Japão: moradores de Fukushima enfrentam preconceito

Fonte: O Globo

Crianças assistem TV em abrigo em Onagawa, Iwate (Foto: AP)

Por Claudia Sarmento

Mais um efeito colateral do drama japonês começa a ganhar espaço nos debates sobre o futuro de um país ainda assombrado pelo perigo nuclear: uma das consequências mais dolorosas do bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki, a discriminação dos sobreviventes devido aos temores da radiação pode se repetir agora com os refugiados de Fukushima.

Ninguém sabe ao certo a dimensão do vazamento radioativo na usina, mas jornais japoneses noticiaram que moradores saídos da região já estão sendo recusados em hotéis e até em centros de refugiados. Em pelo menos duas províncias, Gifu e Shizuoka, equipes de resgate se recusaram a transportar pacientes da área próxima ao perigo nuclear.

Especialistas alertam que o mais importante agora é esclarecer o público sobre os efeitos da radiação para evitar que uma nova geração passe pelo mesmo sofrimento de quem escapou das bombas atômicas.

Os sobreviventes das duas cidades praticamente desintegradas em 1945 são conhecidos no Japão como hibakushas, termo que pode ser traduzido como “pessoas afetadas pela explosão”. Se por um lado foram vistos como heróis, por outro carregaram um estigma social, produto da ignorância.

Eram considerados fontes de uma radiação permanente, que atravessaria gerações, e as mulheres tinham dificuldade para se casar se revelassem sua origem. Embora o governo tenha determinado que tinham direito à assistência médica gratuita e pensão, muitos preferiram esconder a condição de hibakusha por anos.

– Essa discriminação ocorreu também em Chernobyl e após o acidente com o Césio 137, em Goiânia. No Brasil, as vítimas foram transferidas para um centro no Rio, mas seus parentes tinham problemas para visitá-los, porque as pessoas não queriam ninguém de Goiânia por perto – lembra o médico americano Robert Gale, um dos maiores especialistas do mundo em tratamento dos efeitos da radiação, que trabalhou na Ucrânia e no Brasil e, agora, está no Japão, como consultor.

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