Conselho de Segurança da ONU discute mudanças climáticas

Fonte: G1

 

Refugiados da Somália aguardam em campo no sul da Etiópia. A seca extrema no chamado Chifre da África fez com que grande quantidade de pessoas se deslocasse em busca de ajuda. A ONU calcula que 350 mil pessoas estejam sendo afetadas pela pior crise alimentar da região nas últimas duas décadas. (Foto: AFP)

Países não chegaram a acordo se este é um assunto para o órgão. Efeitos do clima levam a conflitos por recursos, alertam países ocidentais.

A ameaça que as mudanças climáticas podem representar à paz no mundo fez com que o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas, após quatro anos, voltasse a discutir, nesta quarta-feira (20), se o órgão deve se ocupar deste tema.

O debate foi convocado pela Alemanha, que preside o CS neste mês. Representantes de nações ocidentais disseram que a crescente aridez provocada pela mudanças climáticas já contribuíram com conflitos na região sudanesa de Darfur e na Somália, onde a ONU acaba de declarar situação de fome generalizada em duas áreas.

“Que não haja dúvidas: não estamos falando de um pequeno número de pessoas numa ilha remota tendo que deixar seu pedaço de praia. Falamos de elevações no nível do mar que podem impactar seriamente as vidas de milhões de pessoas que vivem perto da costa”, escreveu em artigo no site “The Huffington Post”, publicado nesta terça-feira, o representante alemão para a ONU, Peter Wittig. “As pessoas vão entrar em conflito por recursos básicos, serão forçadas a mudar e até mesmo a emigrar”, acrescentou.

No debate do CS, em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon disse que o aumento de eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais frequentes e intensos, podem deixar “perigosos vácuos de segurança”.

Impasse
Durante a sessão, governos ocidentais desenvolvidos divergiram da Rússia e de alguns países em desenvolvimento a respeito da tese de que a mudança climática é um tema para o CS.

Diplomatas ouvidos pela agência Reuters disseram que a Rússia bloqueou, ao menos temporariamente, a adoção de uma declaração do Conselho sobre o tema. Uma nova versão do texto deverá ser discutida pelos 15 países que formam o conselho, mais importante instância da ONU.

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse que Washington acredita fortemente que o CS “tem uma responsabilidade essencial de tratar das evidentes implicações de um clima em mutação para a paz e a segurança”, e que deve fazer isso “desde já”.

Politização
O representante russo, Alexander Pankin, se disse “cético” sobre as tentativas de colocar as implicações da mudança climática na pauta do conselho, o que, segundo ele, enfrenta a oposição de vários países. “Acreditamos que envolver o Conselho de Segurança numa revisão regular da questão da mudança climática não irá agregar valor algum e irá meramente levar a uma maior politização dessa questão e a mais discordâncias entre os países”, disse.

Índia e Brasil, membros temporários do CS, também disseram duvidar da conveniência de envolver essa instância no debate. O embaixador indiano, Hardeep Singh Puri, disse que o CS “não tem os meios para tratar da situação”.

Nações em desenvolvimento se queixam do que consideram ser uma tentativa dos países poderosos do Conselho de interferirem no território da Assembleia Geral, que reúne os 193 países da entidade, e na Convenção-Quadro da ONU sobre as Mudanças Climáticas.

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