Saiba quem são as vítimas de tráfico de seres humanos

Fonte: TVI24

Estudo mostra que fenômeno tem uma “dimensão maior do que se imagina”

Mais de 15 por cento da população da Grande Lisboa já conheceu uma vítima de tráfico humano, de acordo com os resultados preliminares de um estudo divulgado esta terça-feira, que alerta para um fenômeno de “dimensão maior do que se imagina”.

A Grande Lisboa surge como a zona de país onde vivem mais pessoas (15,7 por cento) que já tiveram um “contato direto” com este tipo de vítimas. Mas existe uma grande disparidade entre regiões, revelou um dos coordenadores do estudo de opinião realizado este ano sobre as percepções da população portuguesa sobre o fenômeno do tráfico de seres humanos.

“A nível nacional, sete por cento dos inquiridos confirmaram ter tido um contacto direto com uma vítima”, disse em declarações à agência Lusa o investigador Miguel Santos Neves, considerando que “estes números são muito significativos, porque revelam que este é um fenômeno que deverá ter uma dimensão muito maior do que se imagina”.

Segundo o investigador do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais, não é no anonimato da grande cidade que se conhecem de perto estas histórias, mas sim nos pequenos aglomerados em redor da capital.

Quem são as vítimas

O tipo de tráfico e nacionalidade das vítimas variam consoante as diferentes zonas do país: nas regiões do interior, centro litoral, Algarve e Grande Lisboa existe a ideia de um predomínio de brasileiras, enquanto no norte litoral e Grande Porto existe um equilíbrio entre brasileiros e ucranianos.

Para Miguel Neves, este resultado pode indiciar uma tendência de “concentração de vítimas de determinadas nacionalidades” em certas regiões do país, a que estão associadas diferentes rotas.

A prostituição surge como a principal atividade desenvolvida por estas pessoas, seguida da construção civil, restauração e tráfico de droga. Se o tráfico para exploração sexual surge em quase todo o país, o Alentejo aparece como a região do país mais associado a histórias de exploração laboral.

André Costa Jorge, director do Serviço Jesuíta dos Refugiados, organismo que lida de perto com estas vítimas, alertou para o facto de estas pessoas serem alvo de “dupla vitimação” ao serem “tratadas como imigrantes em situação irregular”.

Na semana passada, o coordenador do Observatório contra o Tráfico de Seres Humanos, Manuel Albano, anunciou que desde 2008 foram sinalizados 383 potenciais casos de tráfico de seres humanos, 58 dos quais acabaram por ser confirmados pela polícia.

A maioria dos casos verificou-se com mulheres para fins de exploração sexual e laboral, provenientes principalmente dos países do Leste da Europa e do Brasil.

As Nações Unidas estimam em 2,4 milhões o número de vítimas no mundo inteiro, 72 por cento das quais mulheres. Em 79 por cento dos casos o fim é a exploração sexual e em 18 por cento a exploração laboral.

O estudo de opinião divulgado esta terça-feira foi realizado entre fevereiro e maio deste ano e insere-se no projeto “Migrações, Combate ao Tráfico de Pessoas: Valorização e Inclusão das Vítimas”.

A investigação foi apresentada no âmbito do workshop “Tráfico de Seres Humanos, Estratégias Nacionais e Locais”, promovido pelo Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Lisboa.

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