Líbios fogem de ataques e cruzam fronteira com Egito

Fonte: ACNUR

Algumas pessoas no posto fronteiriço de Sallum (Egito), como o sudanês acima, aguardam dias para deixar a Líbia. (Foto: F. Noy/ACNUR)

Os ataques aéreos contra alvos militares líbios iniciados no último final de semana e a zona de exclusão aérea determinada pelas Nações Unidas sobre este país no norte da África levaram centenas de líbios a se juntar com estrangeiros e deixar o país com destino ao Egito.

O número de chegadas no posto fronteiriço de Sallum, no Egito, tem sido significativo nos últimos dias – embora menor que os picos registrados recentemente.  No sábado, quando os ataques aéreos começaram, 2.823 pessoas atravessaram a fronteira com o Egito – sendo a maioria líbia (2.320). Dados referentes a domingo, ainda não finalizados, indicam uma redução no número de chegadas.

Até agora, quase 320 mil pessoas já deixaram a Líbia – trabalhadores migrantes, em sua maioria. Embora um êxodo massivo vindo do leste da Líbia ainda não tenha se concretizado após o início dos ataques aéreos deste final de semana, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) avança seus preparativos para um possível aumento de chegadas no Egito de pessoas vindas da região de Benghazi, onde forças governamentais e da oposição travam uma disputa pelo controle da cidade.

Na manhã desta segunda-feira, um avião de carga fretado pelo ACNUR voou de Dubai em direção a Alexandria, no Egito, carregando seis armazéns pré-fabricados, um veículo e itens de ajuda não-alimentares (lençóis de plástico, galões para transportar água, utensílios de cozinha e colchões). O ACNUR quer construir um estoque com capacidade para 50 mil pessoas e já vem comprando milhares de tendas no Egito.

Muitos dos líbios recém-chegados precisam de assistência médica, incluindo apoio psico-social. Vários relataram intensos ataques de forças pró-governo contra áreas densamente povoadas no leste e disseram que esta era a razão de seu êxodo.

“Ficamos em nossa casa durante dias, enquanto prédios vizinhos foram atacados e destruídos. Não tínhamos víveres”, disse um homem da cidade de Ajdabiyya, que fugiu para o posto fronteiriço de Sallum no sábado. “Conseguimos sair quando houve uma pausa no combate. Mas o que está acontecendo agora na nossa cidade?”, perguntou o homem.

A maioria dos líbios enfrenta controles migratórios mínimos e conseguem atravessar a fronteira rapidamente, mas muitos nacionais de outros países têm ficado detidos em uma “terra de ninguém” durante dias, enquanto esforços são feitos para repatriá-los ou encontrar outras soluções. O ACNUR tem fornecido 10 mil refeições por dia para essas pessoas, enquanto que o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) vem instalando dezenas de latrinas.

Autoridades egípcias procuram a ajuda da ONU na preparação da chegada de um eventual fluxo de cidadãos líbios. O Exército montou tendas comuns para abrigar até 600 líbios que tenham problemas com sua documentação na chegada.

Do outro lado da Líbia, na Tunísia, pessoas continuam a atravessar a fronteira para tentar escapar do conflito. As equipes do ACNUR têm escutado os sons de tiroteios esporádicos no território líbio. Várias centenas de pessoas cruzaram a fronteira nesta segunda-feira, principalmente nacionais de Bangladesh, do Egito, da Somália e do Sudão.

Também na tarde de hoje, o pessoal do ACNUR testemunhou quatro jornalistas do New York Times cruzarem a fronteira, vários dias após terem sido detidos sem vistos no leste da Líbia, por forças pró-governo. De acordo com funcionários do ACNUR, os jornalistas estavam “razoavelmente saudáveis.”

No fim de semana, cerca de 1,5 mil pessoas cruzaram a fronteira com a Tunísia no posto fronteiriço de Ras Adjir. Entres eleas, 271 pessoas de Bangladesh, 322 egípcios, 103 somalis e 594 pessoas de Gana, bem como pessoas de várias outras nacionalidades.

Os recém-chegados são levados para o acampamento de trânsito Choucha, que fica próximo da região. Nos últimos dias, a população do campo tem variado entre 3 mil e 5 mil pessoas.

Quase 320 mil pessoas – trabalhadores migrantes, em sua maioria – fugiram da Líbia desde que a crise no país começou em meados de fevereiro. O número inclui 165 mil pessoas fugidas para a Tunísia, quase 140 mil para o Egito, cerca de 6 mil para Níger e mais de 9 mil para a Argélia.

Sob um programa emergencial de evacução, o ACNUR e a Organização Internacional para Migrações (OIM) têm executado mais de 250 vôos para repatriar cerca de 56.000 pessoas da Tunísia, Egito e Argélia desde o início de março.

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