Depois de domingo sangrento, Israel ataca barco de ajuda humanitária

Fonte: Correio do Brasil

Ação ocorreu depois da morte de 17 palestinos nas comemorações da Nakba nesse final de semana

A Marinha israelense disparou, nesta segunda-feira (16), contra um barco de ajuda humanitária originário da Malásia, que tem como destino a Faixa de Gaza. Diante da ofensiva, a frota foi obrigada a desviar sua rota até águas egícpcias. A operação conta com cerca de 15 barcos com ativistas de 25 nacionalidades, que têm como objetivo levar materiais de construção à Gaza.

Em abril, quando anunciaram a missão, ativistas pediram auxílio à comunidade internacional para que não deixassem Israel impedir a missão, avisando que todos os integrantes estariam desarmados.

Em 31 de maio do ano passado, uma primeira operação humanitária, composta por 700 ativistas, foi atacada pelo Exército israelense em águas internacionais, causando a morte de nove pessoas.

Mortos na Nakba
O ataque à frota se soma à violência israelense contra palestinos neste final de semana. Pelo menos 17 palestinos morreram neste domingo (15) depois de ataques do Exército israelense, que disparou contra centenas de manifestantes que celebravam o 63º aniversário da Nakba (catástrofe), que recorda o êxodo palestino depois da criação do Estado de Israel, em 1948.

Os confrontos ocorreram quando centenas de refugiados de campos do Líbano, Síria e Faixa de Gaza tentaram cruzar a fronteira com Israel como protesto para marcar a Nakba. Eles também reivindicavam o direito de retorno aos territórios palestinos.

­Na fronteira libanesa, as tropas israelenses dispararam contra grupos de manifestantes que portavam bandeiras palestinas ao grito de “queremos que nos devolvam nossa terra”.

Segundo um comunicado do Exército libanês, dez pessoas morreram e 112 ficaram feridas por disparos israelenses na fronteira entre Israel e o Líbano.

“Apesar das estritas medidas tomadas pelo Exército libanês na região de Marun Ar Ras para acompanhar os manifestantes da Nakba, as forças do inimigo israelense dispararam em direção aos manifestantes causando a morte de dez pessoas e 112 feridas, algumas com gravidade”, assinala a nota.

Já na fronteira síria, perto da localidade de Majdal Shams, além dos quatro mortos, dezenas ficaram feridos depois de serem baleados por soldados israelenses, informou a cadeia de TV Al Arabiya.

A Chancelaria da Síria classificou os ataques como “atos criminais” por parte de Israel, e que o país deverá assumir “a total responsabilidade sobre seus atos”.

“Denunciamos com firmeza os atos criminais de Israel contra nosso povo nos Altos de Golã, na Palestina e no sul do Líbano, que causaram numerosos mortos e feridos”, afirmou o Ministério de Relações Exteriores em um comunicado.

Este é o primeiro ano, desde 2007, em que diferentes facções palestinas se unem na Faixa de Gaza para organizar atos conjuntos em comemoração à Nakba. No início de maio, as organizações palestinas assinaram um acordo, que prevê a formação de um governo único e compartilhado e a convocação de eleições parlamentares e presidenciais no prazo de um ano.

Direito de retorno
Em entrevista à Telesur, o analista George Zade explicou que a repressão do Exército israelense “não é nenhuma exceção, é algo contínuo desde que iniciaram a invasão da Palestina. Os massacres existiram antes da criação do Estado de Israel”.

Zade recorda que os palestinos representam 50% do total de refugiados do mundo, ao mesmo tempo em que critica a comunidade internacional por não incluir a questão dos palestinos em sua agenda de direitos humanos. A comunidade internacional “tem que dar um passo para a aplicação das resoluções 194 e 3.236 para que os palestino voltem a seus territórios”, concluiu.

Em 1948, as Nações Unidas estabeleceram uma resolução (194) que dava o direito de retorno aos palestinos refugiados. Já em 1974, foi criado o decreto 3.236 que estabelece o direito inalienável de que “refugiados palestinos retornem a seu território”. Nenhuma das duas medidas, no entanto, foi cumprida até hoje.

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