Após o fim da festa, África do Sul teme onda de xenofobia

Fonte: O Globo

Por Peroshni Govender

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pediu na quinta-feira “calma e unidade” no país, após relatos de que muitos imigrantes estariam fugindo por temor de uma onda de xenofobia passada a Copa do Mundo.

Em 2008, um surto de violência contra estrangeiros matou 62 pessoas, deixou mais de 100 mil refugiados e abalou a confiança dos investidores no país, o mais rico do continente. Uma repetição disso poderia enfraquecer Zuma e reverter a boa imagem internacional deixada pela realização da Copa.

“Isolemos todos os elementos que podem ter pautas sinistras, que podem querer criar confusão e semear a dor e a destruição nas comunidades, especialmente cidadãos estrangeiros residindo no nosso país”, disse Zuma em nota.

Praticamente assim que soou o apito final dando o título à Espanha, no domingo, surgiram as preocupações com a segurança dos milhares de trabalhadores de outros países africanos, disputando um mercado de trabalho exíguo com os sul-africanos.

Liberada da tarefa de proteger torcedores e delegações, a polícia voltou a patrulhar as “townships” (subúrbios) habitadas por imigrantes, enquanto as autoridades prometiam evitar a violência.

Muitos estrangeiros temem que o sentimento de unidade africana gerado pela Copa seja efêmero, num momento em que a taxa de desemprego na África do Sul é de 25 por cento.

“Vou para casa porque estou com medo. As pessoas têm me dito que depois da Copa do Mundo haverá xenofobia”, disse Jonathan, imigrante do Maláui que trabalha como faxineiro na província de KwaZulu-Natal (costa leste da África do Sul).

Autoridades dizem que o temor é real, mas que as ameaças de violência em massa se baseiam em rumores exagerados, criados por bandidos e propagados pela imprensa.

Nesta semana, a Organização Internacional para a Migração informou que famílias do Zimbábue estão em fuga. A imprensa local relata a partida de ônibus lotados com imigrantes, e um somali contou à Reuters que estava à procura de refúgio depois de sua loja ser incendiada numa “township”.

“Disseram que todo estrangeiro deveria ir embora”, disse Khadar Bashir, de 24 anos.

É difícil distinguir o que é xenofobia e o que é criminalidade comum, num país onde há em média 50 homicídios por dia, vitimando igualmente sul-africanos e estrangeiros. “Estamos lidando com a juventude se escondendo por detrás da xenofobia para fazer suas atividades criminais”, disse o delegado de polícia Bheki Cele.

Separadamente, o ministro da Polícia, Nathi Mthethwa, declarou: “A xenofobia não vai acontecer. Peço às pessoas e à imprensa que não participem de espalhar essa histeria de um possível surto.”

(Reportagem adicional de Zahir Cassim)

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