Pequeno refugiado ruandês encontra vida nova na Noruega

Fonte: ACNUR

Crianças refugiadas de Ruanda em um acampamento na República Democrática do Congo. A Nicolas foi dada a possibilidade de um novo reassentamento da RDC para a Noruega. (Foto: A. Hollmann/ ACNUR)

 Nicolas * tem gasto muito da sua vida solitária sendo transferido de uma família substituta a outra, mas no início deste mês, o órfão de seis anos de idade voou para o que deverá tornar-se a sua residência permanente:  será o primeiro menor desacompanhado da RDC a ser reassentado na Noruega.

 A agência de refugiados da ONU tinha referido o nome do garoto para o reassentamento e funcionários do ACNUR o acompanharam ao Aeroporto Internacional N’Djili Kinshasa, na última quarta-feira, quando ele embarcou para se juntar à sua nova família na Noruega. Nicolas, naturalmente, estava apreensivo por ter de voar em um avião e mudar-se para um novo país. No entanto, a reinstalação na Noruega oferece-lhe um futuro muito mais brilhante do que ele teria na RDC e ele vai finalmente ter uma família para chamar de sua e amar incondicionalmente.

Tem sido uma longa estrada, que começou muitos anos antes mesmo de Nicolas nascer. Conflitos na região dos Grandes Lagos forçaram seus pais a fugirem para o Leste da RDC na década de 1990 – seu pai vinha de Burundi e sua mãe Josephine*,  de Ruanda, após assistir seu próprio pai ser assassinado.

Ela perambulou pelo país, passando alguns anos em um centro para menores desacompanhados em Mbandaka,  uma cidade às margens do rio Congo e capital da província de Équateur. Nicolas nasceu ali, em Équateur, em 2004, pouco tempo depois seu pai foi morto em um acidente de caça. O menino tomou assim a cidadania ruandesa de sua mãe.

Um ano mais tarde, Nicolas e sua mãe se mudaram para Kinshasa, mas ela levava uma vida conturbada e o menino era frequentemente deixado aos cuidados de amigos, enquanto ela percorria períodos no hospital ou na prisão. Em fevereiro deste ano, ela faleceu, em decorrência de uma doença, com apenas 27 anos.

Durante a sua estada final no hospital, um estudante apareceu com Nicolas e uma pequena mala no escritório do ACNUR, em Kinshasa, e disse que havia sido encarregado de cuidar do menino, mas que não tinha condições de cuidá-lo. Foram feitos muitos esforços que se mostraram infrutíferos para encontrar uma nova família para Nicolas.

Ele foi temporariamente alojado em um centro de acolhida para crianças enquanto esperava por uma solução duradoura. Essa situação perdurou até a recente aprovação de seu pedido de reassentamento, há poucas semanas.

Sua nova família vai encontrar um Nicolas inteligente, cheio de caráter, muito ativo e curioso. Durante as entrevistas preliminares para seu reassentamento, ele ansiava para que as perguntas terminassem logo para voltar e jogar com seus novos amigos no centro de acolhida.

 Quando lhe foi dito que ele estaria indo para um lugar chamado Noruega,  ele disse: “Mas é longe! Como é que eu vou pra lá? ” Quando responderam que ele teria que ir de avião, ele imaginou que seria caro e perguntou: “E quem vai pagar? É o ACNUR que vai pagar?” Se ele continuar fazendo perguntas em sua nova pátria, ele irá longe.

Na Noruega, ele terá um direto com sua pátria. Também no plano de reassentamento na Noruega foi reassentada Sabine*, uma costureira de 55 anos, da mesma aldeia de Josephine em Ruanda. 

A mulher de meia-idade encontrou a criança durante os preparativos do seu vôo para a nova vida e tornou-se próxima do garoto. Sabine se encarregou de ensinar a ele sobre a cultura ruandesa e de contar histórias sobre seu país de origem. Nicolas está sendo reinstalado na mesma cidade de Sabine.

Existem atualmente cerca de 80.000 refugiados ruandeses vivendo na República Democrática do Congo, segundo dados oficiais. Desde 2001, o ACNUR tem facilitado o repatriamento de mais de 94 mil refugiados ruandeses da RDC. Nos termos de um acordo tripartido assinado em fevereiro passado entre República Democrática do Congo, Ruanda e ACNUR, concordou-se em buscar soluções duradouras para os refugiados ruandeses na República Democrática do Congo e para os refugiados congoleses em Ruanda.

* Nomes fictícios para fins de proteção.

Por Celine Schimitt, de Kinshasa, República Democrática do Congo.

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