Turquia decide manter fronteira aberta para refugiados sírios

Fonte: R7

Refugiados sírios caminham por acampamento montado pelo Crescente Vermelho turco no distrito de Yayladagi, a 2 km da fronteira com a Síria (Mustafa Ozer/ AFP)

Movimentação de tropas do Exército sírio fez cerca de 170 civis fugirem para a Turquia

A Turquia decidiu nesta quarta-feira (8) manter aberta a fronteira com a Síria para abrigar refugiados da violência contra civis imposta pelo regime do presidente Bashar al Assad. O país pediu que o governo sírio diminua a repressão contra os protestos que desde março pedem reformas democráticas, depois que milhares de pessoas abandonaram uma cidade próxima da fronteira turca por temer uma ofensiva militar.

O governo sírio acusa bandos armados de matar homens das forças de segurança na cidade de Jisr al Shughour, próxima à fronteira com a Turquia, e prometeu enviar o Exército para executar a sua “obrigação nacional de restaurar a segurança” na região. Tropas e tanques de guerra se movimentaram para perto da cidade, levando muitos de seus 50 mil habitantes a fugir.

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse que “está fora de questão” a ideia de impedir a passagem de civis que fogem da violência na Síria fechando as fronteiras do país.

Erdogan, que por muito tempo tentou estreitar as relações entre os dois países, criticou nesta quarta-feira a violência com que o governo de Assad vem reprimindo as manifestações civis contra o regime.

– Estamos monitorando os acontecimentos na Síria com preocupação. A Síria deve mudar sua relação com os civis e agir de forma mais tolerante.

Cerca de 170 civis cruzaram a fronteira com a Turquia
Cerca de 170 sírios atravessaram a fronteira para a Turquia na terça-feira (7), informou a agência de notícias estatal turca. Alguns feridos foram levados a hospitais. Segundo os civis, a maioria dos que fugiram da cidade permanece em vilarejos dentro da Síria.

Jornalistas da agência de notícias Reuters na Turquia viram barracas no lado sírio da fronteira, enquanto moradores do lado turco da fronteira afirmaram ter visto tropas do Exército local e ambulâncias resgatarem sírios que acabavam de cruzar a divisa.

Movimentação de tropas do Exército sírio preocupa países
Os governos de França e Reino Unido também preparam uma nova resolução no Conselho de Segurança da ONU para tentar condenar Assad, embora não pareça estar na pauta uma intervenção militar como acontece atualmente na Líbia.

A movimentação de tropas das Forças Armadas para a região aumentou o temor de que a violência no país possa ganhar proporções ainda maiores. Segundo o governo sírio, mais de 120 homens das forças de segurança foram mortos no que ativistas anti-Assad dizem ter sido uma briga entre os próprios soldados.

Grupos defensores dos direitos humanos afirmam que mais de 1.100 civis morreram desde março nos protestos contra o regime, cuja família Assad está no poder há 41 anos.

Em Jisr al Shughour, a população ainda lembra de um assassinato em massa ocorrido em 1980, durante uma revolta contra o governo do pai de Assad, Hafez. O episódio foi o estopim de uma revolta islâmica armada na cidade de Hama, no noroeste do país, onde a repressão do governo deixou pelo menos 10 mil mortos em 1982.

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