Angola é o segundo país nos pedidos de asilo em Portugal

Fonte: DN Portugal

Portugal recebeu 71 pedidos de pessoas que fugiram do seu país. A língua é a principal dificuldade dos que pedem ajuda, mas também há entre eles quem fale português

A língua é diferente em tudo. E não apenas no significado e na fonética. Os caracteres são outros e as frases escrevem-se da direita para a esquerda. É pashtun, a língua de Ali Wajid, do Paquistão, que aprende a falar português no Centro de Acolhimento dos Refugiados (CAR), que hoje assinala o Dia Mundial do Refugiado. Não conhecia uma palavra da nossa língua, como a maioria dos que aqui procura asilo. Mas há exceções. Este ano, os angolanos constituem o segundo grupo com mais pedidos.

São ao todo 71, aqueles que chegaram a Portugal entre 1 de janeiro e 16 de junho dizendo-se vítimas de falta de liberdade ou de conflitos armados. Se este ritmo se confirmar, poderá ser ultrapassado o número de pessoas que pediram asilo em 2009, menos 21 que no ano anterior. Mas são muito menos os que recebem esse estatuto.A Guiné-Conacri é o país de origem da maioria dos pedidos, 20, seguindo-se Angola, com nove. Em terceiro lugar vem a Colômbia (6) e, em quarto, a Nigéria (5), seguindo-se uma lista de 22 países com um ou dois cidadãos que aqui pediram refúgio.

A embaixada de Angola não deu explicações sobre as causas que levaram estes angolanos a fugir para Portugal. Teresa Tito de Morais, do Centro Português para os Refugiados (CPR), avança que são mulheres que residiam no enclave de Cabinda, uma das 18 províncias do país e que reclamam independência.

Os requerentes têm familiares envolvidos nos conflitos armados e poderão receber uma autorização de residência por razões humanitárias. Não há, no entanto, registo no País de asilo atribuído a angolanos.Também foram os conflitos armados que levaram Ali a deixar a casa e a venda que tinha no seu país: era comerciante, no Noroeste do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão. Tem 28 anos e nunca viveu momentos de paz.”Temos muitos problemas, conflitos, guerras… E resolvi fugir. Passei por muitos países até chegar à Europa, à Grécia, vim andando por aí”, conta. Pensava sempre que o próximo país é que seria o definitivo, até chegar a Portugal. “Pois é, já estou no fim da Europa”, graceja.Garante que não é esse o motivo porque aqui quer fixar raízes. “As pessoas são boas, não há racismo”, justifica.Ali Wajid chegou há praticamente um ano (julho de 2009) e a língua foi o principal obstáculo à integração. Começou logo a ter aulas no CAR, onde Isabel Galvão é professora há 13 anos.”É um grupo muito heterogéneo, constituído por várias nacionalidades. Os ritmos de aprendizagem são muito diferentes e têm a ver com muitos fatores, como a história de vida, os traumas que carregam, a esperança em relação ao futuro”, explica Isabel Galvão. Mas, “é muito mais gratificante” do que ensinar outros grupos de estrangeiros, sublinha.Isabel Galvão explica que tem tudo “a ver com a minha visão do mundo e do que penso sobre o meu papel na sociedade.”As aulas decorrem no CAR, na Bobadela, onde vivem actualmente 41 requerentes de asilo, adultos e crianças. Uma estada de três meses, quatro no máximo. Depois, recorrem à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para lhes subsidiarem o alojamento e a alimentação.

Ali Wajid está a seguir o percurso normal. Vive num quarto na Pontinha e começou a procurar emprego. Sabe o suficiente de português para que a língua não seja um obstáculo. “Faço tudo, trabalho em qualquer coisa, até poder voltar a ser comerciante!” Sonha. 

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