Programa de vistos humanitários ajuda as vítimas do terremoto do Haiti

Fonte: ACNUR

Kenel Erasme visitou sua mãe e irmã no Haiti graças a um visto humanitário concedido pela República Dominicana. (Foto: ACNUR)

Depois do violento terremoto que devastou Porto-Príncipe no dia 12 de janeiro, muitos dos sobreviventes necessitavam urgentemente certos tipos de tratamento médico que não estavam disponíveis no Haiti.

Com os serviços de emergência inoperantes e com os hospitais destruídos, um grande número de pessoas buscou cuidados médicos e amparo na República Dominicana (RD), onde as equipes de hospitais e clínicas salvaram muitas vidas e evitaram que muitas pessoas ficassem com seqüelas irreversíveis.

Às vezes, quando um paciente se enfrentava a longos tempos de recuperação, os familiares que o acompanhavam tinham que decidir entre ficar com ele para auxiliá-lo ou voltar ao Haiti para buscar outros familiares, com o risco de não poderem ser readmitidos na RD.

Para resolver esse problema o ACNUR, a princípios desse ano, pediu ao governo da RD que outorgasse a essas pessoas vistos anuais de entrada múltipla por motivos humanitários. O governo respondeu concedendo esse tipo de visto a seis pessoas nas últimas semanas, dentre as quais se encontra Kenel Erasme, de 29 anos.

“Os vistos humanitários permitem àqueles que cuidam de pessoas gravemente feridas cruzar a fronteira legalmente, sem terem que escolher entre o bem-estar de seu cônjuge ou filho na RD e a família ou os bens que deixaram no Haiti”, explicou Gonzalo Vargas Llosa, chefe da equipe de emergência do ACNUR em Santo Domingo.

Na tarde de 12 de janeiro, quando ocorreu o terremoto que provocou a morte de milhares de pessoas e deixou a um grande número de sem teto e feridos, Kenel, um pastor, estava indo à igreja em Porto Príncipe. Nesse momento correu assustado para sua casa e viu que sua esposa Lucrecia estava bem, mas seu filho de nove anos, Kemuel, tinha uma séria fratura em uma perna.

Kenel, quem também trabalha como administrador de uma escola, procurou em vão durante três dias atenção médica para seu filho em Porto Príncipe. Desesperado, decidiu levar sua esposa e filho à RD, onde Kemuel foi operado.

Em Santo Domingo, Kenel y Lucrecia encontraram um albergue gerido pela igreja católica com o apoio do ACNUR, onde podiam ficar hospedados durante a recuperação de seu filho, para depois regressar ao Haiti.

Esse albergue administrado pela igreja é uma das dezenas de estruturas que oferecem ajuda às vítimas do terremoto e seus familiares na RD. O ACNUR apóia provendo alimentos, artigos de higiene, mantas, colchões, ventiladores, móveis e telefones celulares para ligar para os familiares e estar informados sobre a situação nos lugares de procedência.

Kenel estava muito agradecido pelo tratamento médico vital que seu filho estava recebendo em Santo Domingo e pela amabilidade com a qual ele e Lucrecia foram tratados, mas logo começou a se preocupar com os familiares que tinham ficado no Haiti.

“Estava muito preocupado com minha mãe, minha sogra e minha irmã que tinham ficado em Carrefour [um bairro de Porto Príncipe]. Não pudemos falar muito com elas depois que viemos para a RD”, disse ao ACNUR. “Não sabíamos se estavam bem ou se tinham suficiente comida”.

O problema era que Kenel, igual que outros, não podia ir e vir legalmente de Santo Domingo a Porto Príncipe sem um visto de entrada múltipla para a RD.

A decisão da RD de emitir um pequeno número de vistos permite que os adultos que cuidam de algum familiar nesse país possam voltar a Haiti para cuidar a outros parentes e começar a reconstruir suas casas destruídas.

“A mobilidade ajuda-os a reconstruir suas vidas no Haiti desde agora, em vez de manter seus futuros incertos enquanto seus entes queridos se recuperam. Agradecemos à RD por oferecer essa possibilidade”, disse Vargas Llosa.

“Vê-los [a seus familiares] outra vez me tranqüilizou bastante”, disse Kenel, referindo-se à sua primeira visita a Haiti depois de ter conseguido o visto. O ACNUR o acompanhou ao Carrefour para uma feliz reunião familiar depois de 4 meses separados.

Kenel pensa em ficar no Haiti durante vários meses para cuidar de sua numerosa família e preparar o regresso de sua esposa e filho. Graças ao visto humanitário poderá reunir-se com eles para a fase final de recuperação de Kemuel e acompanhá-los em suas viagens de regresso.

Em território haitiano há mais de dois milhões de pessoas desabrigadas. A presença do ACNUR na RD e no Haiti apóia a muitas famílias, oferecendo ajuda humanitária e contribuindo para evitar longas separações.

Blanc Bertrand em Santo Domingo, República Dominicana, com a contribuição de Lilli Tnaib em Washington, DC, Estados Unidos.

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