Confrontos pós-eleições deixam 48 mil refugiados na Nigéria, diz ONG

 Fonte: O Estado de S.Paulo

Candidato muçulmano derrotado em pleito que gerou violência diz que vai questionar resultado


A violência pós-eleitoral na Nigéria já forçou o deslocamento de cerca de 48 mil pessoas no país, informou nesta quarta-feira, 20, à BBC a Cruz Vermelha nigeriana.

O presidente Goodluck Jonathan, cristão oriundo do sul do país, foi declarado vencedor no segundo turno eleitoral, disputado no último sábado. Ele derrotou o general muçulmano Muhammadu Buhari, que representava o norte do país, de maioria islâmica. Ambos os candidatos pediram calma aos manifestantes, mas Buhari declarou à BBC nesta quarta-feira que vai contestar os resultados do pleito por, segundo ele, haver indícios de irregularidades. Observadores internacionais afirmaram que as eleições foram razoavelmente livres e justas.

Os distúrbios começaram a eclodir após o anúncio da vitória de Jonathan, com 57% dos votos, e grupos de direitos humanos dizem que mais de 200 pessoas já morreram em confrontos e outras centenas ficaram feridas. O correspondente da BBC no país, Abdullahi Kaura Abubakar, diz que a violência tem origem político-eleitoral, mas agora ganha contornos religiosos por conta das rixas entre o norte majoritariamente muçulmano e o sul de maioria cristã.

Umar Marigar, representante da Cruz Vermelha nigeriana, diz que a crise política está se convertendo em “étnico-religiosa”, elevando os riscos de que ataques perpetrados sejam seguidos de retaliações, em um ciclo de violência. “É disso que temos medo.”

Patrulha
Em Kaduna, localizada no centro do país e palco de episódios violência nos dois últimos dias, o correspondente Abubakar relatou que a situação era de relativa calma na tarde desta quarta-feira. No entanto, corpos eram vistos pelas ruas, como resultado de confrontos e de incêndios.

Muitas pessoas estavam nas ruas comprando comida e sacando dinheiro antes que entrasse em vigor um toque de recolher, marcado para as 17h (horário local). A cidade está sendo patrulhada por soldados do Exército.

A maioria dos manifestantes é de homens desempregados e alijados de estudos e oportunidades, relata Muhammad Jameel Yushau, do serviço em hauçá (idioma local) da BBC. “Em geral, esses homens só são lembrados pelos políticos em época de eleições, quando muitos são pagos para votar. Eles podem fazer com que o atual conflito saia do controle, já que o momento lhes oferece uma oportunidade de saquear e atacar pessoas que eles consideram inimigas.”

Divisões
Goodluck Jonathan, cristão da região petrolífera do delta do Níger, foi indicado à Presidência no ano passado, por conta do adoecimento e da morte do então presidente Umaru Yar’Adua, muçulmano do norte. Até então, em geral, a Presidência vinha sendo rotativa entre as duas partes do país, em uma tentativa de manter a paz. Mas correspondentes explicam que, independentemente dos partidos políticos que estejam no poder, os 12 anos de governo civil no país trouxeram poucas mudanças às vidas dos nigerianos.

Um fator complicador é que o norte islâmico é menos desenvolvido que o sul em termos de educação, desenvolvimento e oportunidades econômicas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: