LRA cria condições para uma crise humanitária

Fonte: Angola Press

Bandeira da República Centro- Africana

A rebelião ugandesa do LRA cria as condições para uma crise humanitária na República Centro Africana (RCA), onde efetua desde 2008 ataques e raptos que causaram a deslocamento de cerca de 15.000 centro-africanos, afirma uma ONG num relatório chegado quarta-feira à AFP.

“Os civis do leste centro-africano sofrem muito devido à presença do LRA”, o Exército de Resistência do Senhor, cuja primeira incursão no país remonta de 25 de Fevereiro de 2008, afirma a ONG americana Enough no seu relatório intitulado “Sobre os passos de Kony: A indescritível tragédia em curso na República Centro Africana”, publicado na semana passada e recebido em Libreville.

 Responsável de muitas atrocidades, o LRA se encontra ativo desde 1988 no norte do Uganda. Desde 2005, se deslocou desta região para o extremo  nordeste da República Democrática do Congo (RDC), Sul do Sudão e leste da RCA.

“A maioria dos civis nas prefeituras de Haut-Mbomou (leste centro-africano) e de Mbomou (sudeste) está à mercê do LRA”, cujos “ataques repetidos (…)  acoplados à resposta humanitária fraca criam as condições para uma crise  humanitária”, acrescenta a Enough.

Ora, explica a ONG, “contrariamente às regiões afetadas da mesma maneira na RDC e no Sudão onde organizações internacionais trazem um pouco de assistência, poucas organizações trabalham nesta região isolada da RCA”.

A Enough afirma ter registado “57 ataques separados do LRA, 134 mortes confirmadas” desde fevereiro de 2008 e “mais de 500 pessoas raptadas nestes dois últimos anos” na base de encontros de terreno, em março, com testemunhas, autoridades locais e tradicionais, humanitárias e militares ugandesas espalhadas na região desde dezembro de 2009. “Mas o balanço real das mortes é provavelmente muito mais elevado”, precisa.

Além disso, segundo a ONG, “cerca 15.000 pessoas foram deslocadas no interior do país e mais 5.000 congoleses vivem em campos de refugiados”.

Num relatório datado de 10 de junho, igualmente chegado quarta-feira à AFP, o secretário geral da ONU Ban Ki-moon acusa também o LRA de ser “responsável de numerosas violações dos direitos humanos”em Mbomou e Haut-Mbomou.

Os rebeldes ugandeses “no decurso dos últimos meses (…) efetuaram várias vezes  ataques contra a população, matando e violando, raptando vários civis e provocando a deslocação de 700 a 1.000 pessoas”, declara Ban, segundo o qual entre fevereiro e abril, o LRA perpetrou “12 ataques pelo menos”, causando 23 mortes.

A Enough apela a RCA a proteger os seus cidadãos e os agentes humanitários a fazerem esforços para a ajuda às populações afetadas.

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