‘Aqui não há discriminação religiosa’, diz refugiado nigeriano em São Paulo

Fonte: G1

Bornaventure Abugu, de 40 anos, está há 4 meses no Brasil e ainda não fala português (Foto: Giovana Sanchez/ G1)

Bornaventure Abugu estava jurado de morte em seu país por ser cristão. No Dia Mundial do Refugiado, campanha da ONU promove causa no metrô.

Nesta segunda-feira (20), Dia Mundial do Refugiado, o nigeriano Bornaventure Abugu, de 40 anos, estava disposto a saber “a importância que o governo brasileiro dá ao tema”. Ele está há quatro meses no Brasil e veio fugido de seu país, pois estava jurado de morte por ser cristão. “Deixei três filhos e minha mulher. Aqui é um país bom, as pessoas são boas e não há discriminação religiosa”, disse ele.

A Nigéria vive há decadas um conflito entre muçulmanos e cristãos, que são 50% e 40% da população respectivamente.

Bornaventure, que está solicitando refúgio no país, foi nesta segunda à estação de metrô da Sé, em São Paulo, para conferir a campanha montada pela agência da ONU para refugiados, a Acnur, que objetiva chamar a atenção para o tema do refúgio. Com o nome ‘Calce os sapatos dos refugiados’, a agência montou um estande com sapatos e um mural de fotos. Por dois dias, quem passar por lá poderá ‘calçar os sapatos’ e apoiar a causa.

O secretário especial de Direitos Humanos de São Paulo, José Gregori, calçou os 'sapatos dos refugiados', nesta segunda-feira (20) (Foto: Fernando Sciré/Divulgação)

“É uma atitude simbólica, na qual as pessoas que não têm relação com o tema podem se informar e saber a respeito”, disse o porta-voz da Acnur no Brasil, Luiz Fernando Godinho. “Tem um simbolismo que vem da Bíblia. O refugiado é um caminhante”, disse o secretário especial de direitos humanos de São Paulo, José Gregori, que esteve na inauguração da campanha.

Refugiados e deslocados no mundo
Existem no mundo, hoje, 43,7 milhões de pessoas que tiveram de deixar suas casas e buscar a vida em outro lugar – o maior número em 15 anos e o equivalente à população da Colômbia. Entre esses, 15,4 milhões são refugiados em algum outro país e 27,5 milhões são deslocados internos, ou seja, pessoas que foram forçadas a se mudar, mas continuam na nação de origem.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (20), Dia Mundial dos Refugiados, pela agência da ONU que cuida do tema, a Acnur. Segundo o relatório Tendências Globais 2010, os países que mais exportam refugiados são o Afeganistão e o Iraque. Os que mais recebem pessoas são Paquistão, Irã e Síria – 80% dos refugiados do mundo foram acolhidos por países em desenvolvimento.

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