Berlusconi: UE não pode se eximir de responsabilidade ante ‘tsunami’ migratório

Fonte: AFP

Barco com mais de 200 pessoas a bordo, procedente da Líbia, chega à ilha de Lampedusa, na Itália

Por Francesco Monteforte

A Europa não poderá “se eximir” de responsabilidade ante o fluxo de imigrantes procedentes da Tunísia e da Líbia, afirmou neste sábado o chefe de governo italiano, Silvio Berlusconi, ao visitar a pequena ilha de Lampedusa.

“Não é um problema italiano, mas um problema europeu”, reafirmou o presidente do Conselho em entrevista à imprensa na ilha onde vêm desembarcando, nos últimos meses, milhares de imigrantes ilegais tunisianos, assim como refugiados africanos procedentes da Líbia.

Berlusconi anunciou a realização de dois voos diários, a partir de agora, a partir de Lampedusa, para repatriar os procedentes da Tunísia.

“Contamos com a dissuasão psicológica. Quando souberem que todos os cidadãos tunisianos serão mandados de volta imediatamente, os que têm a intenção de vir vão passar a se perguntar se vale mesmo a pena”, disse Berlusconi.

O chefe de governo italiano também considerou que “não pode haver uma resposta egoísta” ante o que chamou de “um tsunami humano”.

Recordou que os países do sul da Europa haviam solicitado a ajuda da União Europeia para acolher os imigrantes.

“Esperamos uma resposta. A UE não pode fugir” do problema, disse.

A Itália decidiu nesta quinta-feira conceder aos imigrantes tunisianos um visto de residência temporário, de seis meses, o que lhes permitirá circular livremente pelo espaço europeu – uma questão criticada por Paris e Berlim.

Segundo Berlusconi, Paris deve “compreender que 80% (dos imigrantes tunisianos) declaram que querem ir para a França para se encontrar com amigos e familiares”.

“Se não houver acordo, nos veremos obrigados a colocá-los em centros de acolhida onde só podem ficar por seis meses e, depois, estarão livres para viajar para a França”, disse.

Ao referir-se à Alemanha, afirmou que a chanceler Angela Merkel “deve entender que é necessário definir uma resposta comum da Europa”, embora compreenda “alguns comportamentos (…) num momento político difícil, no qual a impopularidade vem sendo a marca dos governos”.

Berlusconi chegou sábado à ilha de Lampedusa, onde, apesar de ser esvaziada às pressas, continuam chegando centenas de imigrantes provenientes dos países do Magreb.

Uma tarefa difícil: às 14H30 (12H30 GMT), 244 imigrantes provenientes da Líbia desembarcaram na ilha, enquanto outra embarcação, vinda ao que parece da Tunísia, com 50 pessoas, entre elas uma mulher, foi auxiliada em alto mar, antes de chegar ao litoral.

Quando Berlusconi visitava “a colina da vergonha”, coberta de sujeira há dias, e que foi limpa para a ocasião, um terceiro barco aportou à praia de Cala Madonna, um outro poto da ilha.

Na noite de sexta-feira, desembarcaram 530 refugiados africanos provenientes da Líbia.

“Centenas de somalis, nigerianos e eritreus vieram na embarcação, de 30 metros de comprimento. Estavam esgotados. Alguns até desmaiaram quando deixaram o barco”, disse à AFP Vittorio Alessandro, porta-voz da guarda-costeira de Lampedusa.

“Havia mães, recém-nascidos e pessoas de idade que usavam bengalas”, contou Barbara Molinario, do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

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