ONU encontra deslocados e necessidades humanitárias nos dois lados do conflito líbio

Fonte: ACNUR

 

A casa da menina Razan, de apenas cinco anos, foi destruída por um míssil. Agora ela vive em uma escola com seus pais, a irmã e a avó de 76 anos (Foto: H. Caux/ ACNUR)

Após meses de confrontos e sanções, aproximadamente 74 mil pessoas estão deslocadas nas zonas de conflito próximas à capital da Líbia, Trípoli, e correm o risco de ficar sem serviços e produtos essenciais.

Equipes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) constataram essa realidade após participarem, na semana passada, de uma missão com outras agências da ONU que visitou os dois lados do conflito. Uma das missões foi a Trípoli e a locais de deslocamento nas áreas controladas pelo governo, como Zitan, Al Khums e Gharian. A outra visitou a cidade de Misrata, que é controlada pela oposição.

O governo líbio coordenou e acompanhou a equipe da ONU na visita a Zlitan, Al Khums e Gharian. As autoridades do país assumiram a responsabilidade de ajudar um número estimado de 49 mil pessoas deslocadas na região de Trípoli e Zlitan.

“As pessoas deslocadas que o ACNUR encontrou parecem enfrentar o problema, apesar da grave situação humanitária”, disse nesta terça-feira, em Genebra, o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards. Ele disse ainda que a maior parte dos deslocados está em abrigos, dormitórios e casas à beira-mar, recebendo assistência do governo e de algumas instituições privadas de caridade.

“Mesmo assim, uma crise de assistência pode estar prestes a acontecer”, alertou o porta-voz. “Embora os armazéns estejam bem abastecidos com itens básicos de alimentação, é evidente que o impacto combinado de um conflito prolongado com as diversas sanções sofridas pelo país está minando a capacidade de o governo conseguir assistir a essas pessoas de forma eficaz”, afirmou Edwards. De acordo com ele, as missões da ONU que visitaram os locais de deslocamento acreditam que, se a situação atual persistir, a ajuda internacional será necessária em questão de semanas.

Na capital da Líbia, funcionários do ACNUR observaram um estresse cada vez maior entre a população que vive em meio ao conflito. Além disso, itens essenciais começam a ficar escassos e longas filas – uma chegou a medir 8,2 quilômetros – se formam nos postos de gasolina.

No outro lado da batalha, o Conselho Nacional de Transição de Misrata disse ao ACNUR que há aproximadamente 25 mil deslocados internos na cidade. A maior parte se abriga com parentes e famílias de acolhimento.

Algumas famílias abrigam até sete ou oito grupos de deslocados em suas casas, uma situação delicada pois o pagamento dos salários parou em janeiro e os bancos não estão funcionando. Outros líbios deslocados estão abrigados em escolas ou prédios desocupados. Novas opções de abrigo estão sendo estudadas pelo Comitê Líbio para Assistência Humanitária, empresas de engenharia e empresas locais.

Mohamed, de 37 anos, vivia com a esposa e duas filhas em Makasbi, um bairro de Misrata. Ele deixou sua casa em abril, logo após o local ser atingido duas vezes por mísseis. “Felizmente, nenhum de nós estava em casa na hora dos ataques”, disse Mohamed. “Fomos para Al Zaroog, que é uma vizinhança mais segura, só com alguns pertences. Ficamos na casa de uns amigos, mas eles já estavam abrigando outras sete famílias. Havia 35 pessoas na casa e apenas um banheiro para todo mundo. Era impossível continuarmos lá, as crianças brigavam sempre. Não havia espaço suficiente”, explicou.

O ACNUR continua levando assistência de Benghazi a Misrata por meio de parcerias locais e está pronto para ajudar na reconstrução de casas.

Aos poucos, a vida em Misrata volta ao normal. Com a retomada da eletricidade em algumas partes da cidade, o comércio local está reabrindo e jovens estão ajudando na limpeza das ruas. Mas o Conselho Nacional de Transição de Misrata informa que, entre outras necessidades humanitárias, a cidade já enfrenta escassez de alimentos e remédios.

Desde o início dos conflitos, os cinco hospitais de Misrata já relataram 630 mortes e seis mil feridos. Quatro quintos dos enfermeiros, a maioria estrangeiros, deixou a cidade logo no começo dos combates e foram progressivamente substituídos por estudantes de medicina.

Sybella Wilkes em Geneva, com a colaboração de Helene Caux em Misrata e Arafat Jamal em Zlitan

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