Onze jogadores da Alemanha são ‘estrangeiros’ ou descendentes de imigrantes

Fonte: O Globo

O brasileito naturalizado alemão em entrevista coletiva em Petrória (Foto: Reuters)

Enquanto a França tem adotado um discurso político de limitação de imigrantes na seleção, após a eliminação da Copa da África do Sul, a Alemanha segue o caminho contrário, curiosamente o mesmo que consagrou o filho de argelinos Zinedine Zidane na conquista do Mundial de 1998. Thomas de Maiziere, ministro dos Esportes da Alemanha, aponta a miscigenação como um dos ingredientes da receita do sucesso da seleção alemã na Copa da África do Sul.

– É um progresso tremendo: 11 dos 23 jogadores da Alemanha vêm de famílias imigrantes. É um exemplo bem sucedido de integração, um modelo para nosso país – disse nesta quarta-feira Maiziere, que também é ministro do Interior.

Para o político, o grande número de jogadores estrangeiros na seleção é indicativo de uma integração crescente em um país de 82 milhões de pessoas com uma população estrangeira de cerca de sete milhões, sendo três milhões de origem turca.

– Eles trabalharam duro e tiveram um grande desempenho. Queriam se tornar cidadãos alemães e o fizeram sem dar as costas a seus países de origem. Aceitamos isso, e eles são tão amados quanto qualquer outro jogador – disse o ministro.

Os trabalhadores imigrantes chegaram à Alemanha há décadas, mas até 1998 poucos filhos de estrangeiros tinham jogado pela seleção alemã. Até 1999, ano da reforma da lei de cidadania alemã, os governos conservadores diziam que a Alemanha não era uma nação de imigrantes. A realidade começou a mudar depois da eliminação da Copa da França, em que a seleção alemã, formada só por brancos, foi eliminada pela Croácia por 3 a 0 nas quartas de final, enquanto a equipe francesa se sagrou campeã com uma diversidade étnica que ia muito além do sangue azul francês.

– Aqueles que trabalham duro serão aceitos, e os que tiverem fé (na Alemanha) terão oportunidades – prometeu Maiziere.

Neonazistas torcem contra
Franz Beckenbauer, campeão mundial pela Alemanha como jogador, em 1974, e como técnico, em 1990, também acredita que a qualidade técnica da seleção multiétnica é um fator que põe a equipe no caminho do tetracampeonato.

Lucas Podolski abraça Miroslav Klose após goleada sobre a Austrália (Foto: Reuters)

– Há jogadores que não nasceram no país, mas têm identidade alemã, e essa talvez seja a razão do grande nível desta seleção – destacou Beckenbauer, nesta quarta, em Johannesburgo. – O estilo de jogo que têm desempenhado surpreende todos, inclusive a própria Alemanha. Espero que continuem assim. Contam com uma imensa chance de ganhar a Copa.

A maior parte dos alemães parece concordar com Beckenbauer e Maiziere, mas há um grupo de extrema direita e neonazistas que não apoiam a seleção, por considerar o multiculturalismo antialemão, como mostrou reportagem do site da revista “Der Spiegel”.

– Não consigo mais me identificar com a seleção – diz uma pessoa que se autodenomina Blaue Narzisse. – As cores da bandeira estão sendo abusadas neste megaevento por esse time alemão multicolorido.

– Por mim, Özil, Khedira, Cacau, Podolksi podem se jogar em um lago. Nós não precisamos deles. Os outros são bons o suficiente – escreve outro, sob o pseudônimo de NSRealist.

Alguns estão divididos: gostariam de torcer pela seleção, mas não desejam que um jogador “estrangeiro” faça gols:

– Eu, certamente, não torcerei por um gol de Cacau! Mas jamais abrirei mão de Neuer, Lahm, Schweinsteiger… Porque eu amo de fato a Alemanha.

Os 11 “estranjeiros”:
Podolski: nasceu na Polônia e foi para Alemanha com 2 anos; Klose: nascido na Polônia, mudou-se aos 8 anos para a Alemanha; Trochowski: também polonês, foi para Hamburgo aos 15 anos; Özil: descendente de turcos, nasceu em Gelsenkirchen; Tasci: também com ascendência turca, nasceu em Esslingen; Khedira: filho de pai tunisiano e mãe alemã, nasceu em Sttutgart; Aogo: filho de nigeriano e mãe alemã, nasceu em Karlsruhe; Boateng: filho de pai ganês e mãe alemã, nasceu em Berlim; Cacau: nasceu no Brasil, naturalizou-se alemão no ano passado; Mario Gomez: filho de espanhol e alemã, nasceu em Riedlingen; Marin: nascido na Bósnia, naturalizou-se alemão ainda criança.

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