Europa deve estar aberta a migrantes da Primavera Árabe

Fonte: Rádio Nederland Wereldomroep Brasil 

Por Jannie Schipper

“Não fechem as portas para refugiados dos países árabes.” O pedido foi feito por Ad Melkert, enviado das Nações Unidas no Iraque, durante sua visita à Holanda no Dia Internacional do Refugiado, comemorado na última segunda-feira, 20 de junho. Os países ricos, segundo Melkert, devem abrir os olhos para o que está acontecendo no mundo árabe.

“Não fechem as portas para refugiados ou migrantes, mas reconheçam o que está acontecendo nos países árabes. Eles são nossos vizinhos e temos que apoiá-los, não fechando as portas de cara para pessoas que realmente não têm para onde ir, e principalmente investindo na região. Esta é a melhor maneira de evitar que as pessoas tenham que arriscar suas vidas em barcos frágeis tentando fugir.”

O gênio saiu da garrafa

O trabalho de Melkert para as Nações Unidas ganhou um peso maior com os acontecimentos nos países árabes. De acordo com ele, o mundo árabe foi modificado para sempre, ainda que ninguém saiba exatamente que direção irá seguir. O gênio saiu da garrafa, ele acredita. As pessoas já não se deixam mais intimidar. Também não querem mais o monopólio estatal da informação.

“Isto transformará esta região do mundo num outro tipo de sociedade e o papel da ONU é crucial nisto. Não diria que o Iraque é um exemplo, também pelo que aconteceu lá. Mas a constituição que foi feita, as eleições que foram organizadas, nisso há muitos elementos que hoje também são relevantes para o Egito, a Tunísia e outros lugares.”

De bombas a demonstrações

Agora que a segurança melhorou, o governo iraquiano está sendo cobrado por sua atuação com relação aos direitos humanos. Embora os desenvolvimentos no Iraque tenham sido “muito rápidos”, Melkert ainda vê muitos problemas. Entre eles, a liberdade de imprensa, a posição das mulheres e a situação dos prisioneiros. Ele faz uma comparação com a situação de dois anos atrás, quando ele chegou ao país. Na época, toda a atenção era para a violência e as bombas que explodiam regularmente.

“Isso era compreensível. Sem que haja uma estabilidade mínima, não se pode pensar em outras coisas. Nos últimos dois anos surgiu mais espaço para isso. Também está claro que o sucesso das eleições e a posse do novo governo gerou expectativas na população, mais do que no período de violência. Mas são mudanças de longo prazo, não há dúvida.”

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