ACNUR: Países europeus são responsáveis por refugiados do norte da África

Fonte: Último Segundo

Por Marsílea Gombata

Migrantes em barco se aproximam da baía de Lampedusa, na Itália (28/3/2011) (Foto: AP)


Representante do Alto Comissariado para Refugiados da ONU no Brasil condena política de líderes que falam em fechar fronteiras

Países que mantêm tropas na Líbia têm responsabilidade direta nos conflitos e na consequente fuga em massa de refugiados. A observação é feita pelo representante do Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR) no Brasil, Andrés Ramirez, que lamenta o fato de líderes europeus se negarem a receber refugiados de países em conflito como a Tunísia e a Líbia, no norte da África.

“É lamentável o fato de Estados europeus falarem em fechar fronteiras quando eles mesmos estão envolvidos no conflito”, disse o mexicano Andrés Ramirez, representante do Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR) no Brasil. “É importante que esses Estados europeus abram essas fronteiras para pessoas que estão sofrendo”.

Em abril, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê italiano, Silvio Berlusconi, chegaram a questionar o Tratado de Schengen, ao pedir revisão do princípio de livre circulação dentro do bloco europeu diante da onda de imigrantes fugindo de conflitos no norte da África para o continente europeu. Tal postura, segundo Ramirez, “desrespeita os princípios da própria União Europeia”. “Essa á uma política muito contrária aos direitos humanos que preditam Estados-membros do bloco“, observou.

Segundo o representante, a maioria dos refugiados atuais nem mora em países desenvolvidos, mas sim naqueles em subdesenvolvimento. “Por isso, a Acnur trabalha para assentar essas pessoas em outros países e não, necessariamente, na Itália ou França”, disse.

Ao ressaltar que os imigrantes foram força de trabalho importante em países como Brasil e EUA, Ramirez traçou um paralelo entre a história passada e o atual momento para condenar líderes que se negam a receber refugiados. “Muitos italianos, por exemplo, vieram para Brasil, Argentina, EUA, Uruguai, Venezuela, Peru. (…) Se tivéssemos fechado as portas para eles com a justificativa de que trariam crise ao país, então as imigrações não existiriam no mundo, quando, na verdade, elas ajudaram a fortalecer esses países”, concluiu.

crise no Oriente Médio e no norte da África, especialmente em países como Tunísia e Líbia, levou mais de 30 mil refugiados a fugir para a Itália desde o início dos conflitos.

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