Agentes humanitários holandeses continuam no Afeganistão

Fonte: Rádio Nederland Wereldomroep

A posição das organizações humanitárias holandesas no Afeganistão não mudou depois que os militares holandeses partiram. O incidente ocorrido no norte do país na última sexta-feira, no qual oito médicos ocidentais e dois intérpretes afegãos foram mortos, por enquanto também não teve nenhuma influência sobre a forma de atuação destas entidades.

Foto: Flickr/ISAF

Cinco organizações humanitárias holandesas estão atuando no Afeganistão sob o nome Dutch Consortium: Cordaid, Save the Children, Zoa Cuidados para Refugiados, Healthnet TPO e o Comitê Holandês para o Afeganistão.

Paralelamente, outras organizações da qual participam agentes humanitários holandeses também estão atuando no país, como Médicos Sem Fronteiras e Cruz Vermelha.



Contrato

”O Dutch Consortium tem um contrato até 2013. Isto não está ligado à presença do exército holandês”, explica Paul van der Burg, da Cordaid. Segundo ele, as organizações quiseram, conscientemente, trabalhar sem estarem ligadas aos militares ou suas datas de partida.

Van der Burg conta que houve consultas com os norte-americanos e australianos, que substituem os holandeses. Eles querem, assim como os holandeses, investir na política tribal e na solidificação das relações entre a população. “Se eles fossem atuar de maneira muito diferente, isso poderia ter consequências para a continuidade dos nossos projetos. Nós estávamos receosos”, comenta Van der Burg.

Discussão
Segundo a Cordaid a morte dos médicos e intérpretes foi um grande golpe para os agentes humanitários. Um time médico da organização Missão de Assistência Internacional (IAM) foi assassinado na última sexta-feira no nordeste do Afeganistão. O Talibã assumiu o atentado. Os médicos estariam envolvidos com trabalhos de evangelização. Mas a IAM tem dúvidas se o Talibã realmente foi responsável pelas mortes.

“Fala-se novamente na própria segurança”, diz Van der Burg. Principalmente entre agentes humanitários ocidentais e profissionais estrangeiros, mas não tanto entre agentes humanitários afegãos com os quais a Cordaid trabalha. Até agora, o incidente não provocou o êxodo de colaboradores.

Michiel Hofman, chefe da missão da organização Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão, diz não estar surpreso com a morte dos agentes humanitários. “Neste caso, o atentado chegou à mídia por se tratar de um time de médicos estrangeiros. Mas, infelizmente, ataques a postos médicos e hospitais acontecem todos os meses.”

Garantias
A organização humanitária se retirou em 2004 do país depois da morte de cinco colaboradores. No ano passado eles retornaram. Com bases totalmente diferentes, diz Hofman. “Em 2004 não havia guerra em grande parte do Afeganistão, então nosso trabalho funcionava de outra maneira. Agora nós vamos apenas a localidades acessíveis por avião. Todas as partes em conflito têm que garantir que deixarão médicos, hospitais e pacientes em paz, e nós informamos quem está trabalhando conosco. Sobre isso não pode haver mal-entendidos.”

A Cruz Vermelha também permanece ativa no Afeganistão. Segundo um porta-voz, agentes humanitários trabalham sempre sem proteção e continuam confiando nas leis de guerra, que estabelecem que serviços médicos não podem ser atacados.

“Profissionais dos Médicos sem Fronteiras sabem com o que estão lidando, diz Michiel Hofman. “Não acredito que colaboradores queiram de repente partir por causa do incidente da sexta-feira.”

“Desistir não está nos planos”
Dirk Frans, diretor da organização humanitária à qual os médicos assassinados eram ligados, a Missão de Assistência Internacional (IAM), é um holandês.

”Ajudar os mais pobres é nossa prioridade. Eu e minha mulher fomos nos anos 1970 da Holanda para Bangladesh. Hoje aquele país já está andando com as próprias pernas. Por isso, quando abriu uma vaga na IAM no Afeganistão, nos pareceu o lugar para recomeçar.”

“Desistir não está nos nossos planos. A situação de segurança modifica constantemente. Nós também trabalhamos sob o regime do Talibã. Eles não gostavam que ajudássemos a mulheres, mas isso sempre levou a soluções conciliatórias que podíamos aceitar. Nós nos adaptamos e fazemos o que podemos.”

“Estou muito triste porque pessoas que por anos fizeram missões oftalmológicas não estão mais conosco. Eram pessoas que passavam dias caminhando, com chuva e neve, por penhascos de quilômetros de altura. Agora não podemos mais fazer este trabalho. Isto é muito triste.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: