Refugiados na RD Congo manifestam interesse de trabalhar em Angola

Fonte: Angola Press

Refugiados angolanos radicados na República Democrática do Congo (RD Congo) manifestaram interesse de prestar a sua contribuição em Angola, tão logo se efetive o regresso ao país, cujo reinício do processo está aprazado para 4 de julho do ano em curso nos termos de um acordo entre os respectivos executivos e o ACNUR.

Esse interesse foi manifestado a jornalistas de órgãos públicos da Comunicação Social angolana, em Kinshasa, quarta-feira, à margem de um encontro que o ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, manteve com a comunidade de refugiados radicados na RD Congo.

Por exemplo, o cidadão Kdwete Manuel, médico oftalmologista, que se encontra na RD Congo desde 1961, afirmou desejar regressar a Angola para participar no processo de reconstrução nacional.

“Desejo regressar a Angola, mesmo hoje, onde poderei dar continuidade à minha atividade circunscrita sobretudo em operações de cataratas, cuja maior parte de pacientes tratados por mim em Matadi, RD Congo, são provenientes das províncias de Cabinda, Zaire, Kwanza Norte e Uíge”, enfatizou o médico oftalmologista.

Por outro lado, o cidadão Alberto José Fernandes Lundongo, natural do Lobito, província de  Benguela, disse à Angop estar radicado na RD Congo desde 1974. 

Em 1998, enfatizou, tentou regressar ao país em companhia de outros angolanos, mas a guerra forçou-os a recuar novamente para o asilo, isto a partir da fronteira entre Angola e a RD Congo.

Salientou ser sua pretensão, agora, regressar definitivamente ao país e trabalhar, o que considera ser uma “boa coisa”. ” Por exemplo, argumentou, estamos aqui, temos uma liberdade, mas é limitada, ao passo que se uma pessoa for a Angola tudo será diferente. Teremos acesso ao trabalho ( …), não haverá problema nenhum.

Afirma ser um bom produtor de milho, café, arroz e  também manifestou disponibilidade em trabalhar em instituições de ensino, quer primários, quer secundários, já que diz ter formação em farmacologia, electrônica, eletricidade e informática.

O ministro da Assistência e Reinserção Social,  João Baptista Kussumua, esclareceu,  quarta-feira, em Kinshasa, aos membros da comunidade presentes na reunião que Angola teve um “problema triste”, numa clara alusão à guerra que o país viveu até 2002, ano em que foi alcançada a paz.

“Temos muitos desafios para a reconstrução do país. Tudo isso faz-se com pessoas, com todos os angolanos que se encontram fora. É a força dos filhos da terra que faz transformar o país, porque não há país nenhum que se tenha desenvolvido à custa de outro”, enfatizou o governante.

Sobre a falta de documentação alegada por alguns cidadãos, a vice-ministra da Justiça, Ana Canene, apontou como primeiro passo para a sua obtenção, o registo de nascimento e posteriormente a aquisição de uma certidão narrativa de nascimento, e depois um Bilhete de Identidade, processo totalmente garantido pelo Governo a todos angolanos que voluntariamente regressarem ao país.

A vice-ministra Ana Canene assegurou que o processo já está em curso, sublinhando que nessa empreitada a prioridade será dada aos adultos.

Por seu turno, o ministro João Baptista Kussumua esclareceu aos membros da comunidade presentes na reunião que Angola teve um “problema triste”, numa clara alusão à guerra que o país viveu até 2002, ano em que foi alcançada a paz.

“Temos muitos desafios para a reconstrução do país. Tudo isso faz-se com pessoas, com todos os angolanos que se encontram fora. É a força dos filhos da terra que faz transformar o país, porque não há país nenhum que se tenha desenvolvido a custa de outro”, enfatizou o governante.

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