Educando Hassina: grandes sonhos em uma modesta sala de aula

Fonte: ACNUR

Hassina, 15 anos, é uma refugiada da Eritréia no leste do Sudão. Ela ganhou recentemente uma bolsa do ACNUR para freqüentar o Ensino Médio, depois de concluir a educação primária classificada em primeiro lugar entre estudantes de dezessete escolas. (Foto: K. Ringuette/ ACNUR)

Nascida em um campo de refugiados ao leste do Sudão, com pais que perderam tudo quando deixaram sua casa na Eritréia, Hassina poderia ter perdido as esperanças. Em vez disso, ela resolveu explorar seu potencial ao máximo: recentemente, ela se formou como melhor aluna entre estudantes de 17 escolas primárias e ganhou uma bolsa do ACNUR para frequentar a melhor escola de ensino médio da região.

Mais de 10.000 crianças refugiadas, vivendo em 12 campos, frequentam escolas primárias financiadas pelo ACNUR no leste do Sudão. As escolas vão do primeiro ao nono ano e são administradas pela Comissão para Refugiados do Sudão.

Criar, manter e melhorar escolas para um número tão grande de crianças seria um grande desafio em qualquer contexto, mas especialmente em um campo de refugiados. “O orçamento do ACNUR cobre primariamente as necessidades básicas da educação primária, desde o fornecimento de materiais até a construção da escola,” disse Elsa Bokhre, Oficial de Serviços Comunitários do ACNUR. “Nós criamos salas de aula temporárias, que permitiram outras 500 crianças de seis a oito anos irem à escola, no ano passado. Nós também treinamos os professores. Desde 2005 temos distribuído bolsas que até agora ajudaram 160 estudantes refugiados, em sua maioria garotas, a frequentar a escola secundária.”

Mulheres e idosos vivendo em campos citam com frequência a educação como a maior prioridade para suas comunidades, e crianças refugiadas já se mostraram especialmente motivadas a aprender e capazes de superar obstáculos. Frequentemente, são ministradas aulas na sombra de uma árvore e o dever de casa, feito à luz de uma lanterna.

Hassan Idris Ahmed é um professor sênior na escola primária que Hassina frequentava no campo de refugiados de Shagarab. Sua escola é uma das três que atendem mais de 1.000 estudantes.

Durante os dez anos que tem trabalhado na escola, Hassam diz ter testemunhado mudanças positivas de atitude em relação à educação e sua habilidade de mudar vidas. “Educação tem mudado a atitude, em especial o entendimento dos refugiados em relação à saúde e à higiene,” disse. “Os alunos aprendem sobre isso na escola e são orientados a levar esse conhecimento para casa e dividi-lo com suas famílias.”

De acordo com Hassan, entre as áreas em que melhoras ainda são necessários está disponibilidade de livros para cada aluno; a capacidade das famílias muito pobres de pagar pelos uniformes escolares; além de outro item que muitos considerariam necessidade básica em um país onde a temperatura com frequência atinge 50ºC: “Eu sonho em ter um resfriador de água movido à energia solar na escola,” ele disse.

Frequentar as Escolas Alhuea para Garotas significa que Hassina deve agora viver com familiares nos subúrbios de Kassala, a principal cidade ao leste do Sudão, enquanto sua família continua vivendo no campo de Shagarab a uma hora e meia de distância.

Apesar da distância, a influência familiar ainda está presente. “Mesmo quando eu era bem pequena a escola já era importante para mim. Meu pai me apoiou e incentivou todo esse tempo. Ele continua oferecendo seu apoio e me liga para saber como estou indo,” declarou Hassina, que sonha em estudar medicina para prover cuidados médicos à sua comunidade.

Karen Ringuette em Kassala, Sudão

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