Itália critica o Brasil pelo caso Battisti

Fonte: AFP

Cesare Battisti

Políticos e jornais italianos manifestaram indignação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes mesmo do anúncio, nesta quinta-feira, se o país aceitará ou negará o pedido de extradição do ex-militante de extrema esquerda Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua por homicídio na Itália.

“Battisti fica livre para assassinar a justiça”, afirma na primeira página o jornal conservador Il Giornale, que pertence à família do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

“A não extradição de Battisti é uma ofensa grave às instituições italianas”, completa o jornal, que considera certo que Lula concederá refúgio político ao ex-ativista, acusado de quatro assassinatos e condenado à revelia na Itália à prisão perpétua, apesar de alegar inocência.

O caso Battisti, reclamado pela Itália por quatro assassinatos ocorridos no final dos anos 70 e que já esteve exilado no México e na França, ficou nas mãos de Lula, que deve anunciar a decisão nesta quinta-feira, penúltimo dia de seu mandato como presidente.

Uma decisão complexa, que criou um embate entre juristas e políticos, além de ter dividido Brasil e Itália.

“O não à extradição terá consequências. Estou disposto a apoiar boicotes”, antecipou o ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, em entrevista ao Corriere della Sera.

“O não de Lula representa uma ferida nas relações bilaterais”, acrescentou o ministro, que acusou o presidente brasileiro de “falta de coragem” por tomar a decisão pouco antes de deixar o cargo.

Para o jornal Il Messaggero “a piada do asilo político” a Battisti obriga a Itália a adotar medidas para apresentar recursos e continuar solicitando o retorno do ex-ativista, que é considerado um fugitivo há 30 anos.

“A decisão de Lula nem sequer goza de consenso em sua pátria”, destaca o colunista Massimo Martinelli, que garante que o governo da Itália já tem preparados os recursos que apresentará no início de 2011.

O jornal de esquerda La Repubblica entrevistou os familiares das vítimas, que manifestaram a “amargura” com a situação e prentendem organizar um protesto.

“Teria sido suficiente pelo menos um sinal de arrependimento”, comentou Adriano Sabbadin, filho de Lino, uma das quatro vítimas.

Battisti, ex-integrante do grupo radical italiano Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi detido no Rio de Janeiro em 2007.

Em 2009 o então ministro da Justiça Tarso Genro concedeu a condição de refugiado, mas o caso terminou no Supremo Tribunal Federal (STF) por uma apelação apresentada pelo governo italiano.

O STF deixou a decisão final para o presidente.

Em 1993, a justiça italiana julgou Battisti à revelia por quatro assassinatos atribuídos ao PAC e cometidos em 1978 e 1979, tendo como testemunha de acusação o líder deste grupo, que obteve uma redução de pena por colaborar com a justiça. Battisti, que se declara inocente, foi condenado a quatro prisões perpétuas, uma para cada homicídio.

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