Polícia libanesa prende e devolve refugiados sírios ao regime de Al Assad

Fonte: R7

Foto da agência de notícias oficial síria mostra o cortejo fúnebre a um policial na aldeia Mushrifa Homs; mais de 750 podem ter morrido em conflitos contra o regime de Bashar al Assad (Foto: Sana/ 08.05.2011/ AFP)

Imigrantes fugiram em busca de segurança, mas são entregues ao país em conflito

Os sírios que tentam fugir do país cruzando a fronteira com o Líbano, para escapar da violenta repressão do regime do presidente Bashar al Assad, estão sendo caçados e entregues a um destino incerto pelas forças de segurança libanesas, informa o jornal britânico The Guardian, citando relatos de moradores locais.

Desesperados, os imigrantes da cidade fronteiriça Tell Kalakh reuniram neste fim de semana seus pertences em sacolas plásticas, além de cobertores simples, para chegar ao Líbano em busca de segurança.

Segundo o Guardian, os refugiados e feridos atravessaram o rio lamacento Kabir a pé, em frente de um posto de controle do Exército libanês nas proximidades de Wadi Khaled. Eles contavam com a ajuda dos muçulmanos sunitas da região, que durante muito tempo odiaram o regime sírio vizinho.

No entanto, testemunhas contaram ao jornal que quase todos os imigrantes foram presos poucas horas depois de sua chegada por agentes da inteligência libanesa, agindo sob ordens para impedir a fuga dos sírios da repressão de Al Assad.

Abu Rabih, que não quis dar seu nome verdadeiro por medo de ser preso, contou ao Guardian que havia bloqueios em todos os lugares.

– Era impossível esconder quem eram essas pessoas [os refugiados].

Os refugiados presos foram devolvidos aos serviços de segurança sírios no começo do dia, disseram testemunhas indignadas.

– Por que enviar os nossos irmãos do Líbano de volta para serem mortos e torturados por esses monstros?

As revelações vieram à tona em meio a relatos de tiros na cidade de Moadimiyeh, próxima a Damasco, nesta terça-feira (10).

Mortes chegam a mais de 750 pessoas
Ativistas dos direitos humanos na síria afirmam que 757 pessoas morreram desde o início das manifestações, no dia 15 de março. Mais de 450 foram presos desde sábado (7) na cidade litorânea de Banias – inclusive lideranças que organizaram protestos no último fim de semana.

Analistas ouvidos pela agência de notícias AP (Associated Press) destacaram que, durante as manifestações que derrubaram os ditadores de seus respectivos países, 219 pessoas morreram na Tunísia e outras 846 no Egito.

Protestos seguem apesar de reforço militar
Mesmo com a repressão, o portal Syrian Revolution 2011 indicou por meio da rede social Facebook que “os protestos continuarão diariamente”. Manifestantes convocaram para uma “terça-feira de solidariedade com os presos e de consciência sobre as prisões do regime criminoso da Síria”.

Na noite de segunda-feira, em Damasco, cerca de 200 manifestantes protestaram na Praça Arnus, no centro da capital, para exigir o fim do estado de sítio de algumas cidades do país. As forças de segurança chegaram, dispersaram os manifestantes e prenderam algumas pessoas.

Apesar do aumento dos protestos, o regime do presidente Assad se mantém no poder graças à fraca reação internacional e à fidelidade do Exército local, dizem os analistas internacionais.

Em entrevista ao jornal americano The New York Times, a assessora de imprensa de Assad, Bouthaina Chaabane, afirmou que “o pior da revolta já passou”.

Embargo
Na sexta-feira, a UE (União Europeia) aprovou formalmente um embargo de armas contra a Síria, proibindo também a concessão de vistos de entrada e congelando os bens de 13 sírios importantes nos países da União.

O irmão mais novo do presidente, Maher al Assad, de 43 anos, chefe da Guarda Republicana, lidera a lista das pessoas que sofrerão as sanções. Apresentado como o principal “arquiteto da repressão aos manifestantes” na lista europeia, o general Ali Mameluco e o novo Ministro do Interior, Mohamad Ibrahim Al Chaar, nomeado no dia 28 de abril, também tiveram os bens congelados.

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