Cristãos iraquianos se aferram à fé na Jordânia

Fonte: 24 Horas News

Os iraquianos cristãos, que fugiram para a Jordânia após a invasão dos Estados Unidos ao seu país em 2003, buscam consolo em sua religião, mergulhados na pobreza e nas poucas esperanças que têm de regressar. “Perdemos nossa pátria, não podemos perder nossa fé”, disse Brahim, professor de Química que mora em Amã. Há cerca de 200 mil iraquianos na Síria, outros 47 mil na Jordânia e 10 mil no Líbano, segundo o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

“A quantidade de iraquianos cristãos na Jordânia caiu de forma drástica, de aproximadamente 30 mil passou para 15 mil a 10 mil atualmente”, disse o padre Raymond Mussalli. Os cristãos da Jordânia são principalmente caldeus, siríacos, assírios e protestantes. “A maioria de nós fala caldeu, que é muito semelhante à língua falada por Nosso Senhor Jesus Cristo”, afirmou Ussama, um iraquiano de 24 anos.

Os cristãos se reúnem diariamente no sótão de uma pequena Igreja Caldeia na colina de Webdeh para trocar histórias de seu país, rezar em silêncio ou simplesmente encontrar consolo com outros refugiados. Muitos moram nos arredores de Webdeh ou em outros bairros antigos de Amã, como Jabal Hussein ou Markah. “A comunidade internacional é indiferente à difícil situação dos cristãos que ficaram no Iraque, que são cada vez menos. Passaram de quase um milhão para menos de 400 mil hoje em dia”, disse Brahim.

Batul teve que fugir da capital iraquiana há alguns meses. “Tínhamos duas casas em Bagdá. Certa manhã acordei e vi uma ameaça pintada em vermelho no muro do jardim, para entregarmos US$ 80 mil ou nos matariam”, recordou a mulher de 60 anos. “A polícia disse para fugirmos logo porque não podia nos proteger”, acrescentou com tristeza. Por sua vez, Brahim, de 65 anos, teve de renunciar ao “cargo de professor que tinha em uma escola cristã quando o padre Yussef Abudi foi assassinado por homens armados, após ser acusado de proselitismo. As ameaças não pararam apesar de eu ter ficado em casa. Então, tive de fugir pelo bem-estar da minha filha de 24 anos”, disse.

Muitos refugiados escaparam com pouco dinheiro, o que piora a situação. Os iraquianos que querem permissão de residência na Jordânia têm de fazer um depósito de US$ 50 mil para poder trabalhar. Os refugiados registrados no Acnur têm identificação, mas sem documento de residência não podem trabalhar legalmente, não têm direito a serviços médicos nem a educação. “O custo de vida é alto e as condições extremamente difíceis. São necessários US$ 1 mil por mês para viver. A maioria de nós não tem autorização de residência”, disse Brahim.

Muitos dos que nem mesmo podem pagar um aluguel de US$ 200 decidiram mudar para o Líbano, onde, segundo comentários, os trâmites do Acnur são mais rápidos. Cerca da metade dos fieis é muito pobre, disse o padre Mussalli. A alta taxa de desemprego e a precariedade em que vivem os refugiados exacerbam o sentimento de marginalização da comunidade cristã. “Preferimos ficar em casa, entre nossa gente”, reconheceu um iraniano, que não quis se identificar.

Às dificuldades econômicas somam-se os problemas psicológicos pelas experiências vividas no Iraque e a insegurança sobre o futuro. Cada vez há mais desistência escolar, violência doméstica e tráfico de pessoas. “Muitos estão no limbo, esperando para emigrar para Estados Unidos, Europa” ou outros países, disse Ussama, cuja família mora na Austrália. A relação entre a comunidade cristã e o Estado jordaniano é excelente. “Não somos perseguidos por nossas crenças religiosas como no Iraque”, disse o padre Mussalli.

Quando surge um problema, somos tratados como qualquer outra pessoa, concordou Ussama, apesar de denúncias de crianças cristãs sobre pessoas quererem convertê-las ao Islã. “Continuamos na Jordânia com a esperança de podermos voltar à nossa pátria. Fazemos parte da história e da cultura da região, nunca será o mesmo se formos deixados de lado”, acrescentou Ussama.

 

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