Sorocabano atua na Cruz Vermelha da Rússia

Fonte: Cruzeiro do Sul

"Eu preciso ver, sentir o que são os problemas e as necessidades das pessoas. Tenho que enfrentar isso".

A incansável vontade de aprender e o autodidatismo são as características mais marcantes de um brasileiro de 26 anos que há cinco anos foi para Rússia estudar Conflitologia, com especialização em Refugiados, na Universidade Estatal de São Petersburgo. O sonho do jovem determinado é dar apoio a grupos de pessoas que precisam passar pelo difícil processo de se restabelecer numa pátria que não é a sua. Esse trabalho envolve adaptação física, educacional, econômica, social, psicológica e é em cenários um tanto complexos que ele pretende atuar. Determinado em conquistar espaços em entidades que trabalham para que os direitos humanitários internacionais prevaleçam, Francisco Simone Neto se aprofunda em pesquisa e em trabalho voluntário, como o que prestou na Cruz Vermelha daquela cidade russa.

Estar inserido em culturas distantes e de idiomas diferentes para ele não foi uma dificuldade. Era mais uma atitude que lhe causava satisfação e aumentava sua vontade de aprender cada vez mais. Francisco é assim desde pequeno e descobriu esse seu jeito quando iria conhecer o Paraguai. Eu pensei ‘lá eles falam espanhol, então preciso aprender para falar com eles, saber mais sobre eles, contou. Com esse espírito de absorver idiomas e culturas dos lugares por onde viajou com sua família, Francisco acabou aprendendo por conta própria seis idiomas – inglês, espanhol, italiano, francês, russo e sabe ler hieróglifos – além de dominar o português, é claro. Eu queria me integrar aos países onde íamos passear. Acredito que esse interesse por idiomas e as viagens que fiz com minha família foram muito importantes para minha educação, minha formação, afirma ele. Numa dessas viagens, visitou a Rússia, por volta de 2001, e ficou encantado com a exoticidade do país. A arquitetura, a culinária, a música, a alegria das pessoas.

Na hora de escolher sua profissão, não teve dúvida de que seria algo que ultrapassasse fronteiras e o levasse àquilo que gostava: conhecer novas culturas, costumes, povos. Foi o pai, arquiteto, que lembrou da carreira de Relações Internacionais. Com a ideia amadurecida – tinha certeza de que não poderia ser na parte econômica, então optei pela área diplomática – Francisco frequentou por dois anos o curso superior pela FAAP, mas era tudo muito centrado num padrão de relações internacionais. Eu queria algo diferente, novo, pouco explorado, que aproveitasse meu gosto por resolver problemas. Então optou pela área da Conflitologia, que mescla funções diplomáticas e de relações internacionais, em resumo.

Rumo ao aprofundamento
Dominando parte do idioma russo, Francisco seguiu direto para a cidade onde o curso é oferecido com o intuito de aprender no próprio país em que gostaria de atuar. Você tem que estar no local para entender os conflitos que se passam na região, define. Isso é tão significativo que ele afirma não acreditar que tenha um profissional das relações internacionais que conheça a fundo todos os países. Não existe, enfatiza. Aprofundamento é o que ele julga que falta à mídia também. O que as pessoas ficam sabendo no ocidente sobre os conflitos nos países orientais é muito superficial, um pouco longe da realidade de fato. Diria que o que é lido sobre a Rússia é somente 10% da verdade que chega via Europa e Estados Unidos, calcula. Os profissionais poderiam ser especializados. Além disso muitas notícias chegam deturpadas por questões de interesses. Não tenho dúvida disso.

Para aprofundar-se no país que escolheu para viver sua vida profissional e pessoal, por conta própria ele decidiu viajar por várias regiões dos países que integravam a antiga União Soviética e que ainda hoje sentem os reflexos do conflitos separatistas e dos conflitos territoriais, ideológicos, políticos, religiosos que até hoje marcam as ações terroristas que ainda acontecem naquelas localidades. Em várias cidades encontrou civis armados para garantir a ‘ordem. Senti medo. Muito medo, diz ele sem um mínimo de vontade de desistir de seus objetivos. Eu preciso ver, sentir o que são os problemas e as necessidades das pessoas. Tenho que enfrentar isso.

Os riscos valem a pena por conta do trabalho que sonha alcançar. Algumas áreas da ONU, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), por exemplo, exigem envolvimento, experiência de 5 ou até 15 anos no ramo, informa Francisco. Os 5 anos de estudo e pesquisa ainda não entram nessa conta. Será a partir de agora, que irá fazer mestrado em Sociologia Política e Relações Internacionais, pela mesma universidade de São Petersburgo, considerada a segunda melhor da Rússia, que seu tempo começará a ser contado. O que vivi até o momento foi para adquirir conhecimento e analisar o que é a Rússia, o que é política na Rússia, o que é a sociedade na Rússia, o que é conflito na Rússia. Para isso precisava entendê-la a partir de seus vizinhos, dos lugares de conflitos.

Terra de migrantes e refugiados
O povo russo é desconfiado num primeiro contato, posteriormente caloroso com quem cria amizade, resume. As relações com as pessoas ficam mais fáceis quando descobrem que sou brasileiro, povo que eles consideram alegre, amistoso por nunca ter se envolvido em conflitos e guerras. Povo do samba, carnaval e futebol. O país associado ao comunismo é pouco conhecido mundialmente, garante Francisco. A democracia é recente e os russos, pelo que ele constata em conversas com a família da namorada, não têm mais tanto amor como aquele sustentado pela antiga União Soviética. Entretanto a Rússia apresenta-se moderna, avançada, sem sinais de pobreza, tem um povo bem informado e rigidez com seus universitários. Se ficar de DP numa das universidades, o aluno é expulso.

No momento o país não está envolvido em conflitos e a Cruz Vermelha de São Petersburgo consegue dar total apoio aos refugiados do Afeganistão e aos migrantes do Azerbaijão e Tadjquistão que procuram se proteger e refazer a vida no país russo. Paralelamente ao estudo da Conflitologia, Francisco também atua como voluntário da Cruz Vermelha local, assessorando o trabalho de psicólogos que atendem crianças e adolescentes desses países, com o intuito de adaptá-los a uma futura vida profissional e à diferente cultura, usando, entre tantas ferramentas, atividades recreativas. Muitas mulheres e crianças que chegam são vítimas de violência sexual. É um trabalho complicado.

A vida de Francisco na Rússia é bem modesta e por vezes, embora o povo seja alegre, o clima é um tanto pesado. Mas a resposta à sugestão de seu pai de aplicar seus conhecimentos em direitos internacionais em lugar mais próximo, mais seguro é sempre uma negativa. Não. Eu quero ficar lá e trabalhar pela adaptação das pessoas, disse ele alguns dias antes de embarcar e começar sua nova jornada.

Quem quiser acompanhar mais sobre sua história, é só acompanhar seu blog: http://www.franciscosimone.com.br.

Uma resposta para Sorocabano atua na Cruz Vermelha da Rússia

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