Alto Comissário Guterres pretende facilitar acesso e aumentar ajuda ao Iêmen

Fonte: ACNUR

O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, e a Comissária Europeia para a Cooperação Internacional, Ajuda Humanitária e Resposta a Crises, Kristalina Georgieva, no campo de refugiados de Kharaz. (Foto: Irina Novakova/ Comissão Europeia)

O Alto Comissário da ONU para refugiados António Guterres fez um apelo ao governo do Iêmen e ao movimento armado al-Houthi de que persistam com os esforços em prol da paz enquanto as organizações humanitárias distribuem ajuda para centenas de milhares de pessoas que se encontram em situação crítica.

“Ambas as partes nos disseram que estavam cansadas de guerra e que permitirão o acesso da ajuda humanitária”, disse Guterres após encontros separados no norte do Iêmen, na cidade de Sa’ada, com os oficiais do governo eleito e com os representantes do al-Houthi. Existe um número estimado de 300 mil deslocados internos em províncias no norte do Iêmen onde o acesso humanitário tem sido severamente limitado, apesar do cessar-fogo.

Guterres expressou seu comprometimento com a intensificação do apoio prestado à população do Iêmen afetada pelo conflito no norte. “Nós acreditamos que a ajuda humanitária deve chegar a todos que precisam sem qualquer discriminação – política, religiosa ou tribal”. Existe uma oportunidade para “… usar a ajuda humanitária como ferramenta para diluir a tensão e criar um ambiente mais favorável ao sucesso do processo de paz”, ele disse.

O Alto Comissário concluiu no sábado uma visita de três dias ao Iêmen juntamente com a Comissária Européia para a Cooperação Internacional, Ajuda Humanitária e Resposta a Crises, Kristalina Georgieva. Eles testemunharam a grande destruição e deslocamento no norte da cidade de Sa’ada e passaram algum tempo com refugiados somalis nos campos de Kharaz e de Aden, no sul. Os dois comissários ainda encontraram o Primeiro Ministro do Iêmen, Ali Mohammed Mujawar e outros altos oficiais do governo.

Em sua visita ao campo de refugiados de Kharaz administrado pelo ACNUR, a 90 minutos de carro ao noroeste de Aden, os comissários encontraram refugiados traumatizados que sobreviveram à perigosa viagem para o Golfo de Aden vindos de Obock, Djibouti. Há pouco tempo, no dia 4 de janeiro, um frágil barco de contrabandistas de pessoas emborcou e 40 migrantes e refugiados se afogaram.

Durante a visita, centenas de manifestantes chamaram a atenção para a frustração no acampamento, predominantemente entre refugiados somalis. “Eles sofrem na Somália, durante sua fuga e agora sofrem no campo”, disse Guterres. “Eu não gostaria de morar aqui por tantos anos”. Impossibilitados de retornar para seu país atormentado pela guerra, os refugiados em Kharaz não têm opção senão viverem no limbo no acampamento. “Nosso sonho é conseguir algum lugar melhor do que aqui”, disse Ibrihim Mohamed Qalinle, 24 anos. A maioria quer ser reassentada em outro país.

Lar para 14 mil refugiados que vivem em blocos habitacionais na clareira de um deserto ventoso, o campo de refugiados de Kharaz acomoda apenas uma fração dos refugiados que chegam à costa sul do Iêmen. Muitos se deslocam para as cidades de Aden ou Sa’ada onde eles lutam para ganhar a vida. O ACNUR está implementando uma nova estratégia urbana para melhor atender a população de refugiados com educação, projetos de microcrédito, assistência médica e legal.

O Iêmen abriga por volta de 170 mil somalis, que são automaticamente reconhecidos como refugiados quando chegam. O Iêmen é o único país na Península Arábica signatário da Convenção para Refugiados de 1951 e seu Protocolo de 1967. Situado em uma antiga rota de migração, encontra grandes desafios para lidar com o grande número de fugitivos de guerra e perseguição, e aqueles que transitam pelo país procurando por oportunidades econômicas no Golfo.

“A comunidade internacional deve mostrar a mesma solidariedade com o povo do Iêmen que o Iêmen mostra com os refugiados”, disse Guterres.

No fim da viagem, a Comissária Georgieva anunciou a mobilização pela Comissão Européia de 15 milhões de euros destinados às demandas humanitárias do Iêmen e à abertura de um novo centro de ajuda humanitária.

O Alto Comissário Guterres pediu que todos os países sigam o exemplo do Iêmen e mantenham as portas abertas para todos os refugiados somalis que buscam refúgio. Ele ainda pediu um aumento significativo no apoio às agencias humanitárias operando no Iêmen e ao mesmo tempo o reconhecimento das próprias necessidades do Iêmen para o desenvolvimento econômico.

Guterres ainda solicitou um engajamento mais estratégico na promoção da paz na Somália, além de investimento em áreas onde já existe paz. “Há uma obsessão com a pirataria e o terrorismo, mas deixemos claro que o melhor caminho para promover a paz é combater a pobreza”, disse.

Melissa Fleming em Sana’a, Iêmen

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