscar um final próximo.

“A estabilização (das zonas afetadas pela insurgência) se prolongará durante pelo menos três anos. Ninguém sabe bem quando isso irá acontecer, e só quando conseguirmos a estabilização poderemos dar início à reconstrução”, ressaltou Babar.

Enquanto isso o comando militar paquistanês já pesa a possibilidade de iniciar um processo de retorno a algumas regiões tribais em escala similar ao levado a cabo em Swat.

Segundo o porta-voz do Exército, Athar Abbas, em Bajaur “a situação está sob controle” – algo que já foi afirmado no começo de 2009 – e os refugiados poderão voltar a seus lares a partir do dia 25 de abril, ao tempo que em Waziristão do Sul, onde “ainda restam pequenos focos de resistência” talibã, isso deve acontecer seguramente em maio.

“Se damos sinal verde ao retorno é porque o Exército autoriza e acredita que tem o controle da situação”, disse uma fonte de inteligência ocidental à Efe.

Mas a fonte advertiu que nas zonas reabilitadas seguirão sendo registrados fatos violentos com frequência devido à guerra de guerrilhas à qual a insurgência recorre.

Fonte: European Pressphoto Agency

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