Serviços de imigração ingleses acusados de negligência em relação a pedidos de asilo

Fonte: AFP

Serviços de imigração ingleses acusados de negligência em relação a pedidos de asilo (Foto: Peter MacDiarmid/ AFP, POOL, File) )

Os serviços de imigração britânicos ficaram nesta quinta-feira no centro das atenções após a publicação de um relatório do Parlamento que os acusa de ter aceitado cerca de 160.000 pedidos de asilo para livrarem-se do acúmulo de trabalho, como pedia o Governo.

A taxa de aceitação é tão alta que se traduz em uma “anistia de fato”, acusou a comissão parlamentar responsável pelo relatório.

Quando o primeiro-ministro conservador David Cameron chegou ao poder em maio de 2010, ele prometeu que seu governo examinaria todas as milhares de pedidos de asilo acumulados.

No entanto, o objetivo foi alcançado “em grande parte aumentando o número de permissões de residência”, afirmam os deputados.

Para acelerar o processo, os serviços de imigração foram autorizados a responder positivamente aos pedidos de candidatos que moravam entre seis e oito anos no Reino Unido. Antes era exigido um período entre 10 e 12 anos.

Dos 450.000 pedidos acmulados, 403.500 foram analisados, dos quais apenas 38.000 (9%) foram negados, de acordo com o estudo divulgado.

Por outro lado, 161.000 pessoas (40%) conquistaram o direito de permanência. De acordo com os deputados, outras 74.500 demandas foram arquivadas porque “os reclamantes não puderam ser localizados”.

O secretário de Imigração, Damian Green, negou qualquer suspeita de negligência, assegurando que não existe “anistia alguma”. Ele alegou ainda que seu governo herdou uma “situação caótica” em relação aos pedidos de asilo.

A oposição acusou os conservadores de “fazer grandes promessas em relação à imigração, sendo incapazes de cumpri-las”.

O governo anunciou desde o início a sua intenção em reduzir o número de imigrantes a “apenas algumas dezenas de milhares” em seu mandato de cinco anos.

“Muitos pedidos de asilo ficaram anos esperando uma decisão sobre o caso”, alegou Jonathan Ellis, representante da Refugee Council, uma organização de ajuda aos reugiados. “Dar a eles o direito de permanência é em muitos casos a decisão mais justa”, encerrou.

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