Conflito na Líbia já expulsou 500 mil pessoas e afeta etnia Berber no oeste do país

Fonte: ACNUR

Pessoas deslocadas pelo conflito na Líbia abrigadas no deserto, nos arredores da cidade de Ajdabiya. (Foto: P. Moore/ ACNUR)

O conflito na Líbia, que começou em meados de fevereiro deste ano, já expulsou cerca de 500 mil pessoas do país. Segundo a agência da ONU para refugiados, os novos deslocamentos envolvem 500 líbios da etnia Berber, que deixaram suas casas nas montanhas localizadas no oeste do país e buscaram refúgio na região de Dehiba, no sudeste da Tunísia.

“Eles nos disseram que a pressão cada vez maior das forças governamentais nas cidades do oeste, a falta de medicamentos e a escassez de comida forçaram a saída deles da região”, disse hoje em Genebra o porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic.

O porta-voz lembrou que Dehiba está localizada a cerca de 200 quilômetros ao sul de Ras Adjir, a fronteira por onde dezenas de milhares de pessoas entraram na Tunísia fugindo da Líbia desde o início dos conflitos no país, em meados de fevereiro deste ano.

Segundo Mahecic, as pessoas que chegam têm recursos limitados e “necessidades humanitárias significativas”. Todos estão sendo acomodados pelas autoridades locais em uma quadra esportiva esportivo na cidade de Remada, 45 quilômetros além da fronteira, onde o ACNUR estabaleceu um campo com 130 tendas.

“Eletricidade e água foram conectadas e outros serviços estão sendo estabelecidos. O ACNUR trabalha com uma organização local – Al Taáwon – e o Vermelho Crescente da Tunísia”, explicou o porta-voz.

A comunidade de Remada tem oferecido uma assistência considerável, disponibilizando suas casas para milhares de famílias líbias. Hotéis econômicos em Dehiba e na cidade e na vizinha Tataouine também estão sendo usados para abrigar famílias. Uma escola perto do campo em Remada se ofereceu para receber os estudantes líbios.

Mahecic disse também que pessoas cruzando a fronteira Líbia/Egito têm dado às equipe dos ACNUR mais detalhes sobre os deslocamentos no leste do país, entre as cidades de Ajdabiya e Tobruk. “Milhares de famílias deslocadas nas cidades de Benghazi e Tobruk estão sendo abrigadas por residentes, enquanto outras estão refugiadas em escolas e prédios vazios. As pessoas têm medo de serem pegas pelo conflito em Ajdabya, caso as forças do governo vençam a disputa”, disse Mahecic.

O porta-voz lembrou que pessoas continuam fugindo da Líbia pelo mar em direção à Itália e a Malta. Na manhã de hoje, as forças armadas maltesas ajudaram um barco dom 116 pessoas, incluindo uma mulher já morta. Desde o dia 26 de março, mais de 1.100 pessoas chegaram a Malta em cinco barcos vindos da Líbia. Na Itália, três barcos com 1.008 pessoas chegaram à Ilha de Lampedusa durante o último final de semana. A maioria dos passageiros é formada por somalis e nigerianos. Desde 26 de março, 3.358 pessoas chegaram ao território italiano vindos da Líbia.

Entre as cerca de 500 mil pessoas que já deixaram a Líbia, aproximadamente 200 mil foram para o Egito, 236 mil foram para a Tunísia, mais de 36 mil cruzaram a fronteira com Níger, 14 mil chegaram à Algéria, 6.200 foram para o Chade e outros 2.800 chegaram ao Sudão.

No último domingo, cerca de 3.900 pessoas cruzaram o posto fronteiriço de Sallum, no Egito – entre elas 3 mil líbios. “Isto representa o dobro da média de líbios que têm cruzado aquela fronteira diariamente nas últimas semanas”, afirmou o porta-voz do ACNUR.

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