Fronteira Argélia-Líbia entra em estado de alerta militar

Fonte: Terra Brasil

As regiões argelinas que fazem fronteira com a Líbia se encontram em estado de alerta e o Estado-Maior do Exército enviou unidades e equipes militares de reforço para intensificar o controle local, informou neste domingo o diário argelino El Khabar.

As províncias argelinas de El Oued e Illizi foram reforçadas com efetivos militares e também com agentes da Gendarmaria Nacional e da guarda fronteiriça, indicaram as fontes citadas.

Os postos de controle ganharam reforços, sobretudo aqueles situados na fronteira e nas estradas que levam a elas passando por El Oued e Illizi, regiões quase desérticas do sudeste argelino.

O jornal indicou que o dispositivo de segurança pretende impedir a entrada no território argelino de soldados desertores do Exército líbio ou de milícias partidárias de Muammar Kadafi.

Segundo a publicação, numerosos agentes das forças de segurança líbias e militares fugiram rumo à Argélia desde os primeiros dias do levante no país vizinho, e foram “instalados em um local reservado especialmente para eles”.

O primeiro-ministro argelino, Ahmed Ouyahia, ordenou o envio de alimentos e medicamentos às regiões fronteiriças do país, para atender uma possível chegada massiva de refugiados da Líbia.

Segundo os dados oficiais divulgados até o momento, 660 pessoas procedentes da Líbia chegaram nos últimos dias ao posto fronteiriço de Debdeb, na província argelina de Illizi. A agência de notícias oficial argelina APS informou que, entre essas pessoas, há 150 argelinos, 340 egípcios, 14 alemães, 63 franceses, 32 mauritanos, 62 líbios e cinco britânicos.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

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