À espera de mais dissidentes, presos políticos cubanos libertados se adaptam à nova vida

Fonte: O Globo

José Luís García Paneque mostra o corpo magro após a chegada em Madri (Foto: AP)

Enquanto a Espanha se preparava para receber nesta quarta-feira mais um grupo de presos políticos cubanos, os sete dissidentes que foram libertados na segunda-feira e chegaram a Madri na terça , com suas famílias, começavam a se adaptar à nova vida em meio a incertezas sobre seu futuro. As primeiras 24 horas de exílio – que oficialmente não é reconhecido, já que eles são tratados como imigrantes – não foram provavelmente as sonhadas na prisão. Protegidos por um forte esquema de segurança na chegada, eles ficaram depois em um hotel na periferia de Madri, no coração de um bairro operário.

– Temos que aprender a viver em liberdade. Nos sentimos um pouco estranhos ao chegar. Acredito que temos que nos adaptar – disse Julio César Gálvez, um dos exilados.

(Veja imagens da chegada dos presos políticos cubanos a Madri)

Apesar das dificuldades, os exilados passearam pelas ruas da capital espanhola e viram o destaque que a anunciada chegada deles recebeu na capa dos jornais, competindo com a recepção à seleção espanhola de futebol, campeã mundial. Organizações como a Cruz Vermelha, a Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado e a Associação Católica Espanhola de Migração vão se encarregar de dar atendimento médico e alojamento aos sete e a suas famílias. Também tentarão encontrar trabalho para o grupo;

– Estamos apresentando ao mundo o verdadeiro rosto do que acontece em nosso país – disse Luis García Paneque, outro dos sete presos que já foram soltos. – Este é o primeiro passo para uma mudança em Cuba.

(Saiba mais sobre os ex-presos políticos libertados)

No início da tarde desta quarta-feira (horário local), devem chegar a Madri Normando Hernández, Omar Rodríguez e Luis Milán. Embora tenham mostrado otimismo com a libertação dos outros presos, os dissidentes ainda aguardam o cumprimento da promessa do governo cubano de soltar, ao todo, os 52 remanescentes da Primavera Negra de 2003, quando 75 cubanos foram presos.

– Não teremos o que comemorar enquanto apenas um de nossos irmãos continue na prisão – disse Pablo Pacheco, mais um dos sete que já estão no exílio espanhol. – Tivemos horas muito intensas, muito produtivas, dando uma mensagem de esperança e de reconciliação a todos os cubanos.

(EUA elogiam Igreja Católica e Espanha por libertação de presos políticos)

Omar Ruiz, outro dos dissidentes que já está em Madri, manifestou a intenção de ir para os Estados Unidos, reencontrar a família de sua esposa, em Miami. Uma porta-voz da embaixada americana na Espanha preferiu não comentar o caso dos cubanos, que foram levados a Madri como imigrantes, e não como refugiados políticos.

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