Milhares de civis líbios em fuga para a fronteira com o Egito

Fonte: Público

Milhares de carros apinhados de civis em fuga do conflito armado na Líbia deram ontem os primeiros sinais de um esperado êxodo maciço da Líbia Oriental rumo à fronteira com o Egito – já asfixiada pelo fluxo de refugiados estrangeiros de há três semanas.

Pelo menos duas mil pessoas passaram a fronteira para território egípcio, das quais metade são líbios, vindos sobretudo das cidades de Benghazi e Ajdabiya, na linha da frente no Leste da Líbia, precisou ainda pela manhã o representante no Cairo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Mohamed Dayri. “Isto constitui uma ligeira alta em relação ao dia anterior, em que 824 pessoas passaram a fronteira”, avançou. No total desde quarta-feira, eram já mais de cinco mil pessoas que tinham entrado no Egito.

O coordenador da ajuda humanitária das Nações Unidas para a Líbia, Rashid Khalikov, sublinhou que é esperada “a fuga de muitos mais líbios em direção às fronteiras no Leste nos próximos dias”. Desde aquela contagem feita no Cairo, milhares de outras pessoas abandonaram Benghazi, bastião dos rebeldes com cerca de 670 mil habitantes, em direção ao Nordeste, foi testemunhado por correspondentes das agências de notícias.

Logo desde a manhã, famílias inteiras partiam apressadamente da cidade, após os bombardeamentos feitos durante a noite pelas forças leais ao líder líbio, Muammar Khadafi. “Estou aqui porque os meus filhos se puseram a vomitar de medo quando as explosões começaram”, contou à agência noticiosa britânica Reuters uma médica que viajava desde Benghazi com 12 familiares, desde uma avó até sete crianças pequenas.

“Tudo o que quero é levar a minha família para um lugar seguro e depois voltar para Benghazi, para ajudar. O meu marido ficou lá”, prosseguiu a mesma mulher. Pelo caminho, nas localidades em direção à fronteira com o Egito, aldeões vinham para as ruas, oferecendo garrafas de água e pacotes de biscoitos àqueles que já engrossavam o êxodo.

O responsável do ACNUR no Egito sublinhou que atualmente existem “muitas famílias deslocadas dentro da Líbia” e avisou que “se nenhuma medida for tomada desde já, haverá uma acumulação do número [de refugiados]”, tal como por meados do mês passado se assistiu quando centenas de milhares de estrangeiros se puseram em fuga – então em direção ao Egito e à Tunísia. “O que se passar nos próximos dias vai determinar se assistiremos a um êxodo maciço”, avaliara na véspera a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, admitindo que o conflito no terreno venha a bloquear as vias para lugares seguros e até mesmo a saída da Líbia.

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