Haitianos buscam refúgio em Manaus

Fonte: O Estado de S.Paulo

Ao menos 450 sobreviventes já passaram por Tabatinga desde o terremoto e agora esperam autorização para recomeçar a vida

Por Liege Albuquerque

Mais de 150 haitianos vivem de doações em Tabatinga, a 1.105 quilômetros de Manaus, à espera de autorização para viver no Brasil como refugiados. A maioria veio logo depois do terremoto que destruiu o país caribenho, em janeiro, e muitos permaneceram alguns meses no município como metade do caminho até a Guiana Francesa, onde a facilidade por conta da língua falada no país, o francês, atrai os refugiados.

“Estimamos que pelo menos 450 haitianos tenham passado pelo município. Apenas a minoria fica porque a situação por aqui não é muito boa, o governo brasileiro não está sendo rápido na acolhida dessas pessoas”, reclama o padre Gonzalo Franco, da Pastoral da Mobilidade Humana, pároco da igreja do Divino Espírito Santo, em Tabatinga.

Padre Gonzalo já organizou dois jogos de futebol para arrecadar alimentos para os haitianos. Em junho, com ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a pastoral conseguiu doações de 80 quilos de alimentos no primeiro jogo. No sábado passado, foi a vez do jogo ocorrer em Letícia, na Colômbia, onde foram arrecadados 50 quilos.

O haitiano Gaspar Lopes, de 26 anos, chegou a Tabatinga há 20 dias com um grupo de seis amigos. “A vida está muito difícil em Gressier (cidade onde mora sua família) e a escola onde eu lecionava foi ao chão. Mas pretendo sair de Tabatinga e procurar emprego como professor de francês em Manaus, assim que conseguir ser aceito como refugiado”, contou.

Os haitianos que passam por Tabatinga têm documentos temporários que os identificam como solicitantes de refúgio. Mas muitos, cerca de 300, não estão mais em Tabatinga e podem estar em Manaus ou em países vizinhos.

Na segunda quinzena de outubro, uma equipe do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), ligado ao Ministério da Justiça, estará em Manaus para entrevistar os haitianos. Em seguida, os pedidos de refúgio serão julgados pelo Conselho do CONARE. Caso os pedidos sejam negados, os refugiados podem recorrer e, se forem sejam rejeitados de novo, têm oito dias para retornar ao país de origem.

Padre Gonzalo disse que os haitianos já estão pensando em novos eventos para tentar angariar fundos para viajar para Manaus e permanecer na cidade durante as entrevistas. “O ACNUR disse que vai ajudá-los, mas são muitos e não sei nem se estarão por aqui nessa época, pois estão nessa espera desde janeiro e muitos já se foram”, lamenta o padre.

Para entender
O status de refugiado é concedido à pessoa que “por causa da grave e generalizada violação dos direitos humanos é obrigada a deixar seu país e buscar refúgio em outra nação”. Mas, no caso haitiano, há o agravante do desastre natural, uma categoria de refugiado que tende a crescer no mundo todo.

 

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