ACNUR atende vítimas de inundações no Paquistão

Fonte: ACNUR

Sobreviventes das inudações com os poucos pertençes que puderam salvar da água, nas proximidades de Peshawar. (Foto: A. Jamal/ACNUR)

No sábado, dia 7 de agosto, a Agência da ONU para Refugiados recebeu suprimentos doados pelo Fundo Saudita de Desenvolvimento, incluindo 25 mil tendas, 380 mil cobertores, 126 mil lonas plásticas, 100 mil colchões e 25 mil kits de cozinha, além de 20 mil cestas básicas para o Ramadã, que serão distribuídos para as vítimas das enchentes no Paquistão.

Os artigos de ajuda do ACNUR estão sendo distribuídos por parceiros cuidadosamente selecionados, incluindo a Organização Motivação e Desenvolvimento Comunitário, o Programa de Apoio Rual Sarhad e o Centro para Excelência em Desenvolvimento Rural, além do governo central e parceiros estaduais.

Além das tendas e das lonas de plástico, a Agência para Refugiados da ONU está distribuindo conjuntos de cozinha, cobertores, colchonetes, galões para água e baldes. Algumas famílias deslocadas montaram acampamentos improvisados, com os artigos doados, na rodovia que vai de Islamabad a Peshawar, adjacente ao rio Cabul.

As chuvas de monções continuam varrendo várias partes do Paquistão. De acordo com os parceiros locais do ACNUR que estão no terreno, a chuva está atingindo novamente as áreas ao norte do Vale de Swat, na Província afetada pelas inundações, Khyber Pakhtunkhwa.

O rio Swat transbordou, inundando a rica região agrícola em torno de Barikot. Das 25 pontes em Swat, temos relatos de que 22 foram arrastadas pelas inundações.

Na província de Sindh, funcionários do governo paquistanês teriam ordenado a evacuação de aldeias ao longo do vale Indus. Autoridades disseram ter construído 400 campos de ajuda humanitária para aqueles que foram evacuados e estão utilizando 30 barcos para ajudar nas evacuações. As autoridades advertiram que chuvas intensas são esperadas para sábado e domingo.

Os contatos do ACNUR no terreno, em Barikot, relatam que há falta de medicamentos e alimentos. O fornecimento de eletricidade e gás foi cortado. Em muitas áreas, a lama nos poços afetou o abastecimento de água potável.

As pessoas atingidas pelas monções contaram à equipe do ACNUR como fugiram de suas casas quando foram surpreendidas pela água. Dezenas de milhares de casas foram destruídas ou gravemente danificadas. Até mesmo aquelas que resistiram ao dilúvio estão cheias de lama, com os móveis destruídos. As famílias perderam seus estoques de alimentos, animais e objetos pessoais.

De acordo com a Comissão para Enchentes do governo do Paquistão, mais de 248 mil casas foram destruídas ou danificadas e 1.38 milhão de acres (558 mil hectares) de terras cultiváveis foram inundados no Paquistão. Ao menos 10 mil vacas afogaram nos últimos oito dias.

Akbar Ali, 50, trabalha como carpinteiro na vila de Utmanzai. Sua casa, assim como todas suas ferramentas de trabalho, desapareceu em meio às inundações.  “Eu não tenho dinheiro para comprar tudo novamente e retomar meu trabalho”.

Lavradores que perderam suas casas temem que seus proprietários nunca irão reconstruí-las, ou que eles irão adiar a construção até que suas próprias casas sejam reconstruídas, forçando os agricultores a viver sob as tendas e lonas de plástico doadas pelo ACNUR durante o futuro próximo.

“Não temos lugar para ficar”, uma mulher que agora vive em uma escola próxima a Peshawar explicou à equipe do ACNUR. “Nós estamos nessa escola, mas quando ela reabrir após as férias de verão, o que acontecerá com a gente? Para onde iremos?”

A Agência da ONU para Refugiados pretende, inicialmente, apoiar mais de 350 mil pessoas, que estão entre as mais vulneráveis, atingidas pelas inundações no Paquistão e, para tanto, está solicitando aos países doadores e ao público em geral a quantia de US$ 21 milhões.

Com centenas de milhares de pessoas sem moradia adequada, comida ou água, e com as principais rodovias e pontes interrompidas, os departamentos governamentais e as agências humanitárias estão correndo contra o tempo para chegar às comunidades afetadas.

Nas províncias de Khyber Pakhtunkhwa e Balochistan, como parte de uma resposta coordenada entre governo, Nações Unidas e ONGs, mais de 12 mil tendas do ACNUR foram distribuídas, juntamente com milhares de outros artigos, como lonas, cobertores, galões para água, e itens de cozinha.

O principal mandato do ACNUR é proteger os refugiados, mas a organização sempre respondeu positivamente ao chamado para assistir humanitariamente às populações locais de Khyber Pakthunkhwa e Balochistan. Nas regiões afetadas pelas inundações no Paquistão vivem cerca de 1.5 milhão de refugiados afegãos que se abrigaram em Khyber-Pakhtunkhwa e Balochistan durante as últimas três décadas e cerca de outros 700 mil deslocados, no último ano, pelo conflito no Vale de Swat e outras regiões.

Cerca de cinco mil famílias afegãs foram atingidas pelas inundações em um campo conhecido como Azakahel. O campo continua embaixo d’água, o que dificulta a distribuição da assistência doméstica. Em coordenação com os refugiados afegãos, o ACNUR está negociando com os refugiados idosos a possibilidade de reassenta-los em outro campo na mesma área. Até agora, mil famílias concordaram em se mudar, enquanto as outras expressaram suas preocupações sobre sua segurança. Serão distribuídas quatro mil tendas e quatro mil lonas de plástico para a população atingida.

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