Ataques do LRA causam morte e deslocamento na África Central

Fonte: ACNUR

Civis fogem dos ataques do Exército de Resistência do Senhor na República Democrática do Congo. (Foto: P. Taggart/ ACNUR)

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está preocupada com os relatórios do aumento dramático e da brutalidade dos ataques realizados pelos rebeldes ugandeses do Exército de Resistência do Senhor (LRA, em inglês) contra civis na República Democrática do Congo (RDC), no Sudão e na República Centro Africana (RCA).

Entre 20 de março e 6 de maio, houveram pelo menos dez incursões do LRA em vilas da província de Haut-Mbomou, na RCA. Mais de 35 pessoas foram mortas, casas foram queimadas e 10 mil pessoas foram deslocadas, incluindo 411 pessoas que fugiram cruzando a fronteira para a RDC. Os novos deslocados estão concentrados nas cidades de Bangassou, Rafai, Zemio e Mboki.

No leste da RDC, relatos informam que os últimos ataques do LRA ocorreram entre os dias 22 e 26 de fevereiro, em Kpanga no distrito de Bas-Uele da província Oriental. O LRA é acusado de ter matado 100 pessoas, incluindo crianças. Essa é uma área que vem sofrendo continuamente com a violência do LRA.

No Sudão, os ataques do LRA se concentraram no centro e no oeste da região de Equatoria, que faz fronteira com Uganda, RDC e RCA. Desde agosto de 2009, o LRA realizou diversas incursões, obrigando os refugiados a serem realocados e deslocando a população local, além de interromper o movimento da assistência humanitária.

No dia 6 de abril, o grupo rebelde invadiu o acampamento de refugiados de Ezo Napere, na região oeste de Equatoria, matando um homem refugiado e machucando a outro. O ataque foi repelido pela força policial do Sudão do Sul. Gangues nômades de combatentes do LRA saquearam vilas em áreas remotas. Por isso muitas das atrocidades cometidas pelo grupo permanecem desconhecidas por longos períodos.

O epicentro das atrocidades do LRA está nos distritos de Haut-Uele e Bas-Uele, na província Oriental, onde já foram registrados 1.800 mortes, 2.500 sequestros e 280 mil deslocamentos forçados, desde dezembro de 2008. Além disso, cerca de 20 mil congoleses foram forçados a se refugiar no Sudão e na RCA.

No Sudão, o LRA é acusado de ter provocado a morte de 2.500 pessoas e o deslocamento forçado de outras 87 mil pessoas, a maioria nas áreas centro e oeste de Equatoria.

O LRA foi criado em 1986 em Uganda, estabeleceu sua primeira base no Sudão em 1993 e se ramificou para a RDC em 2005, antes de se deslocar mais ao norte para a RCA em 2009.

Na RCA, a Força Tarefa da ONU para Deslocados Internos, da qual o ACNUR é membro, está estabelecendo acordos para entregar ajuda humanitária o mais rápido possível aos recém deslocados em  Haute-Mbomou. Uma missão de avaliação viajará para Zemio esse fim de semana para verificar as necessidades dos deslocados internos e dos refugiados.

Yusuf Hassan em Nairóbi, Quênia.

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