Refugiados e Deslocados Ambientais: O lado humano das alterações climáticas

Por Rodrigo Rudge Ramos Ribeiro

“Enfim, de uma escolha faz-se um desafio”
(Agostinho da Silva)

O Conselho Português para os Refugiados (CPR), em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), realiza de dois em dois anos, Congressos Internacionais na Fundação Calouste Gulbenkian, dedicados ao tema dos Direitos Humanos, dos Refugiados e Deslocados Internos.

O IX Congresso Internacional do CPR teve como tema a dimensão humana das alterações climáticas. O processo das alterações climáticas e as múltiplas catástrofes naturais, como as secas ou as cheias e, a longo prazo, a desertificação ou a subida do nível médio da água do mar, provocam deslocamentos. As conseqüências das alterações climáticas, reais e projetadas, têm um impacto, muitas vezes trágico, nas narrativas dos seres humanos.

Foram apresentadas no IX Congresso Internacional do CPR considerações sobre o diagnóstico e combate aos efeitos das alterações do clima, respostas humanitárias face a alterações climáticas como migrações, deslocações forçadas, atuação e apoio as populações deslocadas dos locais de stress climático e a resposta da sociedade face ao cenário. O IX Congresso teceu o desafio de tocar em dois assuntos delicados: direitos humanos e alterações do clima.

Não há uma relação de causa e efeito direta entre refugiados e alterações no clima. As migrações muitas vezes traduzem uma geografia de interesses, onde os impactos do ambiente provocados na sociedade podem dar origem a conflitos. A qualidade de vida passa pelo ambiente, onde seus direitos devem ser respeitados.

No caminho para soluções duradouras é preciso clarificar o conceito dos saberes na questão da nomenclatura para os diferentes tipos de migrantes com causas em processos do clima, como esses sendo deslocados ambientais, refugiados climáticos, refugiados ambientais, ou migrantes ambientais.

Na lista dos países que mais sofrem os impactos ambientais e deslocamentos não estão as nações desenvolvidas, ao mesmo tempo em os países com menor contribuição antropogénica no clima são os que mais sofrem os impactos ambientais. O desafio maior que se coloca é precariedade da vida dos afetados. Que fazer? Seja um refúgio, uma proteção, um lugar protegido, se estar com a família, uma amizade ou um abraço, o fato é que todos precisamos de um abrigo.

Rodrigo Rudge Ramos Ribeiro é outreach officer da Refugees United e atualmente reside em Portugal

8 respostas para Refugiados e Deslocados Ambientais: O lado humano das alterações climáticas

  1. João Inacio disse:

    Realmetne o lado humano das alterações climáticas exige um reflexão mais profunda no que tange as suas consequências.

  2. Claudio Berenguel disse:

    Deve haver um mapa que localize as alterações e as influencias nos movimentos migratórios, afinal ninguém se desloca por prazer, mas por extrema necessidade, enfim, acerta o autor: é preciso agir.
    O carinho que demonstra o autor com seu semelhante atormentado, nos remete a uma reflexão do real sentido do amor. Esse um artigo de amor, aos direitos e aos humanos.

  3. Sacha disse:

    Infelizmente, embora todos tenhamos Direito a um Abrigo: infelizmente, nem todos têm a possibilidade de estarem e se sentirem protegidos. Esta é certamente uma situação de opressão em que o refugiado pouco ou nada pode fazer senão lutar pela sua própria sobrevivência. É bom saber que existem pessoas que se preocupam e que debatem causas como esta, com o sentido de agir e de provocar uma mudança para um mundo com mais Direitos e com menos opressão.

  4. Vera e Antonio Carlos Aidar disse:

    A questão da degradação humana,infelizmente continua a rondar o mundo.Seja o caso aqui muito bem relatado, que foca o caso dos refugiados climáticos, seja os ameaçados pela fome endêmica na Ásia e na África, ou ainda os refugiados nas diversas guerras regionais violentíssimas.
    A saída viável é a ação individual sempre(nunca esmorecer), como sugere o autor, mas se faz fundamental imediatamente uma orquestração internacional mais forte e mais ágil. Mãos à obra.

  5. Carolina Ribeiro disse:

    Parabéns! Um belo artigo sobre a delicada situação dos refugiados. O aquecimento global e as mudanças climáticas sob uma perspectiva humana.

  6. Ricardo disse:

    Uma bela reflexão, que sugere que não devemos refletir tanto sobre a qualificação do refugiado, mas sim na solução de um problema global.

  7. Marco disse:

    Boa pergunta! Infelizmente essa é a realidade, a problemática das alterações do clima tende aumentar a desigualdade, batendo duro e deslocando os mais fracos …. refletimos…

  8. Muito interessante este tema. Actualmente tem se vindo a verificar que quem mais polui é quem menos sofre as consequências das alterações climáticas. É muito importante reflectirmos sobre o assunto, pois trata-se de uma questão de justiça climática, uma grande responsabilidade para os países industrializados que devem implementar (definitivamente) políticas energéticas e ambientais mais eficientes…
    Temos que mudar a nossa atitude e isso só se conseguirá através da transição para um modelo de desenvolvimento diferente certo?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: